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quinta-feira, 22 janeiro, 2026

Delícias de 17 países em uma única mesa na Bolívia

La Paz (Prensa Latina) Após o sucesso da feira Sabores del Mundo em La Paz, Bolívia, fica evidente a necessidade de uma infraestrutura adequada para facilitar as condições de realização desta celebração da gastronomia e da cultura em geral.

Por Jorge Petinaud Martínez

Correspondente-chefe na Bolívia

“Não temos infraestrutura para eventos dessa magnitude. Precisamos de um verdadeiro parque de diversões para eventos como este e convenções, pois muitos empresários querem investir nesse tipo de atividade em La Paz”, disse o Secretário Municipal de Cultura, Rodney Miranda.

Em entrevista exclusiva à Prensa Latina, o responsável considerou a terceira edição da feira internacional Sabores del Mundo um sucesso.

Representantes de 17 países participaram deste festival gastronômico e cultural no dia 4 de outubro, apresentando seus pratos tradicionais, músicas, danças e trajes representativos na Plaza Tejada Sorzano, bem perto do Estádio Hernando Siles, no bairro de Miraflores, em La Paz.

“Estamos muito satisfeitos com o sucesso do projeto. Acredito que tomamos a decisão certa em trabalhar em conjunto com as embaixadas e, com a resposta positiva das missões diplomáticas, vemos que as expectativas foram superadas”, disse Miranda a esta agência de notícias.

Respondendo a perguntas em meio ao vai e vem de milhares de pessoas fazendo fila para comprar iguarias em barracas de cada país, e tendo como pano de fundo a música do icônico cantor de cueca trovador Willy Claure, Miranda aludiu a detalhes dos preparativos.

“Fiquei um pouco preocupado quando vi que 17 países estavam representados nesta proposta”, comentou o funcionário, “e pensei que não teríamos pessoas suficientes para consumir toda a oferta”.

“No entanto”, ele acrescentou, “o povo de La Paz compareceu em massa para comer e experimentar pratos até então desconhecidos aqui, como pratos tradicionais africanos da República Democrática do Congo e Gana, ou da Índia”.

Ele também destacou a aceitação da oferta da Rússia, o restaurante El Habanero representando Cuba, o restaurante venezuelano e a aceitação do café colombiano.

Ele considerou que o agradável ambiente vivido no sábado na Praça Tejada Sorzano refletiu que La Paz é a cidade que acolhe todas as delegações diplomáticas, irmãos e irmãs de todo o mundo e de todo o país, “porque somos uma cidade muito cosmopolita”.

“É realmente um grande encontro cultural do mundo, e temos a sorte de que, quando pensamos na Bolívia, a primeira coisa que nos vem à mente é La Paz”, enfatizou. “Somos a capital política, e é por isso que essas missões diplomáticas estão aqui, o que permitiu que esta feira crescesse.”

Ele lembrou que este projeto começou há três anos com seis países; em 2024, cresceu para 10, e agora são 17 países presentes, oferecendo uma ampla variedade de opções. Ele previu que no próximo ano poderá chegar a 25, e talvez em um futuro não muito distante, a Flavors of the World possa ser considerada a feira gastronômica universal.

“Acho que há poucos lugares onde você pode ter um evento desse tipo que também aconteça ao ar livre, em uma praça pública”, disse ele.

Ele explicou que o objetivo deste festival gastronômico é aproximar a cultura de outros países de La Paz, para que em um dia como o do último sábado, uma família inteira possa saborear um ceviche peruano, uma paella espanhola, um choripán argentino ou até mesmo experimentar uma sopa russa.

O slogan deste ano foi “Estamos colocando a gastronomia do mundo na mesma mesa”, e a oferta incluiu iguarias da Argentina, Espanha, El Salvador, Cuba, Peru, Colômbia, Rússia e México.

Os visitantes também experimentaram iguarias de Gana, Índia, República Democrática do Congo, Venezuela, Egito, Japão, Bolívia e Chile.

Em conversa com a Prensa Latina, Miranda agradeceu a enorme participação da população, o apoio das embaixadas, com pratos que em alguns casos foram preparados pelas esposas dos diplomatas, e os restaurantes que participaram do Sabores do Mundo com uma oferta muito atrativa e representativa dos países de origem dos chefs.

Não foi apenas um evento gastronômico; durante quase seis horas, o palco cultural ao redor dos pontos de venda reuniu expressões artísticas da dança boliviana, peruana, argentina, russa, árabe, indiana, mexicana e venezuelana.

A música ficou a cargo da Banda Municipal Eduardo Caba, que ofereceu um rereta, e contou com convidados especiais como o maestro da cueca Willy Claure e o grupo Gran Matador, que encerrou com um clima festivo.

VENEZUELA E CUBA APRESENTAM

A presença da Venezuela nesta feira foi notável, com uma fila constante de clientes em seu estande comprando empanadas, tequeños, sanduíches de perna de porco e bebidas como papelón con limón e ponche crema.

“Tequeño é uma massa feita com trigo, água e um pouco de sal. É recheada com queijo e depois frita. Percebemos que é muito procurada aqui”, disse a chef María Sotillo à Prensa Latina, continuando a preparar este e outros pratos.

A representante da Embaixada da República Bolivariana expressou seu entusiasmo em participar do Sabores do Mundo. “Aqui aprendemos sobre as características de outras culturas, e a variedade de suas ofertas enriquece nosso conhecimento”, concluiu a chef.

Por sua vez, o artista culinário cubano Frank Moreno Mojena, que junto com sua esposa boliviana administra o restaurante El Habanero em La Paz, ficou satisfeito ao ver que em apenas uma hora e meia a grande variedade de comidas típicas cubanas esgotou no meio da feira.

preparado.

“Estou muito feliz em representar Cuba com seus sabores para a família boliviana e sou muito grato pelo incentivo moral da missão diplomática para permitir que o restaurante El Habanero esteja presente aqui”, disse ele à Prensa Latina.

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