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domingo, 18 janeiro, 2026

Cartas habaneras (XXIII)

Emiliano José

Fotos: Prensa Latina

Evidente: uma galera experiente como a de Uibaí, não iria se contentar com uma Bodeguita del Medio.

Ali nos acantonamos por várias horas, amparados por muitas cervejas, inúmeros mojitos, naquele Primeiro de Maio, data sagrada em Cuba.

E por boa comida.

Olhando para as paredes, cheias de frases de pura amizade.

Ou de muito amor.

Puro ou não.

Muita conversa.

Amizade.

Mas, logo a pergunta: e o La Floridita?

Quem chega a Havana, não dispensa La Floridita.

A rigor, a galera pensava em Hemingway.

Tudo aquilo era território do autor de “Por quem os sinos dobram”.

Hemingway teve uma intensa relação com Cuba.

Comprou uma casa na localidade de San Francisco de Paula, próxima a Havana, a 25 quilômetros de Havana.

Chamada Finca Vigía, onde ele reunia amigos, onde promovia festas, celebrava a vida.

Desfrutou de Finca Vigía e de Cuba por mais de 20 anos.

Era apaixonado pela cultura da Ilha, pela música, pela comida e pela literatura.

Cuba seguramente influenciou a obra dele.

Um de seus mais famosos livros, “O velho e o mar”, foi escrito

em Finca Vigía, e lhe rendeu o Nobel de literatura de 1954.

Era freguês habitual da Bodeguita del Medio.

E, também, do La Floridita, onde desfrutava sempre dos maravilhosos daiquiris servidos no bar.

Tinha um lugar reservado, só dele.

Dizem: às vezes, dormia por lá mesmo, incapaz de se deslocar.

Talvez, folclore apenas.

Ou de gente de língua solta.

Bares-restaurantes, La Bodeguita del Meio e La Floridita,  próximos um do outro.

Hemingway podia comer na La Bodeguita del Medio, tomar um mojito.

E em seguida ir a pé para o La Floridita.

Tudo na Havana Velha, centro da capital cubana.

Los recodos turísticos de Hemingway en Cuba - Especiales | Publicaciones - Prensa Latina

Se não estivesse na Finca Vigía, se a noite se prolongasse, dormia em Ambos Mundos, hotel muito próximo dos bares-restaurantes da preferência dele.

Também naquele hotel, tinha um quarto reservado, o 511.

Nesse hotel, teria escrito parte do romance “Terra à vista”.

Ambos Mundos foi também uma residência dele.

Estão preservados o quarto e a velha máquina de escrever.

Quem quiser, pode visitar.

Portal Cubarte - Cuba was the adopted land of the North American Ernest Hemingway

Foto: Cubarte

Apoiou a luta dos revolucionários cubanos contra o regime de Fulgêncio Batista.

A France Presse, segundo o Correio Braziliense de 15 de maio de 2010, lembrava a comemoração dos 50 anos do primeiro encontro de Fidel Castro e Hemingway, realizada numa modesta cerimônia numa marinha no oeste de Havana.

__Eles se encontraram aqui e todos os que podem observar as fotos que registraram esse encontro poderão notar em seus rostos sorridentes que havia simpatia, amizade e respeito

Assim se expressou na homenagem o Comodoro Estrich, presidente do Clube Náutico Internacional Hemingway de Havana.

Ada Rosa Alfonso, diretora do Museu Hemingway, que organizou a comemoração junto com o Clube Náutico ressaltou não ter se tratado “apenas de um encontro”.

_ Hemingway sentiu uma admiração extraordinária pela Revolução Cubana e por seu líder.

Não tiveram outros encontros. Nem houve tempo. A Revolução Cubana acontece em 1959. Hemingway se suicida em 1961.  Evidente, no entanto, a admiração recíproca entre os dois.

Numa coletiva de imprensa, e aqui a fonte é Mariana Serafini, em matéria publicada por Vermelho, 10/08/2016, Hemingway afirmou ser a Revolução Cubana “uma das melhores coisas que poderia ter acontecido ao povo  cubano”

Fidel confessou ter “Por quem os sinos dobram” como companhia inseparável em Sierra Maestra, fonte de inspiração da luta guerrilheira, a levá-lo ao poder em janeiro de 1959.

A galera de Uibaí sabia de tudo isso, e por isso, depois do Bodeguita del Meio, quis ir ao La Floridita.

Afinal, lá tem até estátua do escritor.

Fomos.

A galera e eu, o estrangeiro.

#omilagrecubano

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