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sexta-feira, 23 janeiro, 2026

Cartas habaneras (XLVII)

Emiliano José

Memorial da Democracia - Guerrilha cubana derruba ditadura pró-EUA

A revolução nunca se decide no dia da tomada do poder.

Sejam aquelas fundadas no modelo Palácio de Inverno, oriundas da perspectiva  leninista, como de alguma maneira foi a Revolução Cubana, vitoriosa, sejam aqueloutras, fundadas na perspectiva gramsciana, de longo curso, conquista de hegemonia, como poderia ser enquadrada a Revolução Chilena, Allende à frente, derrotada.

A revolução de Allende, 52 setembros depois - Outros Quinhentos

Houve momentos, na caminhada revolucionária, de crenças fantasiosas, a alimentar a ideia de conquista do paraíso socialista logo após a revolução. Lênin foi obrigado a implantar a NEP poucos anos após 1917, retomando práticas capitalistas, na linha de nada se fazer apenas à base de palavras de ordem, como chegou a dizer em algum momento.

O revolucionário não pode abandonar os sonhos e nem andar nas nuvens.

Ficheiro:Fidel Castro e seus homens na Sierra Maestra.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre

Assim, com a Revolução Cubana. A contrarrevolução não fora inteiramente derrotada após o início de janeiro de 1959, quando os  guerrilheiros de Sierra Maestra, Fidel à frente, tomaram o poder. Teriam de construir um novo tipo de Estado e de construir hegemonia na sociedade, apesar de tal conceito ainda não ser de domínio dos revolucionários cubanos, ao menos em teoria.

Na sociedade, havia, naturalmente, pensamentos conservadores.

E mais do que isso, as forças contrarrevolucionárias ainda conviviam na Ilha. E, de outro lado, e a se considerar como algo decisivo, havia o olhar atento do império norte-americano, a considerar inaceitável a existência de uma revolução nas barbas dele. Juntavam-se, então, as forças internas da contrarrevolução e as forças externas, inseparáveis, profundamente unidas.

À revolução cabia, de um lado, desenvolver uma luta político-cultural de modo a passo a passo e o mais rápido que pudesse conquistar a maioria, e o processo de alfabetização fazia parte de tal luta, e de outro, armar-se mais e mais para enfrentar os inimigos internos e o externo.

Os bandidos, assim chamados os contrarrevolucionários estabelecidos especialmente na Serra de Escambray, só se sentiam capazes de confrontar a Revolução porque fortemente abastecidos por Washington – abastecidos e dirigidos.

Kennedy e Eisenhower - Impressão fotográfica à venda

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Tanto Eisenhower como Kennedy movimentaram-se no sentido de fortalecer os bandidos como uma atividade tática, mas com os olhos na estratégia – e esta, a invasão de Cuba militarmente, de modo a derrotar o novo poder.  Os contrarrevolucionários deviam cumprir o papel de acossar, desgastar, enfraquecer as forças revolucionárias de modo a facilitar o momento do assalto militar à Ilha.

Fidel, Che, Camilo Cienfuegos estavam conscientes de tal movimentação. Não eram meninos amarelos, a Revolução os tornara experientes. A caminhada iniciada em Sierra Maestra dera olhos de águia aos dirigentes revolucionários.

Cabia, de pronto, enfrentar os bandidos enquanto se preparavam para a agressão iminente oriunda do império norte-americano.

No combate aos bandidos, Víctor Dreke cumpriu papel destacado como comandante revolucionário.

Paira uma pergunta:

_ Por que os contrarrevolucionários escolheram a Serra de Escambray como o local para a luta contra a Revolução.

Dreke explica: devia-se às precárias condições de vida dos habitantes da região.

_ En Cuba al triunfo de la revolución había medio millón de analfabetos, y otro medio millón que eram semianalfabetos. Esa era  la situación concreta.

_ Y cuando usted iba a Pinar del Río o iba al Escambray, aquello era terrible.

_ No había luz eléctrica, no había agua. La poquita agua que había era de pozo.

– No había tiendas, y había pocos radios, ya que no se podía recibir transmisiones radiales en gran parte de estas zonas montañosas.

_ Todo esto facilitó el trabajo enemigo.

O inimigo semeou nesse campo de ignorância e miséria, e conseguiu conquistar  um popular aqui, outro acolá.

Mas, simultaneamente, espalhavam terror, matavam camponeses, violavam camponesas, incendiavam escolas e casas.

Alguns, acompanharam os bandidos, conquistados por eles.

Outros, seguiram-nos por medo.

Houve de tudo nessa movimentação contrarrevolucionária, inclusive a tentativa pelo ditador da República Dominicana, Rafael Trujillo de tomar Trinidad e com isso liquidar a Revolução Cubana.

Aconteceu em agosto de 1959…

#omilagrecubano

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