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quinta-feira, 18 julho, 2024

Dia da Rússia: o que se comemora em um dos feriados mais jovens do país?

© Sputnik / Anton Denisov

Sputnik – Um dos feriados nacionais mais jovens na história da Rússia, o Dia da Rússia relembra a adoção da Declaração da Soberania Estatal, que aconteceu no primeiro Congresso dos Deputados do Povo, em meados de 1990.

Além da soberania, segundo especialistas ouvidos pelo podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, a data marca também a primeira eleição presidencial de maneira aberta, vencida por Boris Yeltsin, em 1991.
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Embora oficializada no ano de 1991, a culminância só começou a ser realizada a partir de 2003, ou seja, é como se a data celebrasse seus 11 anos nesta quarta-feira (12).

Diferentes formas de celebrar

De acordo com Olga Smirnova, professora da Escola Superior de Economia e pesquisadora do BRICS, embora a data seja apenas uma, as formas de celebrá-la são diversas e variam a depender da região.
Por exemplo, em São Petersburgo, cidade onde reside a especialista, há inúmeros eventos e áreas de festejar.

“[Celebramos] a história, a ciência, o esporte. Neste dia, o povo pode jogar jogos tradicionais. Há encontros com pessoas famosas, por exemplo, com esportistas, com políticos, com historiadores”, explica à Sputnik Brasil.

Segundo Smirnova, muitos cidadãos, formados por diversas etnias, gostam de assistir a filmes sobre história, alguns documentários, além de encontros com “blogueiros populares”.
A professora pontua, ainda, que a percepção acerca da data depende principalmente da idade geracional.

“Esta celebração é muito nova. Então nem todas as pessoas russas são acostumadas a essas celebrações. Nem todos entendem o significado desse dia para a nossa história. E para muitos, na verdade, é só uma oportunidade de descansar, de passar tempo com as suas famílias“, sublinha.

No dia 9 de maio, a população russa celebra o Dia da Vitória.

“O Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial para a União Soviética, para a Rússia. Então aquele dia é também considerado como o dia do país, de várias formas. Como esse intervalo de tempo é bastante pequeno, entre dois dias, acho que todas as emoções, todos os sentimentos, ficam no Dia da Vitória. Então este dia da Rússia é só considerado mais como o dia de descanso”, pontua Smirnova.

Parcerias estratégicas da Rússia

Internacionalmente, segundo cravou ao Mundioka, o Dia da Rússia pode não receber a mesma atenção do que outros eventos, como o Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial. No entanto, as relações internacionais e os conflitos geopolíticos, como o confronto com a Ucrânia, inevitavelmente moldam o contexto em que a data é observada.
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A parceria estratégica com a China e o papel do BRICS são vistos pela especialista como elementos-chave na sustentação da economia russa e na busca por uma ordem mundial mais inclusiva e equitativa.

“As nossas relações com a China melhoraram bastante nos últimos dois anos e, apesar das relações bilaterais, comunicamos também, através do BRICS. […] agora, a Rússia já tem muitos parceiros novos em outras partes do mundo”, crava.

Formação de coalizões

Nos últimos anos, a Rússia tem desempenhado um papel central na cena internacional, buscando promover uma nova ordem mundial multipolar. A diplomacia ativa e as parcerias estratégicas visam fortalecer sua posição geopolítica e econômica globalmente.
Segundo Maria Eduarda Carvalho de Araujo, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp, PUC-SP), membra fundadora do Centro de Investigação em Rússia, Eurásia e Espaço Pós-Soviético (CIRE) e pesquisadora no Observatório de Conflitos do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (GEDES), as parcerias estratégicas são fruto de formação de coalizões.

“Quando a gente observa esse processo de coalizões no mundo, a gente vê o mundo cada vez mais dividido. Então a gente pode citar, por exemplo, a primeira cúpula de paz para a Ucrânia, que vai acontecer nos dias 15 e 16 deste mês na Suíça. Mas vale pontuar que mais da metade das confirmações de participações nessa cúpula vem da Europa. Isso faz com que o Ocidente seja bastante representado nesse campo e que domine esse espaço de discussões para a paz sobre o conflito na Ucrânia, só que sob a luz de suas percepções“, critica a especialista.

Segundo a internacionalista, essas coalizões e, principalmente, o que vem do mundo que não é ocidental é relevante para conseguirmos entender os processos de alteração dos fluxos de exportações e as oportunidades de mercado que vão surgindo com a emergência de novas potências.

“Tem o ganho de relevância da Índia, da Turquia. Também o Irã vem ganhando protagonismo com a Rússia no quesito das relações econômicas e militares. Então vai havendo, por parte da Rússia, essa mobilização na busca de conseguir mais parcerias e mais estratégias em termos econômicos, geopolíticos, nas mais diversas áreas, de uma forma geral, justamente para conseguir promover os seus interesses e também um amplo diálogo em um mundo que eles chamam de policêntrico”, avalia.

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