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quinta-feira, 25 julho, 2024

Crimes no Rio de Janeiro e na Faixa de Gaza

Pedro Augusto Pinho*

Pode parecer um jogo, mas se trata de fatos com os mesmos e muitos vetores, de diversas origens, que se combinam na mesma resultante: a violência de um poder contra a população indefesa.

O que ocorreu nestes últimos 30/40 anos no mundo e no Brasil?

A tomada do poder pelas finanças, após uma luta que começa na I Grande Guerra, se aguça na II Grande Guerra, assume aspectos culturais nos anos 1960, bélicos e das fontes de energia, nos anos 1970, para, gloriosamente, obter as desregulações financeiras e, ao fim dos anos 1980, lançar a nova bíblia para os comportamentos, o “Consenso de Washington” (novembro de 1989).

A banca ou as finanças apátridas não podem revelar seus propósitos sem que, contra elas, logo se formassem todos os povos em oposição. E por que? Porque é o poder da corrupção, das guerras, da retirada dos direitos do trabalho para maior enriquecimento dos rentismos, fiduciários e financeiros, para não se importar com a fome, a miséria, o desemprego, as guerras, como observamos no Brasil, na Europa que já foi o centro do mundo, e por toda parte, inclusive nos Estados Unidos da América (EUA).

Porém as finanças sabem que as pessoas, na quase totalidade, para suportar suas vidas cada vez mais difíceis, não se dedicam a estudar e nem mesmo observar o que está além de sua janela. Assim ficam vítimas, reféns das comunicações mais simples e imediatas, como das mídias digitais. E se informam pelas farsas, pelas mentiras, engodos e hipocrisia destes canais, sites, blogs, portais etc.

Uma população desinformada é sempre vítima. E para aprofundar esta ignorância, surgiram, na segunda metade do século XX, as religiões do cofrinho, dos “milagres” em verdadeiros teatros de fantasias que são os cultos neopentecostais. Um destes pastores saiu, neste último mês, em busca das gravações de terceiros, registrando um de seus empregados, que se fazia de doente, curando-se pelas palavras do pastor, em cultos pelo Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro, após ser dirigido por muitos anos pelo jogo do bicho e pela construção civil, passou, após a intervenção militar na segurança pública em 2018, a ter a governança das milícias. Hoje, são milicianos que ocupam a representação do Rio de Janeiro no poder legislativo, no executivo e ameaçam o funcionamento dos judiciários fluminense e carioca.

A Faixa de Gaza tem grande potencial petrolífero, com demonstrado por estudo da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), “The Economic Costs of the Israeli Occupation for the Palestinian People: The Unrealized Oil and Natural Gas Potential” (2019). E o petróleo vem provocando as guerras estadunidenses desde a última década do século XX.

A falácia da “transição energética”, desde que foram revelados seu menor poder na produção de energia, com custos muito maiores do que os do petróleo e deixando no seu rastro danos ambientais imensos, mostrou que o retrocesso para o vento e o Sol era uma estratégia das finanças de controlar as fontes fósseis. Isso é o relatório da UNCTAD mostra para Faixa de Gaza.

Para o Brasil foi a descoberta do pré-sal, imensa reserva ainda não cubada de petróleo, que levou ao golpe de 2016 e à aceleração do fatiamento da Petrobrás – “grande demais para um único comprador”.

E há outro importante vetor: a falência das finanças e da ideologia neoliberal.

As finanças aproveitaram o entusiasmo com o desmembramento e fim da União Soviética (URSS), a propaganda do fim da história, a pretensa redemocratização no Brasil e as eleições com cartas marcadas que levaram pessoas comprometidas com as finanças, como Emmanuel Macron, funcionário da família de banqueiros Rothschild, ao poder, para emitir centenas de milhões de dólares estadunidenses sem lastro, como suporte para milhares de fundos de investimentos.

Mas a miséria que caiu sobre o mundo, principalmente o ocidental, nestas últimas três décadas obrigou muitos resgates, colocando as finanças em sério problema. Daí as crises que vêm se sucedendo, sendo a mais notável a de 2008-2010, onde as finanças marginais, as oriundas das drogas, dos tráficos de seres humanos, da prostituição e todo tipo de crime, achou-se no direito de participar das decisões da banca.

Forma-se assim um sistema de crimes, de guerras, de controle das reservas de petróleo e da falência do sistema dito democrático eletivo que vai permitindo que horrores, que o colonialismo sempre praticou, sejam conhecidos por maior número de pessoas.

Como se sabe, Israel foi uma criação britânica, para manter seu poder no Oriente Médio, após a onda de independências nacionais que se seguiu à II Grande Guerra.

Guardadas as proporções de um genocídio, que ocorre com os palestinos, e da insegurança, que ocorre com cariocas, todos têm os mesmo vetores: as comunicações enganosas, a apropriação das reservas de petróleo, a acumulação de riqueza pela expropriação do trabalho e dos mais frágeis, a incapacidade das finanças de honrar a dívida, e os governos de verdadeiros ou registrados pela polícia e pala história como marginais.

*Pedro Augusto Pinho é administrador aposentado, pertenceu ao Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra (ESG) e foi Consultor da Organização das Nações Unidas (UN/DTCD).

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