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Cuba

Postado em 14/07/2018 3:30

CUBA: 120 anos de uma grande ironia

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NA véspera da comemoração de 4 de julho de 1898, travava-se a batalha naval de Santiago de Cuba, na qual os cubanos demonstraram coragem e sacrifício a mais, à custa do cansaço e dos muitos anos de luta por sua independência. Cada era mais esperado o que eles sonharam durante tanto tempo e pelo que muitas vidas haviam se perdido: a independência do colonialismo espanhol.

Desde o mês de abril, sob supostos fins humanitários, navios norte-americanos haviam implementado um bloqueio naval nos portos cubanos e tinha sido assinada a conhecida Declaração Conjunta com a Espanha — desconhecendo os cubanos — em que o direito de Cuba de ser livre e independente foi reconhecido e os Estados Unidos afirmaram não pretender exercer a soberania sobre a ilha, exceto para sua «pacificação».

No mês de julho, entretanto, os espanhóis afundaram um velho navio, conhecido como Reina Mercedes e bloquearam a entrada da baía de Santiago de Cuba, enquanto o capitão-general Ramon Blanco se recusava a capitular e nos Estados Unidos era recebida com alegria a destruição da esquadra naval do contra-almirante Pascual Cervera.

Então, os norte-americanos executam ações importantes: bloqueiam alguns portos, mobilizam navios da marinha, iates e em um acampamento na Flórida treina um exército de voluntários que, após os sucessos nas Filipinas, os primeiros contatos com o general cubano Calixto García e tendo à sua disposição o delegado do Partido Revolucionário Cubano (PRC), Tomás Estrada Palma, permite que se apresentem como «pacificadores».

Mas uma realidade se impunha: em vez de afetar os espanhóis, o bloqueio naval afetava a população, que, além do desgaste causado pela guerra, enfrentava agora uma espécie de reconcentração. Enquanto isso, as tropas dos EUA usaram os cubanos como ponta de lança para depois deixá-los a um lado.

Tão só ao longo da costa de Guantánamo e Santiago de Cuba desembarcaram 16 mil homens, o que se junto ao bombardeio da cidade e das suas respectivas consequências, bem como a ignorância do Exército de Libertação e a realização de uma culminação da intervenção militar, poucos dias depois, completaram a grande ciclo, conhecido como a primeira guerra imperialista na história, tal como Lênin a descreveu.

Passados 120 anos após esses eventos, ainda é irônico pensar que o país que muito sangue derramou para conseguir a unificação e independência das suas colônias, fomentasse um conflito de tal magnitude, sob a justificativa de paz, mas com a pretensão real de se apoderar da sonhada Chave do Golfo e, por sua vez, se espalhar pelas nossas terras da América.

Os Estados Unidos estavam despregando bandeiras com sua famosa Doutrina Monroe como padrão, essa que parece ganhar força ultimamente, sem saber que correm outros tempos e que a celebração do dia 4 de julho deve ser hoje, acima de tudo, um apelo à reflexão, ao respeito pela soberania e a coexistência pacífica entre os povos.

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