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Postado em 08/10/2021 6:12

Che Guevara na realização da utopia

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Foto: Obra Son los sueños todavia, de Dausell Valdés

Caracas, Venezuela.— Se a explosão à queima-roupa que tentou deixá-lo sem vida em La Higuera tivesse especificado suas intenções, ressuscitá-lo teria demorado um segundo: o que veio depois do execrável assassinato.

Se ele realmente estivesse morto — uma possibilidade improvável — apenas uma microfração do tempo Che Guevara teria de permanecer assim. As ondas dos dias nos embebem nessa verdade que ferve, como um oceano inquieto, neste mundo díspar.

Nenhuma ressurreição foi necessária para aqueles que não morreram, embora em seus últimos 54 anos vivam de uma maneira diferente, convertidos, como alertou Raúl Roa, «em um símbolo ativo e de liderança».

«Che Guevara é uma consciência, um espírito reencarnado na juventude», convence Elaine Gómez Núñez, de Santa Clara.

Depois de saber de suas vicissitudes por meia década na Venezuela, valeria a pena perguntar à garota de 31 anos um motivo, oito deles dedicados à Odontologia.

A seu lado, Raciel Pérez Capote, assessor do projeto Saúde Oral, que faz parte da missão Bairro Dentro, resume o número total de consultas e serviços nesta especialidade em mais de 172.252.000, que recebeu gratuitamente «a gente humilde daqui», em 18 anos de programa.

Elaine Gómez vê sua contribuição como «uma partícula». A sua história é a de centenas de milhares de compatriotas que, em mais de seis décadas, com giz e borracha, estetoscópio ou pinça cirúrgica, ou com espingardas quando necessário, deixaram vestígios de fraternidade em latitudes diferentes.

De poltronas móveis em qualquer recanto de uma comunidade, aventuras, mochila no ombro, com ferramentas de dentista, pelas colinas labirínticas de Caracas, ela relembra suas viagens, às vezes arriscadas. Em alguma ocasião, ficou com medo, diz; «Mas eu não parei e não vou parar; trata-se é sobre a Saúde e prolongar a vida das pessoas pobres, esquecidas antes da Venezuela Bolivariana».

Menciona Che Guevara em seu diálogo; sorri com o episódio do médico argentino-cubano que, ao cuidar dos pobres de Ñancahuazú, se transcendeu como Fernando Sacamuelas (Tiradentes) naquele ambiente de selva. «Assim era a alma do Guerrilheiro Heróico e a nossa», enfatiza.

Em sua história, e na obra dos seus compatriotas, aqui e noutras terras do mundo, bate o coração humanista do homem que ainda sustenta, junto com Fidel, a utopia de um futuro mais justo.

Eles querem matar Che Guevara por isso; porque ele, parte e essência desse futuro, sobreviveu à explosão assassina contra seu peito, em La Higuera.

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