Emiliano José
Durante os anos 1978 e 1979, Jorge Ferrera esteve na República Popular do Iêmen do Sul.
Colaborador internacionalista.
Foi para aquelas distantes terras contribuir para a criação de uma organização social: os Comitês de Defesa Popular, cujo objetivo seria organizar o povo.
E organizá-los para defender o processo socialista em curso naquele país.
Ao final dos anos 1970, na análise de Ferrera, avançava a criação do Partido Socialista Yemenita.
O principal líder do processo de criação do partido socialista era Fatha Ismail.
Tinha enorme carisma e forte apoio popular.
O Iêmen já havia criado as milícias populares para a defesa da revolução.
Agora, se cobrava a necessidade de organizar o povo, e o caminho seria a criação dos Comitês de Defesa da Revolução (CDRs), processo no qual Cuba tinha larga experiência, e do qual Ferrera havia participado de modo decisivo.
Durante aqueles anos, eram frequentes os conflitos fronteiriços entre o país e a Arábia Saudita.
Isso punha a urgência de preparar, treinar a população em tarefas de defesa.
É iniciada então a organização dos CDRs da Revolução Iemenita.
Toda ela fundada na experiência cubana, onde a maioria da população participava nas tarefas da vigilância revolucionária, trabalho político-ideológico, trabalhos voluntários, entre tantos outras tarefas.
Em Yêmen do Sul havia quadros jovens que haviam sido preparados nos países socialistas e também em Cuba.
Estes tinham condições de cumprir as tarefas dos CDRs, e Jorge Ferrera dedicou-se sobretudo a aprimorar a formação deles, de modo a poderem cumprir com eficiência a missão de defesa da revolução.
Os esforços de Jorge no trabalho de formação primeiro se concentram em Aden, então capital do país.
Pouco a pouco, o trabalho se estendeu a outras regiões.
Avançava, assim, a organização do povo.
Em bom ritmo.
A ponto de a direção do Partido Socialista Yemenita destacar, reconhecer a importância do trabalho de solidariedade de Cuba, liderado por Jorge Ferrera, apoio ao processo social e político vivido pelo país.
Durante aqueles anos, Yêmen do Sul estava em processo de negociações com o Iêmen do Norte visando a reunificação dos dois países.
Um processo intricado, cheio de dificuldades.
Por outro lado, a par disso, havia os reiterados conflitos fronteiriços com a Arábia Saudita.
Tais conflitos acabaram por provocar a deflagração da guerra entre os dois países, no início de 1979, quando tropas sauditas invadiram território yemenita.
_ Os soldados e milicianos yemenitas lutaram tenazmente em defesa do território nacional até expulsar os invasores.
Quando o conflito foi deflagrado, exatamente no dia do início da guerra, Ferrera encontrava-se na fronteira com a Arábia Saudita.
No centro da guerra.
No olho do furacão.
Estava lá organizando a Convenção dos Comitês de Defesa das proximidades da fronteira.
Estendendo o trabalho de formação.
Fazia isso lado a lado com alguns quadros yemenitas.
Estava posto em sossego naquela tarefa política quando algumas autoridades locais alertam-nos:
_ Vocês terão de sair daqui.
_ Os combates devem começar logo.
Era a guerra.
Sabiam da possibilidade, mas não esperavam fosse assim, de pronto.
Melhor juntar os trapos e botar o pé na estrada.
O mais rápido.
Ferrera recorda-se: no caminho para Aden, souberam do início dos combates.
Por pouco, ele e seus companheiros não ficaram em meio ao fogo cruzado.
Fossem surpreendidos, podiam ter morrido no Yêmen.
Sobreviveram.