24.5 C
Brasília
terça-feira, 28 abril 2026

Cartas habaneras (XX)

Emiliano José

Cuba, terra de encontros.

Antes, já no aeroporto de São Paulo, encontro a galera de Uibaí.

Galera cujo ponto de união é Nelson Simões.

Toda ela ia para Cuba, na mesma caravana.

Só fui saber ali.

Vamos falar um pouco dessa galera antes de pisarmos solo cubano.

Nelsinho, como todos o chamamos, é companheiro velho.

Não porque velho.

Porque veterano camarada de armas.

Tem anos é figura chave do governo do Estado, lado a lado com o projeto político iniciado com a vitória de Wagner, em 2006.

Desde lá, está ao lado do governador, pau pra toda obra.

 

É o chefe do cerimonial.

Entra Wagner, dois mandatos.

Entra Rui, dois mandatos.

Entra Jerônimo, primeiro mandato.

Já vamos para duas décadas de hegemonia desse projeto, e Nelsinho ali, rente que nem pão quente.

Porque necessário, indispensável.

Eu o conheci tem é tempo, na vida do PT.

A dor e a delícia de ser PT.

Eu e ele, sentimos a dor naquela quadra.

Na turbulência do ano de 2005, quando foi iniciada a perseguição ao partido.

Quando as principais lideranças começaram a ser perseguidas.

Dirceu (esq.) e Genoino (dir.) de punho cerrado e braço erguido, ao serem presos: gesto da Internacional Socialista | Adriano Lima/Folhapress ; Eduardo Knapp/Folhapress

 (Foto: Adriano Lima/Folhapress ; Eduardo Knapp/Folhapress)

Quando iniciaram a caçada a José Dirceu, a Genoíno, aos principais dirigentes do partido, fui levado a assumir, numa contingência, a presidência do partido;

Era vice-presidente, e aquele quadro turbulento acabou me catapultando à condição de presidente do PT da Bahia.

Só quem viveu sabe a tensão daquele momento.

Eu tinha de combinar exercício do mandato de deputado estadual com a direção do partido.

Exercício do mandato, e a responsabilidade de responder ao assédio de uma imprensa sedenta de sangue, o sangue do PT.

Momentos difíceis.

Os mais duros vividos por mim, após o período da ditadura militar.

Lado a lado comigo, estava Nelson Simões.

Nelsinho não arredou pé.

Também dirigente do partido, enfrentou com dignidade, coragem aquela conjuntura.

Ali firmamos amizade eterna – costumo insistir: meu momento de eternidade são as amizades.

Aquelas, as verdadeiras.

Sólidas.

Como a de um Nelsinho.

Recebi dele um regalo: ser padrinho de casamento.

E por isso levado a Uibaí, de onde é toda aquela galera dita no início.

Porque de lá, também, a escolhida, Jussara, a ungida levada ao altar.

E acham vocês realizar-se o casamento na capital?

Nada.

Tinha de ser lá na terra natal da noiva.

Galera não ia deixar barato, não.

Todos nós, amigos, e o padrinho aqui, nos despencamos para Uibaí.

Não é ali.

Fica a mais de 500 quilômetros de Salvador.

A nordeste do município de Gentio do Ouro.

A cerca de 30 quilômetros de Irecê, maior município das proximidades.

De crescimento populacional lento – em 1950, contava com uma população de aproximadamente 12 mil pessoas.

Em 2020, não chegava a 14 mil.

Cidade pequena.

O município surge como desmembramento do município de Central, lei estadual de 22/9/1961, nascido mesmo, instalado em 7 de abril de 1963.

Passa dos 60 anos.

Para município, flor da idade.

 

Galera de Uibaí.

Encontrei no aeroporto de São Paulo.

E depois convivemos em Cuba.

#omilagrecubano

ÚLTIMAS NOTÍCIAS