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Postado em 22/11/2021 11:26

Brasil é o único país a determinar três doses para a vacina Janssen, sem comprovação

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Foto: Divulgação/GETTY IMAGES

Ministério da Saúde do governo Bolsonaro falou em “estudos” que recomendam o 3º reforço. A própria Janssen não trouxe estudos com 3 doses

Jornal GGN – Sem estudos ou comprovação científica, o Brasil é o único país a determinar três doses para a vacina Janssen contra a Covid-19.

Nesta terça (16), O Ministério da Saúde anunciou a obrigação de uma segunda dose -do imunizante de dose única- e também um reforço, ou seja, uma terceira aplicação.

Este reforço poderia ser de outra farmacêutica, assim como a recomendação de reforço para outras vacinas contra a Covid-19.

O problema é que a vacina Janssen, inicialmente fabricada para obter efetividade em uma única dose, não comprova estudos ou necessidade de uma terceira aplicação.

Até agora, diversos países que usaram o imunizante recomendam e orientam a dose de reforço, ou seja, após 2 até 6 meses, a aplicação de uma segunda dose de Janssen ou de outra farmacêutica.

Mas o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro falou em “estudos” que recomendam o terceiro reforço, assim como será feito para os imunizantes que já exigem duas doses. (Leia mais aqui)

A decisão gerou surpresa, não somente à comunidade científica, como também à própria Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que não sabia dessa decisão do governo Bolsonaro e sequer foi previamente consultada.

Com base nisso, a agência enviou uma série de questionamentos à pasta, solicitando dados e comprovações que levaram o governo Bolsonaro a adotar essa diretriz na campanha de vacinação do Brasil.

“Os esclarecimentos solicitados são necessários sob o ponto de vista sanitário, especialmente no que se refere ao monitoramento do uso dos novos esquemas vacinais no Brasil”, escreveu a Anvisa, em nota.

A agência pede que se demonstre “minimamente” comprovações de segurança e necessidade de 3ª dose para quem se imunizou com a Janssen.

Nos testes clínicos de fase 3, a farmacêutica comprovou eficácia de 75% contra casos mais graves de Covid-19 na primeira aplicação. Posteriormente, verificou-se que uma segunda dose aumentaria a proteção das pessoas a médio prazo.

Os estudos revelam que tomar uma segunda dose da Janssen dois meses após a primeira aumenta 4 a 6 vezes o nível de anticorpos contra a doença. Ainda, quando a segunda dose era aplicada 6 meses depois, ou seja, em tempo ainda maior, o nível de anticorpos aumentava 12 vezes.

Países como Estados Unidos, Áustria, República Tcheca, Alemanha, Hungria e Itália já orientam a segunda dose como reforço da primeira. Outros países da União Europeia e do mundo estudam também autorizar a segunda aplicação. O Brasil é o único país a determinar três doses para a vacina Janssen.

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