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sexta-feira, 23 janeiro, 2026

Dependência perigosa de El Salvador em relação aos Estados Unidos

San Salvador (Prensa Latina) El Salvador tem hoje uma dependência dos Estados Unidos que pode ser perigosa em termos econômicos, algo que já era previsto quando o presidente Donald Trump ameaçou o mundo com sua política tarifária.

Quando o país foi submetido a um imposto de exportação de 10% (o mais baixo), que posteriormente foi flexibilizado, os setores empresariais locais falaram em buscar maior diversificação comercial, olhando para a China e outras nações.

Essa realidade foi destacada por um relatório recente da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que afirma que El Salvador é um dos países latino-americanos mais dependentes das exportações para os Estados Unidos, seu principal parceiro comercial.

A entidade observou que o pequeno país centro-americano ocupa a sétima posição entre as 24 economias da região com a maior concentração de exportações para os Estados Unidos.

A CEPAL analisou as perspectivas e condições do mercado externo dos países latino-americanos, marcado este ano pela incerteza devido à onda de tarifas impostas por Washington aos seus parceiros.

Dos países avaliados, o México apresenta a maior concentração de exportações para a maior economia do mundo, com 81%, seguido pela República Dominicana com 59%, enquanto Nicarágua e Costa Rica registram 48% cada. Honduras vem em seguida, com 47%, Trinidad e Tobago com 41%, e El Salvador fecha a lista com 34%.

Em resumo, dos 14 bilhões de dólares que a presidente da Corporação de Exportadores Salvadorenhos, Silvia Cuéllar, previu que seriam vendidos no exterior, uma porcentagem significativa irá para o mercado do norte, que também é o principal centro de importações salvadorenhas.

Por outro lado, dados do Banco Central de Reserva (BCR) asseguram que o chamado “Pequeno Polegar das Américas”, apesar de seus meros 21.000 quilômetros quadrados, exportou para 130 países em 2024, com mais de 6.447,5 milhões de dólares, dos quais 2.134,9 milhões foram para os Estados Unidos.

Segundo a CEPAL, os Estados Unidos são o principal parceiro comercial da região, representando 45% das exportações, enquanto as importações representam 29%.

É evidente que existe preocupação na Casa Branca com o avanço da China na região, por meio de investimentos, empréstimos a juros baixos e oferta de produtos mais acessíveis.

El Salvador não é exceção e está atualmente negociando um Acordo de Livre Comércio (ALC) que colocará à prova sua relação comercial com os Estados Unidos.

É evidente que há um declínio no comércio com o país do norte, visto que a China está progredindo bem em suas relações com a região, e El Salvador não é exceção quando se trata de exportações de matérias-primas, sendo um importante fornecedor de produtos manufaturados.

Por exemplo, as vendas de café estão agora a expandir-se para o mercado asiático, e outros produtos, que antes se destinavam principalmente ao norte, também estão a ser exportados.

O chefe da Coexport explicou que, com o registro de exportações de mercadorias no valor de cinco a seis bilhões de dólares até outubro, eles podem fechar o ano com quase sete bilhões, principalmente para os Estados Unidos, que também é o principal destino das exportações.

Entre os produtos de exportação que apresentaram maior crescimento, Cuéllar destacou alimentos e bebidas, construção civil, metalurgia, produtos eletrônicos, plásticos, produtos farmacêuticos, papelão e papel, máquinas, açúcar e café, entre outros.

Algo que também influencia essa dependência do país do norte é o fato de quase três milhões de salvadorenhos viverem lá, os quais devem enviar pelo menos 10,1 bilhões de dólares este ano, um valor que supera os demais itens que compõem o produto interno bruto (PIB) e que também recebem algumas exportações.

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