Pedro Augusto Pinho*
Na quinta-feira, 1º de outubro de 2026, foi o último dia do prazo para a realização de comícios e para o uso de aparelhos de som fixos, entre 8:00h e meia-noite. No comício de encerramento da campanha, o horário poderá ser prorrogado por mais duas horas. Os debates no rádio e na televisão também poderão ser realizados até quinta-feira. A programação poderá avançar pela madrugada, desde que termine até às 7:00h de sexta-feira (2/10). Também termina na quinta-feira o prazo para a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet.
Na sexta-feira (2/10) será o último dia para a divulgação paga de propaganda eleitoral na imprensa escrita e para a reprodução, na internet, dos anúncios publicados em jornais impressos.
No sábado, 3 e outubro, estão permitidas somente caminhadas; candidatos, partidos, federações e coligações poderão utilizar alto-falantes e amplificadores de som das 8:00h às 22:00h. Para isso, é preciso respeitar a distância mínima de 200 metros de sedes dos Poderes Executivo e Legislativo, de tribunais, quartéis, hospitais, escolas, bibliotecas, igrejas e teatros em funcionamento.
As redes de televisão no Brasil, na quase totalidade, têm suas orientações vindas do exterior. E este exterior, como já foi amplamente divulgado, é os Estados Unidos da América (EUA), cujo presidente Donald Trump e seu Secretário de Estado, Marco Rubio, vêm sem o menor escrúpulo acusando o governo brasileiro e o sistema eleitoral de cometer erros e impropriedades. Há clara indicação que o governo estadunidense deseja a eleição de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), que já prometeu fazer, se eleito, a passagem de governo com representantes indicados pelo governo Trump.
As redes de televisão vêm apresentando, quer nas entrevistas, quer nas manifestações de intenção de voto, quer por seus comentaristas, apenas alguns candidatos do espectro político da direita à extrema direita. Candidatos da esquerda, como do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Edimilson Costa, do Partido Socialista Trabalhista Unificado (PSTU), Hertz Dias, do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, e da Unidade Popular, a jovem negra, cirurgiã-dentista, mineira Samara Martins, que completou em agosto passado 39 anos, jamais foram sequer mencionados. O mesmo acontece com dois candidatos conservadores, do espectro da direita política, a advogada mato-grossense Clariana Zacarkim Barão, da Democracia Cristã (DC) e o cantor, veterinário, empresário paulistano Wilson Grassi Júnior, do Democrata.
Assim, as redes de televisão e as imprensas virtuais e impressas dos mesmos proprietários reduzem a sete candidatos a disputa eleitoral para presidente do Brasil, fazendo concentrar a disputa entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) com o candidato dos EUA, Flávio Nantes Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente e atual presidiário, Jair Messias Bolsonaro.
Quando coloco Flávio Bolsonaro como candidato do atual governo estadunidense nada mais faço do que repetir o que diz o próprio candidato, seu irmão Eduardo Bolsonaro, residente nos EUA, terceiro filho de Jair Messias, e das próprias autoridades dos EUA.
O projeto “cadeira vazia”, que receberia todas as acusações sem replicar, tornou-se pela competência de Lula da Silva, aceitando, para o mesmo horário do debate, 20h45min, ser entrevistado pelo jornalista Igor Rodrigues Coelho, no Programa Flow Podcast, do YouTube, transformado num projeto inviável, mais de um milhão de pessoas aguardavam a entrevista de Lula às 20h45min, irrealista e inconsistente.
As redes de televisão e suas mídias associadas, não conseguindo aceitar seus próprios erros, passaram a acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal Eleitoral (STE).
Analisemos suas composições.
Atualmente, o STF está composto por dez membros. O mais antigo, designado por Fernando Henrique Cardoso, é Gilmar Mendes, desde 2002. Seguem Cármen Lúcia, designada por Lula (2006), Dias Toffoli, também por Lula (2009), Luis Fux, por Dilma Rousseff (2011), Edson Fachin, também por Dilma (2015), Alexandre de Moraes, por Michel Temer (2017), por Jair Bolsonaro, Nunes Marques (2020) e André Mendonça (2021) e por Lula, Cristiano Zanin (2023) e Flávio Dino (2024).
O STE tem como titulares: Kassio Nunes Marques, presidente, André Luiz de Almeida Mendonça, vice-presidente, José Antonio Dias Toffoli, originado do STF, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior, representando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados designados por Tribunal de Justiça dos Estados, que fizeram carreira na área eleitoral: Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto e Estela Aranha, ambos originários de São Paulo.
No STF, quer pela indicação, quer pela proximidade com Daniel Vorcaro, ou pelas convicções políticas e interesses econômicos, apenas poderíamos identificar como favoráveis aos interesses do Presidente Lula, os Ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino. Mas este último, o maranhense Flávio Dino de Castro e Costa, de 58 anos, tem toda uma carreira que começa como aprovado em concurso público para juiz, como professor de direito, passa pela experiência política de deputado federal, senador e de governador de Estado, e de Ministro da Justiça, até chegar ao STF. Convenhamos que há muito mérito pessoal e profissional para reduzi-lo à simplesmente “lulista”.
O STE tem sua cúpula bolsonarista e associada a Daniel Vorcaro. Dos quatro outros ministros apenas se conhece sua origem profissional, e nada a respeito de suas convicções políticas ou interesses pessoais.
Portanto as alegações dos representantes das tevês são acusações que necessitam de comprovação.
Seria mais honesto se reconhecessem que a trama contra Lula fracassou. Mas o passado destas emissoras não nos permite imaginar ações dignas e de interesse do povo brasileiro.
Portanto, foi um ato de suprema competência do Luiz Inácio, o menino paupérrimo do interior nordestino que foi eleito três vezes para Presidente do Brasil e venceu os interesses da plutocracia que, como já tinham feito Getúlio Vargas, João Goulart, Costa e Silva, Emílio Médici e Ernesto Geisel, agiram pelo progresso, pela soberania e pelo bem estar da população pobre do Brasil.
69,1% da população brasileira recebe nada ou, no máximo, dois salários mínimos, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De dois a cinco salários mínimos são computados 21,05%, ou seja, os brasileiros somam 90,15% da população, o que no México representa 56,6%, para uma comparação adequada. Aqui, a classe média totaliza 6,6% da população, no México representam 42,2%.
É um verdadeiro crime o que fizeram os governos de Fernando Henrique Cardoso (1/1/2000 a 1/1/2003), de Michel Temer (31/8/2026 a 1/1/2019) e de Jair Bolsonaro (1/1/2019 a 31/12/2022), para ficarmos no século XXI, com o povo brasileiro, protegendo os bancos e os gestores de ativos estrangeiros (BlackRock, Vanguard, Fidelity, State Street, JPMorgan Chase, entre outros).
AS SUGESTÕES DE LULA NO FLOW PODCAS
Encerrando sua entrevista, o jornalista Igor Coelho franqueou a palavra a Lula para o que desejasse expor. E chegaram a ser emocionantes suas palavras; dirigidas àqueles maiores de 70 anos, que não têm a obrigação de votar, e aos jovens, aqueles de menos de 29 anos, que não encontram um país que os possa acolher com trabalho, educação e dignidade.
Aos mais velhos, Lula, que completa 81 anos em outubro próximo, pediu a sua experiência para enfrentar os problemas que nos afligem a todos, sendo os mais graves o da desigualdade e o da segregação da sociedade em setores para excluí-los das vantagens do crescimento. Realmente, os maiores de 70 anos sofrem esta defasagem da era da informação, das comunicações virtuais, da inteligência artificial que não conheceram quando trabalhavam. Mas podem, por seu turno, aconselhar métodos ainda válidos, que conheceram bem no tempo da sua vida de trabalho. Uma pessoa de 70 anos não deve estar aposentada há muito mais de dez anos. Já faz diferença pela velocidade da era digital, no entanto há muito trabalho que ainda é realizado de modo mecânico, muito eventualmente eletrônico. E o idoso encontrará nesta participação seus novos caminhos. Suas novas ambições.
Para os jovens o conselho é participar ao invés de se queixar. Filie-se a um partido político, uma associação profissional, um sindicato, um clube, para usar seu entusiasmo, a força de sua juventude num projeto que melhore sua comunidade, seu bairro, sua cidade.
Estudar sempre e produzir são os caminhos para a juventude do Brasil. E aqueles que têm ou tiveram mais oportunidades, criar, no lugar de copiar. Nosso país teve a infelicidade de ficar copiando por mais de 400 anos. E assim ficamos dependentes. Vamos, agora, com mais de 500 anos, incentivar a criatividade em todos os campos, nas ciências, nas técnicas, nas artes, na indústria e no comércio, onde o Brasil já tem, pela própria natureza, recursos que outras terras não têm.
Avante brasileiros!
*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.