Nós, cidadãos brasileiros que ainda acreditam na função social do jornalismo, vimos a público manifestar nossa indignação diante do abismo entre o tratamento dado pela grande imprensa a um candidato à Presidência da República e a um cidadão comum, que não ocupa cargo público, não é candidato a nada e não pede voto.
A pergunta é uma só: por que um é caçado sem provas, enquanto o outro é blindado com provas?
O CASO DE FÁBIO LUÍS LULA DA SILVA
Filho do atual presidente, Fábio Luís não é candidato a nada, não ocupa cargo público, não pede voto. Ainda assim, sua vida foi devassada. Sigilos bancário, fiscal e telemático foram quebrados. Cada contrato, cada movimento, cada centavo foi vasculhado.
O resultado? Nenhuma condenação.
Mesmo assim, segue sendo manchete atrás de manchete, tratado como se fosse o chefe de uma organização criminosa. A fúria investigativa da imprensa contra ele é implacável, mesmo quando a realidade não a acompanha.
O CASO DE FLÁVIO BOLSONARO
Flávio Bolsonaro é senador da República e candidato à Presidência. Ocupa uma das cadeiras mais importantes do país. Pede votos e influencia leis. E qual é o seu currículo público?
Empregou em seu gabinete a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega, ex-PM apontado como chefe de milícia no Rio de Janeiro. O próprio Flávio o condecorou.
Seu gabinete foi o epicentro do esquema da “Rachadinha”, com Fabrício Queiroz operando milhões em movimentações atípicas. Sabemos que a denúncia foi anulada por uma decisão técnica. Mas e o mérito? Cadê a investigação jornalística independente?
Acumulou imóveis comprados com dinheiro vivo, indício clássico de lavagem de dinheiro. Tudo documentado.
Pediu pessoalmente sessenta e um milhões de reais a Daniel Vorcaro, banqueiro preso por um rombo bilionário que lesou aposentados, para financiar um filme sobre seu pai. As mensagens e áudios mostram o senador cobrando, agradecendo e chamando o banqueiro de “irmão”.
Mora em uma mansão avaliada em quinze milhões de reais, mas declarada por seis milhões de reais. Como? Quem vendeu? Como foi pago? Onde está o restante do valor? Essa é uma pergunta que qualquer jornalista sério deveria estar fazendo em manchete. Mas o silêncio é ensurdecedor.
E qual é o tratamento que a imprensa dá a este senador, candidato à Presidência?Tratamento de vítima. De “perseguido político”. De “moderado”.
Enquanto isso, a prova mais grave de todas é solenemente ignorada ou tratada como ruído de bastidor:
Jair Bolsonaro, então presidente, gravou uma reunião pedindo intervenção na Receita Federal para parar as investigações contra seu filho Flávio.
Isso não é suspeita. É um áudio. Um documento. Uma confissão de obstrução da Justiça.
Se eu não devo, eu não temo?
O presidente Lula foi claro e público: “Pode investigar.” Seu filho foi investigado. E devassado. E exposto. Sem condenação.
Bolsonaro foi claro e público: “Não vou permitir que meus filhos sejam investigados.” E a imprensa, em grande parte, tratou essa postura como normal.
Que show da Xuxa é esse?
O vice de Flávio foi relator na CPI do INSS. A sócia de Flávio é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado pela Polícia Federal como sócio e operador do “Careca” do INSS. O dinheiro do Vorcaro, que financiou o filme, vem, em última instância, dos aposentados e poupadores lesados pelo Banco Master.
A ficha corrida de Flávio Bolsonaro é pública. Está nos autos, nos áudios, nos registros de imóveis, nas mensagens de celular, nas declarações de bens. E a imprensa, em sua maioria, finge que não vê.
EXIGIMOS RESPOSTAS:
Cadê a isonomia?Se o sigilo de Fábio Luís pode ser quebrado sem provas, por que a imprensa não exige o mesmo para os sigilos telefônicos, fiscais e bancários de Flávio Bolsonaro?
Cadê a cobertura aprofundada sobre os sessenta e um milhões de reais de Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”?Quantos minutos de televisão e quantas páginas de jornal foram dedicados a esse escândalo em comparação com as suspeitas jamais comprovadas contra Fábio Luís?
Cadê a indignação com o áudio?Por que a admissão gravada de um presidente tentando obstruir a Justiça para proteger o filho não é a manchete principal de todos os noticiários, todos os dias?
Como a mansão de quinze milhões de reais foi comprada por seis milhões de reais?Cadê a matéria investigativa sobre a origem dos recursos e a identidade do vendedor?
E o que mais está escondido?O que mais foi varrido para debaixo do tapete enquanto a atenção se voltava para um alvo conveniente?
CONCLUSÃO
O povo não é bobo, mas parte da imprensa parece apostar que sim.
Um cidadão sem cargo público é caçado por suspeitas que se arrastam sem conclusão.
Um senador e candidato à Presidência, com um histórico documentado de relações com milicianos, dinheiro vivo, pedidos a um banqueiro preso, uma mansão inexplicável e um pai que tentou obstruir a Justiça por ele, é blindado e retratado como vítima.
A diferença não está na lei. Está no sobrenome e na orientação editorial.
Não aceitamos essa farsa. E cobramos de vocês, que detêm o dever de informar, a mesma energia, o mesmo rigor e a mesma coragem para investigar os dois lados.
Se há crimes, que se mostrem as provas e as algemas. Para todos.
A história cobrará de vocês. Nós já estamos cobrando hoje.
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