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Pedro Augusto Pinho*
O mapa da África e do Oriente Médio, em 1939, mostra esta parte do mundo dividida em domínios e possessões, majoritariamente, britânicas e francesas. Os grandes impérios que dominaram os séculos XVIII e XIX.
A II Grande Guerra, que então teve início, iria modificar esta situação com as diversas independências, algumas meramente formais, pois o controle do novo país permanecia nas mãos dos antigos colonizadores.
Porém mostrava que outras forças emergiam no cenário mundial e, também, que a posse de nova fonte primária de energia – o petróleo – seria um diferencial para o desenvolvimento das nações.

Império Britânico: o que não está nos livros didáticos
O Reino Unido havia surgido em 1922, com agregação da Irlanda do Norte à Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales e Escócia). Há muita confusão sobre estas conceituações. A Inglaterra é um país, que já foi o mais poderoso do mundo e que se estende por ampla área da ilha Britânica, tendo Londres por sua capital. Incluindo o País de Gales e a Escócia forma-se a Grã-Bretanha.
Reino Unido é um Estado, administrado pela Inglaterra, e formado pelos três países britânicos, mais a Irlanda do Norte, que está localizada em outra ilha.
Ao denominarmos o país de Grã-Bretanha, estamos excluindo a Irlanda do Norte, que consideramos um estado conquistado pela ação imperialista, que é característica da aristocracia que desde o século XIII representa o poder na maior das ilhas britânicas.
A aristocracia inglesa formara-se no rentismo fiduciário e, com auxílio dos judeus, que foram autorizados, no século XVII, a reingressar na Inglaterra, incorporara o rentismo financeiro. Ou seja, viviam de aluguéis e passaram a viver, após 1700, também de juros.
A Revolução Industrial não modificou o poder inglês, os industriais ficaram, desde sempre, reféns dos financiamentos, presos pelos juros, e o trabalho jamais foi reconhecido como fundamento da riqueza.
Além da mudança que se desenhava no poder mundial, a exclusão do Reino Unido dos domínios e possessões na área mais rica em petróleo, o Oriente Médio, levou o poder inglês a articular nova aliança com os judeus, que levaria a criação, na Palestina (ex-colônia inglesa), do Estado de Israel.
Do lado judaico, se desenvolvia, desde 1896, o movimento sionista, tendo como principal documento de divulgação o livro de Theodor Herzl (1860-1904) “O Estado Judeu”.
A Palestina, historicamente, foi ocupada por cananeus, filisteus, moabitas, amonitas e israelitas. São povos antigos cujas imprecisas referências estão, principalmente, na Bíblia católica, e todos, ao longo de tempo, foram inimigos dos israelitas, que se consideravam os escolhidos por Deus e apenas tinham vínculo matrimonial com outros israelitas. Constituíam povo de pessoas excludentes, não aceitando a miscigenação racial.
Embora a mídia hegemônica procure ocultar este fato, a localização de Israel, entre inimigos históricos, procurou manter em permanente conflito o que ainda hoje é o habitat dos maiores reservatórios de petróleo.
“Geólogos e economistas confirmaram que nos territórios palestinos existem “reservas consideráveis de petróleo e gás natural”. Estes recursos estão localizados na “Área C” da Cisjordânia e na costa do Mediterrâneo, ao longo da Faixa de Gaza. A informação consta do estudo intitulado “O Custo Econômico da Ocupação do Povo Palestino: O Potencial Não Realizado de Petróleo e Gás Natural” da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad”. (no Boletim das Nações Unidas de 28 de agosto de 2019).



