Emiliano José
Antes de voltar a Escambray, ao comandante Víctor Dreke, vou a outro aspecto do caráter cubano.
A solidariedade.
Quem quiser acompanhar um pouco a trajetória da Revolução Cubana compreenderá o significado disso.
Com isso, estou afirmando: a Revolução Cubana fez acender no coração dos cubanos ainda mais o espírito solidário.
A solidariedade internacionalista.
Aquela, em muitas batalhas mundo afora, em África de modo especial.
Outra, a solidariedade no campo da saúde, em quaisquer situações, algumas muito dramáticas.

No Brasil, o programa Mais Médicos, no governo Dilma, recebeu centenas de médicos e médicas cubanas, cuja dedicação comoveu o povo brasileiro por onde eles passaram.
Fui testemunha da presença dos cubanos, das cubanas, Bahia afora.

Autênticos médicos de família, compartilhando a vida do povo, morando como ele, em casas ou quartinhos modestos, e atendendo a cada um com o cuidado merecido.
A caminhada da humanidade não se dá de modo solitária, cada país olhando pro seu próprio umbigo.
O patriotismo, do qual os cubanos se orgulham, nunca pode e nem deve ser confundido com desprezo pelos demais povos do mundo.
Nunca foi confundido pelos revolucionários cubanos, em nenhuma fase da Revolução.
Necessário dar as mãos, compartilhar destinos, ser solidário no sofrimento, e estar ao lado dos oprimidos quando impérios atacam.
Digo isso para chegar ao brutal ato de terrorismo praticado pelos EUA, sob as ordens de Trump, no dia 3 de janeiro deste ano.
Sequestraram o presidente Nicolás Maduro e a mulher dele, Cilia Flores, numa ação inegavelmente ilegal, absurda, contrária a quaisquer normas do direito internacional, estabelecendo-se uma espécie de mundo sem regras, como se ao império fossem autorizadas toda e qualquer ação, por mais violenta e absurda fosse.
E ao falar desse ato terrorista, onde morreram ao menos 100 pessoas, me vem à mente o papel dos cubanos, cujo número de vítimas chegou a 32 combatentes.
Maduro, experiente, certamente pediu ajuda a Cuba, por saber da lealdade, da coragem, da disposição de luta dos revolucionários da Ilha.

Lembro de África Austral, as ex-colônias portuguesas, Moçambique e Angola, onde os cubanos desempenharam papéis muito importantes.
A história do ato terrorista, a invasão da residência do presidente Nicolás Maduro, o exato número de mortes de lado a lado, o sangue derramado, o tipo de resistência, a desproporção de forças, os tiros trocados na noite escura, nada disso ainda se conhece com precisão – o império em decadência não quer que se conheça.
Sabe-se, no entanto: a resistência até o último homem foi liderada pelos revolucionários cubanos.
Isso não pode ser esquecido, ignorado.
Cuba, nesses últimos dias, rendeu homenagem aos heróis mortos naquele combate.





Os corpos dos heróis, já em Cuba.