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Postado em 21/12/2019 10:35

Deputados chilenos aprovaram mulheres e povos indígenas na constituinte

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Por Rafael Calcines Armas Santiago do Chile, 20 dez (Prensa Latina) Em uma volta de 180 graus que muda o cenário do processo constitucional atual, a Câmara dos Deputados do Chile aprovou a paridade de gênero, assentos para povos indígenas e partição de candidatos independentes.

 

A votação realizada ontem à noite foi radicalmente diferente da realizada um dia antes, pois as questões que a oposição queria introduzir no texto do acordo constitucional não atingiram o apoio mínimo necessário para a rejeição do bloco à direita.

Mas na segunda tentativa, desta vez apresentada como um projeto de reforma constitucional, eles tiveram 144 votos a favor e apenas um contra, mesmo com o apoio dos deputados dos partidos de direita Evolution for Change (Evópoli) e Renovação Nacional (RN)

O primeiro impacto político dessa mudança foi a decisão do partido da União Democrática Independente (UDI), onde milita a direita mais rançosa, para se distanciar do Chile Vamos, a coalizão governamental.

O presidente da UDI, Jacqueline van Rysselberghe, comunicou em um telefonema ao ministro do Interior Gonzalo Blumel e disse que ‘congelamos nossa participação no Chile. Vamos até tomar uma decisão sobre como vamos avançar’.

Em declarações à imprensa, o principal representante da UDI foi categórico, observando que ‘não estamos dispostos a estar com parceiros que não são capazes de acompanhar o compromisso determinado, isso mostra que somos o único partido de direita’.

Essa atitude é qualificada pelos analistas muito mais do que uma bravata da UDI, pois pode marcar uma crise nas fileiras dos partidos de direita e piorar a delicada situação do governo de Sebastián Piñera em meio à crise social e política do país. .

Enquanto isso, a decisão da câmara foi amplamente realizada em amplos setores políticos e sociais, nos quais eles concordaram que a paridade de homens e mulheres no mecanismo constitucional que é aprovado em abril próximo, é um ato de justiça para com os chilenos, que eles constituem mais da metade da população do país.

Além disso, deputados das diferentes forças da oposição alertaram que esse resultado é uma consequência direta das mobilizações realizadas por milhões de chilenos nos últimos dois meses, cujas demandas foram a criação de uma assembleia constituinte conjunta e a cessação da discriminação contra as mulheres.

Apesar da euforia, da esquerda eles avisaram que o que foi alcançado na noite passada é apenas um passo importante, mas o Senado ainda precisa endossá-lo, porque nesse caso também foram rejeitados ontem, paridade de gênero, os assentos reservados para povos indígenas e a participação de candidatos independentes.

Mas a senadora socialista Isabel Allende anunciou que também foi apresentada no Senado uma reforma constitucional que abrange a paridade de gênero, a representação dos povos indígenas, a questão dos independentes e a votação dos chilenos no exterior, que podem ser comparados com o que foi acordado em Câmara dos Deputados.

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