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quarta-feira, 1 abril 2026

Com uma festa entre amigos, comunista comemora os 80 anos (X)

Foto; Michele Brito

Emiliano José

A celebração do dia 5 de fevereiro, data de meu aniversário, celebração-reunião-de-amizades, ainda vai render muito. 

E revelar esquecimentos ao longo do caminho. 

Não falei ainda da presença de Renatinho da Silveira, e me corrijo. Um dos companheiros de Galeria F, antropólogo envolvido profundamente com as origens da Casa Branca, Candomblé da Barroquinha – há prodigioso livro dele a respeito. 

Artista plástico de rara qualidade, iconoclasta – quem quiser visite a obra dele, vale a pena. 

Não será mais possível assistir ao vistoso futebol com que nos brindava no campo da Penitenciária Lemos Brito, onde cumprimos pena juntos. 

Dois Renatos bons de bola: ele e Renato Afonso, cujos joelhos não permitiram a presença dele na celebração – me falou disso horas antes. Todos os conhecem como grande professor de História.  Talvez nem todos saibam da trajetória dele como revolucionário, militante do PCBR. Da condição de militante, jamais se afastou. 

Os dois, de tão bons de bola, poderiam ter chegado ao mundo profissional, mas preferiram caminhos mais ásperos, a levá-los às grades da Galeria F, onde convivi com eles.

Muitas presenças, como a de Carol, filha de Zanetti e Cleusa, a quem vi nascer, na casa da Visconde de Ouro Preto, na Barroquinha, durante alguns anos espécie de centro político da esquerda. Arquiteta, trabalha hoje no governo Jerônimo. Cleusa, viúva de Zanetti, foi a primeira pessoa a me receber em Salvador, quando cheguei no início de 1970, amizade eterna, não faltou, acompanhada do companheiro Ulisses Vidal.

Fui brindado com as exibições de Roberval Santos, Rita Tavares e Cláudia Cunha, manifestações de amizade e carinho, além das apresentações de Raíssa e Lan, sobrinha e sobrinho, também do mundo da poesia e do canto encanto. Não é toda hora que você é contemplado com um show de tal qualidade, e isso por força do sentimento da amizade, do espírito da generosidade. Lindo, lindas, lindo. 

Veio gente de todo lugar. 

De todo lugar que se tem pra partir. 

Penso no povo a se deslocar de sertões. 

Querida Leninha, coração generoso, raiz em Valente onde estive tantas vezes a convite dela, sempre me acompanhando quando candidato, ela vereadora umas tantas vezes, agora presidenta da CUT, a honrar a condição de mulher, mulher incansável na luta, na defesa dos interesses do nosso povo, candidata a deputada estadual pelo PT. 

Coité me brindou com as presenças de Arivaldo e Zene, casal de militantes, os dois amigos muito queridos, primeira casa a me receber todas as vezes que chegava à cidade, onde fazia um lanche e ouvia as sábias orientações de Arivaldo, espécie de guru do PT no município, onde foi vereador. 

Em Coité, fiz amizades sólidas, a me acompanhar por toda a vida. Destaco o grande companheiro Assis, um dos melhores quadros políticos conhecidos por essas andanças no interior da Bahia, prefeito de duas gestões, das quais saiu sempre mais pobre, de uma integridade a toda prova. 

Sempre fui muito bem votado no município, graças à militância de tanta gente, mas de modo especial, do esforço de Assis, sem esquecer a dedicação de Flávia, companheira dele. 

Não devo ignorar os que se lançaram lá das terras de Paulo Afonso. José Ivaldo, vereador muito novo, prefeito do município aos 25 anos, fruto de campanha memorável, veio para a celebração da amizade. E que amizade. 

Junto dele, Zé Renato e Dimas, queridos companheiros, participantes da inesquecível façanha de 1985. É comovente vê-los se deslocar, quilômetros a fio, para essa cerimônia, insisto, cerimônia voltada ao fortalecimento da amizade. 

A presença de Zé Ivaldo me fez lembrar muita coisa, e essa muita coisa, quem sabe, possa me animar a adentrar um novo esforço, sequência de O cão morde a noite, agora a perguntar, revelar trajetória pós-prisão, lacuna ainda evidente, e eu temeroso de preenchê-la. 

Pensando, e esperando resposta de ajuda solicitada a Isadora Browne, historiadora conhecedora privilegiada daquela caminhada. 

Sei não. Outra empreitada, loucura, mas como dizem: loucura pouca é bobagem. Assuntando. E temeroso. 

#emiliano20268052

 

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