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terça-feira, 13 janeiro, 2026

Cartas habaneras (IV)

Emiliano José 

Língua portuguesa comemorada

Não sabia.

Cuba me informou.

Com música e poesia.

Dia 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Estava em Havana.

Convidado por Yarisleidis Medina para o espetáculo.

Companheira querida.

Na segunda viagem a Cuba, 2018, foi minha anfitriã.

Minha e de Carla.

A mim propiciou uma agenda intensa.

Pude falar sobre o Brasil em variados plenários.

E ouvir sobre a Revolução Cubana.

Recepção maior do que merecimento.

Soube depois: chegou a integrar o Comitê Central.

Comprometida com os destinos da Revolução Cubana.

Hoje, lida com café.

Na atividade privada.

Quem disse não ser permitida atividade privada em Cuba?

Na Biblioteca Nacional de Havana, a festa, pá.

Primeiro, recital de poesia.

Caetano Veloso, José Craveirinha, de Agostinho Neto, entre tantos, e Dele, Fernando Pessoa.

Caetano veio de “Língua”.

Ele, na voz de Yarisleidis Medina.

Craveirinha, com “O meu preço”.

Pessoa, com “Presságio”.

Agostinho Neto dizia “Adeus na Hora da Largada”.

Olinda Beja a perguntar “Quem Somos?”.

Despues, o Concerto Lusófono

Veio “Menina de Angola”.

“A nossa vez”.

Até música do poeta e revolucionário Amílcar Cabral: “Regresso (Mamãe Velha)”.

Houve quem pedisse “Chama-me Menino”.

Atendido.

E Caetano, não bastasse a “Língua” na poesia, contribuiu com a maravilhosa “Reconvexo”.

Principal intérprete: Vionalka Martinez.

Jorge Ferrera, ali no pé da obra, lamentou não saber antes do espetáculo.

Soubesse, e traria a mulher, Martha.

Sabe o quanto ela aprecia a língua portuguesa.

E eu, a cada poesia, a cada música pensava no quanto Carla gostaria de tudo aquilo.

Penso mais fortemente ainda porque hoje é dia de aniversário dela, 19 de maio.

Viva estivesse, estaria comigo.

Vibrando.

Pensando: um dia moro acá.

Não deu tempo.

Ao assistir esse espetáculo, pensei: Jorge Lezcano tem razão.

A resistência do povo cubano, a par da consciência política, está assentada na cultura.

Cuba respira cultura, arte, poesia, música.

Por todo canto.

Apareça qualquer dificuldade, o povo enfrenta.

E nunca perde a alegria.

Nem a chance de cantar.

De dançar.

Festejar.

Um povo alegre.

Por isso, quem sabe, capaz de milagres.

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