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sábado, 7 fevereiro 2026

Cuba, pequena em território, imensa em solidariedade – Cartas habaneras (LII)

Emiliano José

Antes de voltar a Escambray, ao comandante Víctor Dreke, vou a outro aspecto do caráter cubano.

A solidariedade.

Quem quiser acompanhar um pouco a trajetória da Revolução Cubana compreenderá o significado disso.

Com isso, estou afirmando: a Revolução Cubana fez acender no coração dos cubanos ainda mais o espírito solidário.

A solidariedade internacionalista.

Aquela, em muitas batalhas mundo afora, em África de modo especial.

Outra, a solidariedade no campo da saúde, em quaisquer situações, algumas muito dramáticas.

No Brasil, o programa Mais Médicos, no governo Dilma, recebeu centenas de médicos e médicas cubanas, cuja dedicação comoveu o povo brasileiro por onde eles passaram.

Fui testemunha da presença dos cubanos, das cubanas, Bahia afora.

Cubanos atuavam em quase 3 mil municípios e em regiões de difícil acesso

Autênticos médicos de família, compartilhando a vida do povo, morando como ele, em casas ou quartinhos modestos, e atendendo a cada um com o cuidado merecido.

A caminhada da humanidade não se dá de modo solitária, cada país olhando pro seu próprio umbigo.

Em tempos de Covid-19, mais médicos cubanos em Angola | Ministério de Relações Exteriores de Cuba

O patriotismo, do qual os cubanos se orgulham, nunca pode e nem deve ser confundido com desprezo pelos demais povos do mundo.

Nunca foi confundido pelos revolucionários cubanos, em nenhuma fase da Revolução.

Necessário dar as mãos, compartilhar destinos, ser solidário no sofrimento, e estar ao lado dos oprimidos quando impérios atacam.

Digo isso para chegar ao brutal ato de terrorismo praticado pelos EUA, sob as ordens de Trump, no dia 3 de janeiro deste ano.

Sequestraram o presidente Nicolás Maduro e a mulher dele, Cilia Flores, numa ação inegavelmente ilegal, absurda, contrária a quaisquer normas do direito internacional, estabelecendo-se uma espécie de mundo sem regras, como se ao império fossem autorizadas toda e qualquer ação, por mais violenta e absurda fosse.

E ao falar desse ato terrorista, onde morreram ao menos 100 pessoas, me vem à mente o papel dos cubanos, cujo número de vítimas chegou a 32 combatentes.

Maduro, experiente, certamente pediu ajuda a Cuba, por saber da lealdade, da coragem, da disposição de luta dos revolucionários da Ilha.

Operação Carlota: a mais justa campanha militar internacionalista de Cuba"

Lembro de África Austral, as ex-colônias portuguesas, Moçambique e Angola, onde os cubanos desempenharam papéis muito importantes.

A história do ato terrorista, a invasão da residência do presidente Nicolás Maduro, o exato número de mortes de lado a lado, o sangue derramado, o tipo de resistência, a desproporção de forças, os tiros trocados na noite escura, nada disso ainda se conhece com precisão – o império em decadência não quer que se conheça.

Sabe-se, no entanto: a resistência até o último homem foi liderada pelos revolucionários cubanos.

Isso não pode ser esquecido, ignorado.

Cuba, nesses últimos dias, rendeu homenagem aos heróis mortos naquele combate.

Cuba afirma unidade em homenagem aos mártires mortos em combate na Venezuela | Brasil 247

Multidões nas ruas, emocionadas, solidárias.

Homenagem mais do que justa, apropriada.

Honra e glória àqueles combatentes.

Assisti a uma parte da fala de Miguel Diaz-Canel sobre o ato terrorista e sobre os mártires cubanos.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, utilizou suas redes sociais para anunciar uma medida de profundo pesar nacional. O líder cubano decretou luto em todo o território após a confirmação da morte

O presidente não conseguia disfarçar a emoção, nem a indignação.

O que a morte de 32 soldados de Cuba na invasão à Venezuela revela a aliança entre os dois paísesOs corpos dos heróis, já em Cuba.

Metralhados, os tiros a servir como medalhas, comprovação da bravura, da resistência, cumprimento do dever de defender o presidente Maduro.

Um deles, tenente-coronel Jorge Márquez, destacou-se, conforme relato de Diaz-Canel.

Ferido numa perna, sangrando abundantemente, não parou de defender a posição em que se encontrava, modo a proteger o presidente venezuelano.

Nessa condição, consegue derrubar um helicóptero ianque, com seus tripulantes.

Coragem – afirma Diaz-Canel -, a marca de todos os combatentes cubanos diante do ato terrorista norte-americano.

Existisse jornalismo, no sentido genuíno da palavra, e essa resistência seria relatada, vista, documentada. Mas os grandes meios ocidentais preferem render-se ao império, naturalizar o ato terrorista, embarcando inteiramente nas mentiras norte-americanas, inclusive no suposto Cártel de los Soles, fantasia dos EUA para tentar incriminar Maduro, agora descartada pela própria Justiça imperial.

Obrigação nossa, daqueles compromissados com a verdade, é ir revelando o sangue derramado no ato terrorista, desnudando a agressão à soberania venezuelana, resultando num quadro político mundial rumo ao caos.

A esperança de parar a agressividade e loucura trumpista é a resistência dos povos e dos governantes com algum amor à paz e à convivência pacífica entre os povos.

#omilagrecubano

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