Pedro Augusto Pinho*
Tenho comentado sobre a inadequação das instituições, ditas nacionais, e o estágio civilizatório brasileiro. Deste fato decorre, inclusive, o golpismo institucional do qual fomos vítimas em 2016.
Preocupa-me que este último golpe, contestado pela incapacidade absoluta de seus condutores, pretenda ser prorrogado com a simples mudança de atores e mantidos seus objetivos e princípios institucionais.
Em toda nossa história, cheia de golpes violentos ou “constitucionais”, jamais tivemos um modelo institucional brasileiro, aquele que pudéssemos chamar de nosso.
O pensamento colonial está na origem de todo nosso sistema institucional. É este pilar, com sua falsa “homogeneidade político-cultural, cujas bases epistemológicas sustentam a sistematicidade e normatividade Estatal como única dotada de validade e legitimidade”, que nos inunda a história e os golpes. Esta citação é do trabalho da professora Sandra Nascimento, “Constituição, Estado Plurinacional e Autodeterminação Étnico-Indígena: um giro ao constitucionalismo latinoamericano” – disponível na internet em www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=5c5a93a042235058 – que, no entanto, está mais centrado na questão das populações originárias e sua presença constitucional do que na crítica institucional.
Pretendo, sem desmerecer nem contestar esta importantíssima questão que ficou à margem de nossa última constituição, colocar à reflexão de meus caros leitores a questão do conhecimento, ou seja, a questão epistemológica, como tratada pelo pensador contemporâneo Boaventura de Sousa Santos (Epistemologias do Sul, Boaventura de S. Santos e Maria Paula Meneses, coordenadores, Edições Almedina, Coimbra, 2010, e diversos artigos).
Afirma Boaventura: “não há epistemologias neutras” e esta reflexão não deve incidir “nos conhecimentos em abstrato, mas nas práticas de conhecimentos e nos seus impactos do colonialismo e do capitalismo modernos na construção das epistemologias dominantes”.
Comecemos pela questão deste conhecimento reconhecido pelas práticas. Quantas vezes o prezado leitor não se deparou com nosso “fracasso civilizatório”? O “nada pode dar certo aqui” que vem acompanhado de um referencial que nem é nosso; não concorda? Todo conhecimento que valorizamos é uma importação colonial. Diz-se que o modelo colonial é da exportação para metrópole de bens econômicos e da importação do pensamento, dos bens culturais, da epistemologia do colonizador.
![]()



