Nildo Ouriques*
Celso Furtado é economista burguês embora seja considerado pelo senso comum um crítico do desenvolvimento capitalista no Brasil. Durante a ditadura, os liberais de esquerda eram em boa medida permitidos e, de fato, a despeito do exílio, jamais deixaram de ser publicados enquanto os críticos marxistas amargavam veto e esquecimento entre nós. A propósito, o clássico Subdesenvolvimento e revolução de Ruy Mauro Marini foi por nós publicado somente em 2012, mais de quarenta anos (!) após a aparição do original em espanhol. Ruy explicou a dialética do desenvolvimento capitalista no Brasil; desfrutava de prestígio no mundo – especialmente na América Latina – e era completamente ignorado em nosso meio, como se de fato não existisse. Assim, Furtado e Conceição Tavares – e todos os representantes do estruturalismo cepalino – reinavam soberanos enquanto os críticos marxistas da dependência e do subdesenvolvimento simplesmente figuravam como ilustres desconhecidos.



