Emiliano José
A revolução nunca se decide no dia da tomada do poder.
Sejam aquelas fundadas no modelo Palácio de Inverno, oriundas da perspectiva leninista, como de alguma maneira foi a Revolução Cubana, vitoriosa, sejam aqueloutras, fundadas na perspectiva gramsciana, de longo curso, conquista de hegemonia, como poderia ser enquadrada a Revolução Chilena, Allende à frente, derrotada.

Houve momentos, na caminhada revolucionária, de crenças fantasiosas, a alimentar a ideia de conquista do paraíso socialista logo após a revolução. Lênin foi obrigado a implantar a NEP poucos anos após 1917, retomando práticas capitalistas, na linha de nada se fazer apenas à base de palavras de ordem, como chegou a dizer em algum momento.
O revolucionário não pode abandonar os sonhos e nem andar nas nuvens.

Assim, com a Revolução Cubana. A contrarrevolução não fora inteiramente derrotada após o início de janeiro de 1959, quando os guerrilheiros de Sierra Maestra, Fidel à frente, tomaram o poder. Teriam de construir um novo tipo de Estado e de construir hegemonia na sociedade, apesar de tal conceito ainda não ser de domínio dos revolucionários cubanos, ao menos em teoria.
Na sociedade, havia, naturalmente, pensamentos conservadores.
E mais do que isso, as forças contrarrevolucionárias ainda conviviam na Ilha. E, de outro lado, e a se considerar como algo decisivo, havia o olhar atento do império norte-americano, a considerar inaceitável a existência de uma revolução nas barbas dele. Juntavam-se, então, as forças internas da contrarrevolução e as forças externas, inseparáveis, profundamente unidas.
À revolução cabia, de um lado, desenvolver uma luta político-cultural de modo a passo a passo e o mais rápido que pudesse conquistar a maioria, e o processo de alfabetização fazia parte de tal luta, e de outro, armar-se mais e mais para enfrentar os inimigos internos e o externo.
Os bandidos, assim chamados os contrarrevolucionários estabelecidos especialmente na Serra de Escambray, só se sentiam capazes de confrontar a Revolução porque fortemente abastecidos por Washington – abastecidos e dirigidos.



