Emiliano José
Língua portuguesa comemorada
Não sabia.
Cuba me informou.
Com música e poesia.
Dia 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa.
Estava em Havana.
Convidado por Yarisleidis Medina para o espetáculo.
Companheira querida.
Na segunda viagem a Cuba, 2018, foi minha anfitriã.
Minha e de Carla.
A mim propiciou uma agenda intensa.
Pude falar sobre o Brasil em variados plenários.
E ouvir sobre a Revolução Cubana.
Recepção maior do que merecimento.
Soube depois: chegou a integrar o Comitê Central.
Comprometida com os destinos da Revolução Cubana.
Hoje, lida com café.
Na atividade privada.
Quem disse não ser permitida atividade privada em Cuba?
Na Biblioteca Nacional de Havana, a festa, pá.
Primeiro, recital de poesia.
Caetano Veloso, José Craveirinha, de Agostinho Neto, entre tantos, e Dele, Fernando Pessoa.
Caetano veio de “Língua”.
Ele, na voz de Yarisleidis Medina.
Craveirinha, com “O meu preço”.
Pessoa, com “Presságio”.
Agostinho Neto dizia “Adeus na Hora da Largada”.
Olinda Beja a perguntar “Quem Somos?”.
Despues, o Concerto Lusófono
Veio “Menina de Angola”.
“A nossa vez”.
Até música do poeta e revolucionário Amílcar Cabral: “Regresso (Mamãe Velha)”.
Houve quem pedisse “Chama-me Menino”.
Atendido.
E Caetano, não bastasse a “Língua” na poesia, contribuiu com a maravilhosa “Reconvexo”.
Principal intérprete: Vionalka Martinez.
Jorge Ferrera, ali no pé da obra, lamentou não saber antes do espetáculo.
Soubesse, e traria a mulher, Martha.
Sabe o quanto ela aprecia a língua portuguesa.
E eu, a cada poesia, a cada música pensava no quanto Carla gostaria de tudo aquilo.
Penso mais fortemente ainda porque hoje é dia de aniversário dela, 19 de maio.
Viva estivesse, estaria comigo.
Vibrando.
Pensando: um dia moro acá.
Não deu tempo.
Ao assistir esse espetáculo, pensei: Jorge Lezcano tem razão.
A resistência do povo cubano, a par da consciência política, está assentada na cultura.
Cuba respira cultura, arte, poesia, música.
Por todo canto.
Apareça qualquer dificuldade, o povo enfrenta.
E nunca perde a alegria.
Nem a chance de cantar.
De dançar.
Festejar.
Um povo alegre.
Por isso, quem sabe, capaz de milagres.