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segunda-feira, 20 abril 2026

Eleições na Guiné-Bissau – O povo já decidiu, mas vai ter voz?

Wellington Calasans

Num clima de esperança renovada, os cidadãos da Guiné-Bissau preparam-se para as eleições presidenciais do próximo domingo, encarando o pleito como uma oportunidade histórica de resgatar o país das sombras que o têm envolvido.

Após anos de crise política agravada sob a presidência de Umaro Sissoco Embaló, a população anseia por mudança. Relatos de espancamentos, desaparecimentos e corpos encontrados nos arredores de Bissau pintam um quadro sombrio do atual governo, marcado pela instrumentalização das instituições e pelo recurso à violência como ferramenta de poder.

Nas ruas e nas conversas, sente-se a determinação de devolver o país ao caminho da independência, livre da opressão de ditadores que instrumentalizam as instituições e escravizam o próprio povo.

Os números econômicos revelam a profundidade da crise que assola o quotidiarou para 9,4% este ano.

ano dos guineenses. Durante o mandato de Embaló, o país praticamente estagnou: o PIB recuou ligeiramente de 1,64 para 1,63 mil milhões de dólares entre 2020 e 2023, enquanto a inflação disp

Com mais de 66% da população a viver abaixo da linha da pobreza, o aumento do custo de vida tornou a sobrevivência ainda mais difícil. A dívida pública atingiu 80,3% do PIB em 2022, estrangulando os investimentos em saúde, educação e infraestruturas que poderiam melhorar as condições de vida de milhões de famílias.

No panorama internacional, a Guiné-Bissau enfrenta um preocupante isolamento. A comunidade regional tem visto com crescente apreensão a deriva autoritária do país, com a CEDEAO a enviar missões de mediação na sequência da controversa dissolução da Assembleia Nacional em 2023.

A situação deteriorou-se ao ponto de o próprio presidente expulsar a missão da organização regional, declarando que ela “não voltará nunca”. Este afastamento diplomático reflecte como a Guiné-Bissau se transformou num exemplo de retrocesso na África Ocidental, gerando preocupação além das suas fronteiras.

Contra este pano de fundo desolador, as sondagens internas revelam um cenário eleitoral surpreendente. Fernando Dias da Costa, candidato independente, apoiado pelo líder do PAIGC e pela Plataforma da Aliança Inclusiva, Domingos Simões Pereira, lidera claramente em nove das regiões administrativas do país.

Nas áreas onde Sissoco Embaló esperava domínio incontestado, a sensação é de vitória absoluta do candidato independente. As pesquisas indicam que Dias da Costa poderá alcançar entre 68% a 70% dos votos, com uma margem de erro de apenas 2,5%, números que sugerem uma mudança significativa no panorama político.

Contudo, uma nuvem de incerteza paira sobre o processo eleitoral. A exclusão do maior partido do país, o PAIGC, e da coligação PAI Terra Ranka por decisão do Supremo Tribunal gerou receios de que a vontade popular possa ser sufocada.

Autoridades da justiça e representantes da Igreja Católica, com quem mantive contacto, manifestaram preocupação com eventuais artifícios no período pós-eleitoral ou mesmo horas antes da votação.

Apesar de garantirem que a vigilância eleitoral foi montada de forma robusta para minimizar fraudes, todos reconhecem que apenas um “milagre extra-eleitoral” poderia alterar o destino que os guineenses parecem determinados a traçar nas urnas.

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