– A ideia é atrair o centro e condenar bolsonarismo trumpista
César Fonseca
A estratégia do presidente Lula para enfrentar Flávio Bolsonaro em segundo turno é a aposta no desenvolvimentismo contra neoliberalismo.
Por isso, chama seu vice-presidente, Geraldo Alckmim, para comandar a economia e o desenvolvimento, simultaneamente, no eventual quarto mandato.
Alckmim é desenvolvimentista, especialmente, a partir do que vem realizando nos últimos quase quatro anos do mandato lulista, no Ministério do Desenvolvimento, da Indústria, do Comércio e de Serviços.
Como comandante da NIB – Nova Indústria Brasileira – , sua relação com São Paulo, locomotiva industrial brasileira, e toda a região sudeste industrial intensificou-se, tendo lideranças conservadoras como seus principais interlocutores, na tarefa de promover a industrialização.
A missão de Alckmim, neste segundo turno eleitoral, é conquistar o sudeste e trazer a burguesia paulista para Lula, como aconteceu durante o primeiro e segundo mandato lulista, em 2002/6, quando seu vice era o empresário industrial mineiro/paulista, José Gomes de Alencar.
Lula, agora, nas horas decisivas da eleição intensifica opção desenvolvimentista industrial para ganhar o empresariado que o levaria a vitória.
É uma aposta no capitalismo da produção e do consumo, não da especulação.
A industrialização é aposta na produção e, igualmente, no consumo, pois não haverá produção, se não houver consumo assalariado.
Alckmim é a simbiose capital-trabalho, que, no fundo, é a essência política de Lula, como metalúrgico profissional que sempre cuidou da negociação com os empresários, para garantir valorização dos salários.
Sua história de metalúrgico é a base cultural da sua formação política, enquanto Alckmim tem suas origens na classe média do próspero interior paulista, onde se desenvolveu a renda consumidora da indústria paulista e suas variantes em todo o sudeste.
PRISIONEIRA DO BOLSONARISMO
No momento, essa pequena burguesia está no campo bolsonarista, mas teme os Bolsonaro, no poder, com seu histórico de bandidagem e rapina.
Bolsonarismo não combina com a personalidade austera do paulistano, cultor do pragmatismo disciplinado, conservador e civilizado, avesso ao negacionismo medieval, obscurantista, fanático.
Mas o sudeste cultiva preconceito anti-petista, que bloqueia sua racionalidade pragmática, jogando nos braços do fascismo, como aconteceu em 2018-2022.
A classe média paulista, nesse instante, está tendencialmente pró-bolsonarista, pró-Tarcísio, por que, antes de tudo, ela é anti-petista, essencialmente, preconceituosa.
Não suporta que o operário metalúrgico, pobre e nordestino, tenha chegado a presidente da República.
Agora, contudo, ela está entre o preconceito e a realidade: Lula é a realidade, o preconceito é o substrato psicológico ideológico rascista, misógino etc, que a burguesia constrói para destruir aquele que lhe enriqueceu com seu trabalho operário.
SEDUÇÃO DA ULTRADIREITA
Do lado do preconceito, está o ódio nazifascista da ultradireita que atrai a direita anti-petista.
A direita, porém, não confia na ultradireita, no fascismo, que é ameaça a seu patrimônio, no cenário da financeirização econômica especulativa neoliberal.
Alckmim, portanto, é o quebra gelo de Lula para destruir o anti-petismo, confiável à burguesia preconceituosa contra os trabalhadores.
A indecisão conta com 32 milhões de indecisos, que correspondem em grande parte a massa de anti-petismo na região sudeste industrializada.
Alckmim, no comando da Fazenda, simultaneamente, no do Desenvolvimento, é a aposta de ouro de Lula para reverter a derrota política de Haddad para Tarcísio, e ganhar os antipetistas, temerosos do bolsonarismo negacionista, fascista, aliado de Trump, cujo tarifaço prejudica as indústrias paulistas e a proposta de industrialização do governo Lula.
São Paulo apoiaria Donald Trump e seu aliado, Flávio Bolsonaro, que está ameaçando destruir a industrialização brasileira conduzida por Alckmim?
TRUMP, ADVERSÁRIO MORTAL
O presidente americano, com a Doutrina Monroe, representa adversário mortal da indústria nacional.
Sendo São Paulo carro-chefe dessa industrialização, Geraldo Alckmim pode ou não fazer a cabeça paulista contra o perigo antinacionalista do bolsonarismo-trumpista imperialista?
Como porta-bandeira da industrialização, Alckmim, na Fazenda e no Desenvolvimento, intensificará defesa de juros mais baixos, para estimular investimentos, emprego, renda, produção, consumo, arrecadação.
São Paulo, conduzido por Alckmim, na negociação de segundo turno, terá a força da produção para flexibilizar e compatibilizar ajuste fiscal e desenvolvimento econômico sustentável.
Eis a geopolítica eleitoral que serve para descontruir o bolsonarista, cujo programa é a desindustrialização e a destruição da soberania nacional.
A mexida de Lula na campanha eleitoral, prospectando e perspectivando o futuro imediato, fortalece o espírito do sudeste para rejeitar a perspectiva economicamente sombria bolsonarista-trumpista-antinacional, que é pura incerteza.
Alckmim vira a salvação da burguesia industrial ameaçada pelo bolsonarismo-trumpismo imperialista neocolonial fascista.