Emiliano José
Cuba, terra de encontros.
Antes, já no aeroporto de São Paulo, encontro a galera de Uibaí.
Galera cujo ponto de união é Nelson Simões.
Toda ela ia para Cuba, na mesma caravana.
Só fui saber ali.
Vamos falar um pouco dessa galera antes de pisarmos solo cubano.
Nelsinho, como todos o chamamos, é companheiro velho.
Não porque velho.
Porque veterano camarada de armas.
Tem anos é figura chave do governo do Estado, lado a lado com o projeto político iniciado com a vitória de Wagner, em 2006.
Desde lá, está ao lado do governador, pau pra toda obra.
É o chefe do cerimonial.
Entra Wagner, dois mandatos.
Entra Rui, dois mandatos.
Entra Jerônimo, primeiro mandato.
Já vamos para duas décadas de hegemonia desse projeto, e Nelsinho ali, rente que nem pão quente.
Porque necessário, indispensável.
Eu o conheci tem é tempo, na vida do PT.
A dor e a delícia de ser PT.
Eu e ele, sentimos a dor naquela quadra.
Na turbulência do ano de 2005, quando foi iniciada a perseguição ao partido.
Quando as principais lideranças começaram a ser perseguidas.

(Foto: Adriano Lima/Folhapress ; Eduardo Knapp/Folhapress)
Quando iniciaram a caçada a José Dirceu, a Genoíno, aos principais dirigentes do partido, fui levado a assumir, numa contingência, a presidência do partido;
Era vice-presidente, e aquele quadro turbulento acabou me catapultando à condição de presidente do PT da Bahia.
Só quem viveu sabe a tensão daquele momento.
Eu tinha de combinar exercício do mandato de deputado estadual com a direção do partido.
Exercício do mandato, e a responsabilidade de responder ao assédio de uma imprensa sedenta de sangue, o sangue do PT.
Momentos difíceis.
Os mais duros vividos por mim, após o período da ditadura militar.
Lado a lado comigo, estava Nelson Simões.
Nelsinho não arredou pé.
Também dirigente do partido, enfrentou com dignidade, coragem aquela conjuntura.
Ali firmamos amizade eterna – costumo insistir: meu momento de eternidade são as amizades.
Aquelas, as verdadeiras.
Sólidas.
Como a de um Nelsinho.
Recebi dele um regalo: ser padrinho de casamento.
E por isso levado a Uibaí, de onde é toda aquela galera dita no início.
Porque de lá, também, a escolhida, Jussara, a ungida levada ao altar.
E acham vocês realizar-se o casamento na capital?
Nada.
Tinha de ser lá na terra natal da noiva.
Galera não ia deixar barato, não.
Todos nós, amigos, e o padrinho aqui, nos despencamos para Uibaí.
Não é ali.
Fica a mais de 500 quilômetros de Salvador.
A nordeste do município de Gentio do Ouro.
A cerca de 30 quilômetros de Irecê, maior município das proximidades.
De crescimento populacional lento – em 1950, contava com uma população de aproximadamente 12 mil pessoas.
Em 2020, não chegava a 14 mil.
Cidade pequena.
O município surge como desmembramento do município de Central, lei estadual de 22/9/1961, nascido mesmo, instalado em 7 de abril de 1963.
Passa dos 60 anos.
Para município, flor da idade.





