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domingo, 15 fevereiro 2026

Colapso europeu no pós-guerra na Ucrânia vira alvorada do neosocialismo no século 21

Foto Arquivo Boitempo

César Fonseca 

Depois que a Europa, em 2022, perdeu acesso ao gás russo, que movimentava sua indústria a preço baixo – mantendo o velho continente, até então, na vanguarda tecnológica global, especialmente, a Alemanha, para depender, depois disso, do gás(GNL) americano muito mais caro –, tudo mudou: ela entrou em processo de  desindustrialização que a está levando ao colapso; os europeus, ao caírem na conversa de Washington, empenhado, neuroticamente,  em levar a Europa a uma guerra contra a Rússia, caíram na armadilha do capitalismo americano, eternamente, alarmado com a possibilidade de ressurreição da União Soviética socialista; para impossibilitar a qualquer custo tal hipótese, os europeus, forçados pelos Estados Unidos, aceitaram armar a guerra da OTAN contra a Rússia, usando a Ucrânia como cabeça de ponte para tentar destruí-la; o mote/armadilha ideológico americano de intensificar o sentimento histórico russofóbico europeu foi o de tentar abrir as portas da União Europeu para a Ucrânia, algo inaceitável para Moscou; diante desse ataque, a Rússia, preventivamente, em 2022, contra atacou as tropas da OTAN organizadas em território ucraniano, e venceu a parada.

SENTENÇA DE MORTE

Dominada por líderes direitistas ideologicamente movidos pelo sentimento fascista do ódio, a Europa, nessa jogada, estrategicamente, desastrada, assinou sua sentença de morte; os Estados Unidos queriam, na verdade, usar a Europa para derrotar a Rússia, a fim de apossar do gás e das matérias primas russas, das quais a Europa industrializada depende; alcançado esse objetivo quimérico, Washington tomaria o continente europeu e impediria sua aproximação com a China; os americanos dominariam/colonizariam tanto a Rússia quanto a Europa, deixando os chineses de joelhos; não foi à toa que, nesse meio tempo, o governo Biden, em 26 de setembro de 2022, destruiu os gasodutos Nord Stream I e II, que alimentavam o transporte do gás da Rússia para a Europa, tornando os europeus dependentes do GNL americano, fornecido pelo triplo do preço; Moscou vendia por 150/200 dólares por mil metros cúbicos o produto, enquanto que Washington passou a cobrar 500, 800 dólares por mil metros cúbicos, chegando, no pico, a quase 1.500 dólares; a Europa havia cavado a morte da sua indústria por perda de competitividade; teve, nesse contexto, que intensificar, estimulada pelos americanos, sua russofobia política histérica, indo à guerra contra a Rússia, forçando a Ucrania a entrar na aventura maluca com a promessa de acolhê-la na União Europeia.

INVIABILIZAR O SOCIALISMO

O objetivo central americano estava submerso pela ideologia para disfarçar a aparência da essência; dominando, simultaneamente, Rússia e Europa, bloqueando, em seguida a China, os Estados Unidos, caso a aventura na Ucrânia, conduzida pela OTAN, desse certo, enterrariam, de vez, a possibilidade de ressurreição do que mais temem, isto é, o socialismo, que emergiu em 1917, pela força revolucionária dos sovietes bolcheviques, perdurando até 1989, quando da queda do Muro de Berlim; o estado operário soviético, pavor do capitalismo de Tio Sam, jamais renasceria; mas deu tudo errado; o líder russo nacionalista, Vladimir Putin,  que resistiu às violentas sanções econômicas americanas e ao sequestro de suas reservas cambiais pelos líderes europeus, venceu a OTAN e se aliou à China, trocando a Europa pela Ásia, onde conseguiu fortalecer a economia russa, acelerando o BRICS, nova potência política e econômica global; diante da vitória na Ucrânia, Putin inauguraria nova geopolítica global; Estados Unidos, todo poderoso, intensificaria o modelo neoliberal, até que em 2008 adveio o crash, derrubando as bolsas, debache da qual não conseguiram emergir, pelo contrário, iniciaram a derrocada imperialista, hoje, cada vez mais visível.

TRUMP ENTERRA OTAN

O novo poder americano, sob comando do fascista Donald Trump, a partir de 2025, caiu na real: não deu para derrotar a Rússia, em aliança com a Europa, via OTAN; o melhor a fazer seria os Estados Unidos seguirem com seu império, jogando a OTAN/Europa no mar, por deixar de ser útil ao imperialismo estadunidense, em sua nova fase ultra imperialista, mais agressivo e impetuoso pilotando a neo Doutrina Monroe; a Europa, deserdada pelos Estados Unidos, diante da sua iminente morte econômica, a caminho da desindustrialização, não tem alternativa, senão voltar-se, novamente, humilhada, aos braços da Rússia, para tentar obter o que dela necessita para sobreviver: o gás russo; os líderes europeus, diante de Trump, que quer tomar para si a Groenlândia, pertencente à Noruega, onde há gás, petróleo e terras raras, acelerando, dessa forma, o fim da OTAN – ou seja, da relação estratégica EUA-Europa desmoronada –, concluem o óbvio: foi erro trágico alimentar o sentimento russofóbico; a ideologia havia ocupado o pragmatismo na cabeça da Europa, iludida com a promessa de aliança com os Estados Unidos, para tentar vencer a Rússia; deu ruim.

RENDER-SE A PUTIN OU ENFRENTAR

EBULIÇÃO REVOLUCIONÁRIA

As desmoralizadas e humilhadas lideranças europeias, frente ao fracasso econômico do velho continente, em acelerada desindustrialização, tem que reconhecer o erro e voltar atrás para reatar relações com a Rússia, que suportou as dificuldades, venceu a guerra e deu a volta por cima, aliando à China, que, economicamente, já supera os Estados Unidos em paridade do poder de compra; se a burguesia falida europeia não ajoelhar-se frente a Putin, para obter, novamente, o gás barato e a energia russa, que lhe dá a competitividade econômica, já que o substituto correspondente ao gás americano muito mais caro arruína economicamente a Europa, o os europeus entram em ebulição política revolucionária; bem que o socialista francês, Francois Miterrand, havia alertado: o verdadeiro inimigo da Europa nunca fora a União Soviética Socialista nem a Rússia nacionalista, mas os capitalistas Estados Unidos, que, agora, com o fascista Trump, ameaçam os europeus com suspensão do suprimento indispensável à indústria e elevadas tarifas alfandegárias; Trump quer cobrar a fatura americana por ter salvado a Europa destruída no pós segunda guerra mundial; não leva em consideração que tal salvamento se converteu em força imperialista americana, desde então; agora, vitorioso na Ucrânia, Putin obriga Trump e os líderes direitistas europeus a aceitarem a nova realpolitik russa vitoriosa, impondo a eles a nova ordem russa; as novas circunstâncias subjugam os derrotados na Ucrânia à Rússia; para evitar colapso, a Europa, diante de emergência de situação politicamente explosiva, capaz de ressuscitar o sonho de Rosa Luxemburgo e cia ltda, rende-se ao líder russo; a catástrofe econômica europeia pode ser parteira do neo socialismo no velho continente, idealizado, no século 19, por Marx e Engels, criadores do Partido Comunista.

https://www.youtube.com/watch?v=xr8pMf95R6g

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