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Postado em 09/01/2022 7:02

Depois de um ano, as sombras permanecem

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Washington, 9 jan (Prensa Latina) No primeiro aniversário do ataque ao Capitólio dos Estados Unidos por partidários do então presidente Donald Trump, novas evidências fecham ainda mais a cerca em torno do ex-presidente e de seu envolvimento nos distúrbios.

Enquanto a justiça processa centenas de cidadãos protagonistas dos violentos incidentes de 6 de janeiro de 2021, a comissão especial da Câmara dos Deputados, que investiga o ocorrido naquele dia, afirma ter evidências da responsabilidade do líder conservador.

A deputada Liz Cheney, do Partido Republicano, confirmou que a comissão tem “depoimentos em primeira mão” que revelaram como Ivanka Trump, filha do ex-presidente e uma de seus assessoras, pediu a seu pai que interviesse para impedir os atos violentos daquele dia em Washington. Na mesma linha, o democrata Bennie Thompson, presidente da comissão encarregada da investigação, disse ter evidências da inação do chefe do governo enquanto a multidão tentava impedir a certificação da vitória do democrata Joe Biden das eleições.

A CNN afirmou que uma testemunha-chave é Keith Kellogg, acessor de segurança nacional do então vice-presidente Mike Pence, que estava com Trump na mansão executiva quando ocorreu o tumulto, alimentado pela teoria de fraude eleitoral do magnata republicano.

Além disso, a comissão constatou que havia pedidos para impedir as ações violentas de legisladores republicanos, membros de sua equipe, figuras da rede de televisão Fox News, além de Donald Trump Jr., outro descendente do ex-chefe da Casa Branca .

“Ele tem que condenar isso o mais rápido possível. Precisamos de uma mensagem do Salão Oval. Foi longe demais e saiu do controle”, escreveu Trump Jr. ao chefe de gabinete de seu pai, Mark Meadows.

Foi Meadows quem entregou ao grupo parlamentar milhares de documentos sobre a tentativa de anulação dos resultados eleitorais, mas depois lamentou a sua colaboração e enfrenta um processo criminal por desacato, tal como Steve Bannon, ex-assessor do ex-chefe de Estado, cujo julgamento está agendado para o próximo verão.

Outras testemunhas cruciais se recusam a cooperar com as investigações sobre os protestos ocorridos há um ano na sede do Congresso, que deixaram pelo menos cinco mortos, incluindo um policial, e mais de 140 feridos.

Trump parece ter muito a esconder e por isso apelou à Suprema Corte com base no chamado “privilégio executivo” para tentar bloquear o acesso da comissão aos registros do Arquivo Nacional relacionados aos distúrbios.

Mesmo que a comissão da Câmara dos Deputados obtenha as provas necessárias contra o ex-chefe da Casa Branca, isso não garante que ela pagará por suas ações ou omissões em relação à insurreição, porque, ao contrário dos tribunais, o Congresso não tem capacidade de sancionar e caberia ao Ministério Público processá-lo.

(Retirado do Orbe)

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