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Postado em 09/07/2021 9:21

Dessa vez não terá pretexto, um golpe militar será contra o povo, por Rogério Maestro

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Os militares, que foram com sede ao pote na tomada do Estado Brasileiro, não conseguem gerenciar todos os problemas que surgem no aprofundamento de um neoliberalismo de rapina

por Rogério Maestro

A nota de repúdio dos três comandantes das forças armadas, claramente contra o desnudamento da influência maligna de uma parte significativa das mesmas na pandemia que vitimou mais de meio milhões de brasileiros, deixa claro que a falta de um mínimo de autocrítica dessas quanto a ação dessas forças armadas, que está sendo exposta na CPI da pandemia, poderá colocar claramente algo que jamais ocorreu no Brasil, a explicitação de um possível golpe que ficará claro que é contra o Povo Brasileiro.

Nos outros golpes realizados pelas forças armadas, contra o Império, contra Getúlio e contra o governo Jango, sempre havia uma espécie de cobertura das intensões dos golpistas em favorecer as oligarquias brasileiras e o imperialismo internacional contra primeiro um governo Imperial brasileiro que nessa época chegou a ter uma marinha que era uma das mais fortes do mundo, ou no segundo caso onde o nacional-desenvolvimentismo do governo Getúlio que fortalecia a nascente indústria nacional e por fim um projeto de país guiado por um latifundiário de centro, que era Jango Goulart que com as leis de reforma e base preparavam o surgimento de um estado capitalista independente das potências colonialistas.

Excetuando o primeiro golpe, onde o exército brasileiro (aeronáutica não existia) era relativamente fraco e sem a mesma importância da marinha, não havia uma visão clara do que pretendia a república dos marechais, ou seja, uma visão liberal da economia era praticamente um consenso, e forças proletárias e populares, excetuando em pequenas manchas de indústrias não tinham maior importância num Brasil saído de um escravagismo com características de exploração capitalista para a exportação. Posteriormente as forças armadas com o tenentismo esboçou uma revolta democrática que resultou na revolução de trinta. Essa época, sob o domínio do governo civil de Getúlio e com inspiração na direita fascista e nacionalista europeia nasceu o verdadeiro Estado Brasileiro, que logo no pós guerra foi derrubado pelas forças militares em que essas estavam divididas entre uma majoritária visão de direita com bolsões de esquerda que cresceram e tiveram que ser suprimidos em 1964.

O golpe contra os governos do PT, foi a quarta grande insurreição com características de insurreição civil jurídica e militar também procurou destruir a alavancagem de um Estado Brasileiro sob o pretexto de combater a corrupção, algo que foi tentado já no segundo governo Vargas e abortado pelo suicídio do Presidente e sublevação da população brasileira.

Com esse último golpe foi colocado no poder alguém sem a mínima capacidade de governar, que se sujeita a venda de todas as riquezas nacionais para ajudar na inútil tarefa de recuperar a economia do Imperialismo que é atacado não pela China ou pela Rússia, mas sim pela queda da taxa de lucros que sofre todos os países do ocidente.

Os militares, que foram com sede ao pote na tomada do Estado Brasileiro, não conseguem gerenciar todos os problemas que surgem no aprofundamento de um neoliberalismo de rapina e esse sentimento gera uma espécie de comportamento de pilhagem, onde até o dinheiro de vacinas é drenado para os mais rápidos e mais venais esses recursos.

Ao mesmo tempo em que esse movimento de pilhagem ocorre, a venda do patrimônio nacional vai sendo acelerado e no momento que esse patrimônio se esgotar, simplesmente restará um país sem as mínimas condições físicas e humanas de criar riqueza para sustentar a máquina estatal.

Se essa pilhagem do patrimônio nacional for levada quase até o fim, coisa que para construir demora décadas mas para demolir nem uma década precisa, criará contradições dentro do próprio Estado que restar e certamente haverá reações contra esse movimento, essas reações somadas a degringolada da economia capitalista internacional criará tensões entre os atuais parceiros do primeiro mundo, levando a conflitos armados entre esses. Dentro desse descalabro nacional e internacional todas as forças ainda vivas lutarão e nesse momento se terá o fim do último golpe das forças armadas. Será o último golpe pois estará bem claro a todo o povo brasileiro que esse último foi contra a própria população do país, sem que haja pretexto para culpar um inimigo interno ou externo pelo crime cometido.

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