
Anunciado antes como “o candidato da mudança”, na primeira versão da carta você se autoproclama “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, denunciando fraude sem qualquer prova. Decidiu que presidirá o Brazil dos Estados Unidos, num caso único de “presidente home office”, copiando Dom João VI que, do Rio de Janeiro, governou Portugal. O insuspeito presidente do TSE, o KN, te deu um chega-pra-lá. Diante da repercussão negativa, a carta golpista divulgada em coautoria com teu aliado Paulo Figueiredo, neto do ditador general Figueiredo, foi modificada. Deposto do cargo de “presidente eleito” antes mesmo de tomar posse, na nova versão da carta, você assumiu o posto autodeclarado de “líder do Brasil”. E bota líder nisso. A emenda foi pior que o soneto.
Você, Rachadinha, que não ama o Brasil, fugiu de um país onde existe democracia. Não estava ameaçado de tortura, de prisão arbitrária ou de morte – práticas da ditadura militar, que você defende – quando milhares de brasileiros deixaram o país para não serem mortos. A falsidade do general Leônidas Pires, chefe do DOI-CODI se aplica agora a você como uma verdade: “Não tivemos exilados no Brasil. Tivemos fugitivos covardes”.
Podes continuar escrevendo cartas no mundo dos gringos, escolhendo brasões do século XIX e te autoproclamando líder de um país que não te elegeu para isso. Mas há uma coisa que nem Trump, nem Milei, nem teu irmão Vorcaro podem resolver: a conta chega. E, quando chegar, não adianta pedir anistia postal, alegar perseguição política ou tentar mudar o endereço do remetente. A Justiça brasileira não trabalha em regime de home office para investigados.