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terça-feira, 3 fevereiro, 2026

Eleição 2026: Trump acelera luta de classe entre produção e rentismo no Brasil, sinalizando economia neocolonial

César Fonseca

As Confederações e federações de indústria, comércio, agricultura, serviços etc abandonaram seu discurso de classe capitalista, que fortalece base produtiva expressa no consumo, capaz de garantir reprodução do seu capital, para se subjugar, completamente, ao mercado financeiro – à Febraban e à Faria Lima –, que está destruindo-as, no interior de uma luta de classe entre produção e rentismo, cujo protagonista principal é a taxa de juros especulativa; os capitalistas tupiniquins estão de braços cruzados assistindo a destruição do seu próprio negócio; a Selic de 15% barra a produção em nome do combate à inflação, para expandir a especulação que destrói o consumo e a taxa de lucro das atividades produtivas; essa radicalidade antieconômica, patrocinada pelo rentismo tupiniquim, ao sustentar taxa de juro absurdamente alta em relação ao crescimento do PIB, aprofunda a desigualdade social e a concentração de renda.
TRUMPISMO DESTRUIDOR
A destruição do setor produtivo na periferia capitalista, agora, passou a se dar de forma mais intensa com a política imperialista de Donald Trump, de desvalorizar o dólar, a fim de aumentar as exportações americanas, na disputa comercial com a China, que ultrapassou a economia imperialista relativamente à paridade do poder de compra; adicionalmente, o presidente americano combate o déficit comercial por meio do tarifaço; mais: como essas duas providências ainda não são suficientes para tornar o império americano capaz de ser competitivo diante dos chineses, o imperador partiu para o assalto às riquezas alheias: toma petróleo da Venezuela, ameaça a Groenlância e Irã e deixa recado a todos, especialmente, os países latino-americanos, que irá às últimas consequências em nome dos interesses americanos.
TRANSPLANTE MONETÁRIO
A estratégia trumpista se faz sentir, nas últimas semanas, com o transplante de dólares dos Estados Unidos ao capitalismo periférico, forçando valorização do mercado acionário, enquanto esvazia, para preocupação da Faria Lima e da Febraban, a especulação financeira, forçando juros para baixo, na periferia, para valorizar moeda capaz de importar mais dos Estados Unidos; os especuladores, que, em 2025, ganharam perto de R$ 1 trilhão – maior distribuição de renda do mundo dos pobres para os ricos –, estão resistindo, em meio ao colapso dos pequenos e médios bancos, como o Banco Master, sem se ter a certeza de que ocorra efeito dominó, também, sobre grandes bancos; tudo pode acontecer no galope do império rumo à bancarrota; a rentabilidade dos bancos em geral, nesse contexto de instabilidade geral, deixou de se dar na produção e no consomo, se realizando, tão somente, no rentismo.
CONTRADIÇÃO MORTÍFERA
A grande contradição é que o capital que está indo para as ações dificilmente animará produção e consumo, se a taxa de juros não começar a cair já; caso contrário, ficará empossado; ninguém, mesmo ganhando na valorização das ações em comparação à especulação rentista, como vem ocorrendo nas últimas semanas, aumentará investimentos na infraestrutura nacional – conforme estratégia governamental de estimular estratégia público/privada –, se a taxa se mantiver alta, bem acima das projeções de crescimento do PIB, afetado pelo arrocho salarial vigente; o capitalista da produção continuará optando pela especulação, aprofundando, portanto, luta de classes entre produção e o rentismo, no cenário dos juros altos especulativos
PRODUÇÃO É CONSUMO, CONSUMO É PRODUÇÃO
O setor produtivo, somente, tem chances de enfrentar essa parada, com o setor especulativo, se tiver ao seu lado as classes consumistas, assalariadas, mediante valorização do seu poder de compra; não há produção sem consumo; “Consumo é produção, produção é consumo.”(Marx); trata-se da vasos comunicantes que foram rompidos pelo neoliberalismo especulativo; o tripé neoliberal – superavit primário, metas inflacionárias e câmbio flutuante – desorganizou a produção e o consumo em favor da especulação, e o rentismo financeirizou a economia, proporcionando supremacia da bancocracia na direção do Estado; a orientação macroeconômica priorizou, desde o Consenso de Washington, nos anos 1990 – e mais especificamente após o crash de 2008 – o esvaziamento da orientação estatal, em termos de planejamento e investimento, para dar lugar ao discurso neoliberal público-privado, pelo qual avançaram as privatizações, principalmente, dos preços públicos(energia, petróleo, gás etc), abrindo espaço ao predomínio do interesse dos oligopólios privados; essa lógica, primeiro, ganhou tração na Era Thatcher-Reagan(1979-1981/1988-1990) e depois do crash de 2008 na periferia capitalista; atualmente, nos países desenvolvidos, as privatizações estão em baixa, porque os capitalistas fogem dos investimentos que reduzem taxa de lucro em comparação ao que faturam na especulação rentista.
BRASIL NA CONTRA-CORRENTE

No Brasil, a onda chegou a partir de 2014, para culminar com a queda da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, pelo movimento neoliberal, e ganhou velocidade nos governos Temer(2016-2018) e Bolsonaro(2018-2022); de 2022 até agora, o governo Lula se vê cercado por uma maioria congressual fascista, que sustenta semipresidencialismo inconstitucional, cujo objetivo proclamado é manter tal sistema para abalar as instituições democráticas, levando-as ao fascismo; ela conta com apoio do fascista Donald Trump, embora Lula manobre para se dar bem com o imperador, que ameaça o mundo; é nesse cenário que a financeirização na periferia capitalista se encontra abalada pela política de desvalorização do dólar e da desdolarização econômica frente à concorrência da China; a classe produtiva brasileira, nesse contexto adverso para a América Latina, ameaçada pela Doutrina Donroe, não tem mais nada que lucrar com o trumpismo fascista, assim como, também, os especuladores, que, até agora, encheram as burras, correm perigo; afinal, a desvalorização cambial, forçada pelo combate trumpista ao déficit comercial americano, sobrevaloriza o real, impede industrialização e condena o Brasil a uma nova etapa neocolonial; chegou a hora, portanto, da aliança, na periferia capitalista, entre sindicatos patronais e laborais para salvar produção e consumo ameaçados pelo rentismo especulativo; tal união reclama urgente a redução da taxa de juros, como discurso das forças progressistas.

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