Fotos AB, Câmara
César Fonseca
A campanha eleitoral vai começar, depois das convenções partidárias, neste mês, quando serão definidas as candidaturas que disputarão a presidência da República em 2026.
Chega hora da onça beber água, isto é, da definição político-ideológica, principalmente, dentro da esquerda, que, em termos normais de temperatura e pressão, não é unida, mas, ao contrário, multifacetada.
Contudo, faz-se necessária ação enérgica dela para dizer quem é quem no campo de batalha, para qualificar a disputa aos olhos do eleitorado.
A direita e a ultradireita fascista(UB, PP, PSD e PL) já começam pisando na bola, quanto a utilização de armas no combate.
A decisão do ministro Flávio Dino, do STF, de punir seus representantes por burlarem a lei na utilização das emendas parlamentares, para favorecer aliados sem dispor de autoridade constitucional para tanto, dá oportunidade à esquerda de defender a legalidade constitucional rompida pelo fascismo.
Direita e ultradireita começam a disputa eleitoral ferindo da Constituição.
É ou não chance deixada à Frente Ampla Lulista(PT, PSB, PcdoB, PV e REDE) para denunciá-las, a fim de iniciar o debate eleitoral, ganhando pontos frente ao eleitorado?
DIREITA E ULTRADIREITA:
ADVERSÁRIAS DA CONSTITUIÇÃO
O presidente do PL, Waldemar da Costa Neto, e o ex-deputado Eduardo Cunha, do MDB, ambos sem mandatos, mas constituindo-se expressões políticas de peso, destinaram, respectivamente, R$ 106 milhões e R$ 6 milhões, às suas bases políticas municipais, sem estarem autorizados, constitucionalmente, para tal.
O caos político eleitoral está dado pela direita e ultradireita que ambos representam, configurando jogo que desequilibra a disputa à luz da legislação.
Sem dúvida, dão à Frente Popular – que representará a base da força política de apoio ao presidente Lula – a oportunidade de contestação, na justiça eleitoral, contra quem se beneficiará da atitude ilegal protagonizada por Waldemar da Costa Neto e Eduardo Cunha.
O beneficiário maior de tal ilegalidade é sabido: o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro.
Criminalizar, eleitoralmente, Waldemar e Cunha – e, por tabela, seu candidato Tariflávio –, por agirem ao largo da Constituição, no momento em que inicia a disputa eleitoral, é um imperativo categórico.
LUTA POLÍTICA É LUTA IDEOLÓGICA
A sociedade, diante de tal alerta, ficará sabendo, por iniciativa de denúncia da Frente Popular Lulista, quem está, previamente, agindo criminosamente na luta política ideológica.
A reação da direita e da ultradireita em contestar a providência do ministro Flávio Dino em defesa da legalidade constitucional, rompida por ambas, coloca-as, de saída na luta eleitoral, na retranca.
Terão que se defender.
Esse é o caso do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta(Republicanos-PB), que, sem argumentos politicamente corretos, à luz da Constituição, acusa Flávio Dino de indevida ingerência no processo eleitoral.
Para ser dirimido, o ataque necessário da Frente Ampla Lulista, guarda-chuva ideológico da esquerda e do centro-esquerda, ancorado no regime constitucional defendido por Dino, será, certamente, dirigido ao Tribunal Superior Eleitoral(TSE), sob comando do presidente Nunes Marques e do vice, André Mendonça, ambos, bolsonaristas, indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Frente Ampla Lulista, portanto, coloca em xeque-mate, no início do processo eleitoral, a capacidade dos dois ministros bolsonaristas de defenderem ou macularem a Constituição, na disputa eleitoral.