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terça-feira, 12 maio 2026

BNDES quer mobilizar R$ 50 bilhões em minerais críticos e industrializar cadeia de terras raras

© Lucas Veloso/Divulgação

Sputnik – BNDES cria fundo bilateral com a Vale para apoiar pequenas mineradoras. Banco já analisa 56 projetos e lança em breve edital conjunto com a Finep, que dispõe de recursos não reembolsáveis para inovação.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça-feira (12), em São Paulo (SP), que o banco trabalha para mobilizar até R$ 50 bilhões em crédito e investimentos no setor de minerais críticos, como forma de construir uma cadeia industrial completa que vai da extração de terras raras à fabricação de baterias para carros elétricos.
“A gente fecha o circuito e gera valor agregado, para a gente não ser apenas um exportador de commodity de um novo tipo de mineral. Nós temos que buscar industrializar, nós temos que ter o desafio de ciência e tecnologia“, disse Mercadante, durante evento no escritório do banco na capital paulista.
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com 23% do total global. A China detém entre 35% e 40%, e concentra a produção do samário, elemento vital para motores elétricos e equipamentos de defesa. Segundo Mercadante, 86% dos componentes americanos dependem desse mineral e precisam, portanto, de terras raras. “Então é um grande interesse nisso”, afirmou.
Ele citou o movimento do governo americano, de Donald Trump, que destinou US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 8,3 bilhões na cotação atual) em equity e US$ 10 bilhões (cerca de R$ 48,9 bilhões na cotação de hoje) em crédito subsidiado ao setor nos Estados Unidos, como sinal da corrida global pelo mineral.
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O BNDES criou um fundo bilateral com a Vale para apoiar pequenas mineradoras, as chamadas empresas juniores, que costumam ser o ponto de partida do ecossistema de mineração. O banco já analisa 56 projetos e lança em breve um edital conjunto com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que dispõe de recursos não reembolsáveis para inovação.
Mercadante também citou a empresa VEG, que apresentou ao banco um projeto de bateria fabricada inteiramente no Brasil, com o BNDES participando “fortemente” da iniciativa.
Representantes do BNDES estão em Nova York nesta semana para uma série de eventos com grandes fundos internacionais. “O interesse do Brasil é extraordinário. Pessoal há muito tempo não vê tanto interesse no mercado”, afirmou o presidente.
Segundo ele, numa chamada recente do banco voltada ao clima, o BNDES aportou R$ 5 bilhões e fundos privados internacionais entraram com R$ 15 bilhões, numa seleção que recebeu cerca de 45 propostas e escolheu cinco gestores privados para administrar os recursos com acompanhamento do banco.
O dirigente conecta a agenda de minerais críticos a um argumento mais amplo de soberania. “Se nós queremos administrar essa reserva estratégica e poder negociar com os Estados Unidos, com a União Europeia, com a China, com a Coreia, com o Japão; que o Brasil tenha soberania e capacidade de diversificar os seus interesses e as suas parcerias, temos que ter capacidade de investimento, e impulsionar esse segmento.”
Mineral de terras raras (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 04.05.2026

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A lição, segundo ele, veio também da pandemia. “Nós vimos isso na pandemia. Nós temos que ter capacidade de produção”, afirmou, no mesmo raciocínio com que defendeu o financiamento da vacina da dengue pelo Instituto Butantan, projeto que resultou no desenvolvimento de uma vacina contra quatro tipos da doença, inédita no mundo, com financiamento do BNDES. “O Instituto Butantan não tinha nem recursos, nem apetite para correr um risco desse, sendo que ninguém no mundo tinha feito”, disse.
Mercadante afirmou que o banco lançou mais de 650 novos fármacos no mercado desde o ano passado e financia o Plano de Inovação e Desenvolvimento de montadoras como Volkswagen, Stellantis e Toyota para a produção de carros híbridos flex no Brasil.
Onze usinas de etanol de milho já foram financiadas pelo banco, gerando também o DDG, subproduto que vira alimentação animal. “Nós temos que ter o desafio de ciência e tecnologia. É isso que retém talentos, é isso que gera pesquisa, é isso que gera valor agregado. É isso que muda a qualidade do desenvolvimento. É por isso que o BNDES tem um papel extraordinário”, afirmou.
No campo da segurança pública, Mercadante anunciou R$ 10 bilhões em crédito, fruto de acordo assinado na semana passada com o Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de um programa de reestruturação do sistema prisional desenhado pelo ministro Edson Faquin.
Os recursos poderão ser usados também em tecnologia urbana. “A sociedade mais inteligente, usando a tecnologia de ponta, é que vai conseguir prevenir, retirar das ruas os criminosos, se antecipar às ocorrências”, disse, citando câmeras de reconhecimento facial e centros de comando e controle como exemplos.
Para enfrentar os efeitos do tarifaço americano, o banco já disponibilizou R$ 19,7 bilhões em crédito e lança agora o “Brasil Soberano 2”, voltado a setores que ainda convivem com tarifas de 50% ou acima de 15%, como autopeças.
O programa também contempla empresas exportadoras para o Oriente Médio prejudicadas pelo conflito na região, além do setor de fertilizantes, impactado pela guerra entre Rússia e Ucrânia. “O Brasil é o maior exportador líquido de alimento da Terra. Os fertilizantes estão extremamente caros hoje.”
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Na agenda ambiental, o BNDES financia o plantio de mais de 280 milhões de árvores, com R$ 7 bilhões investidos em restauração de biomas. O banco captou recursos durante a COP 30, fechou novos convênios na Alemanha e emite bônus verdes.
Mercadante atribuiu parte do interesse externo pelo Brasil à combinação de matriz energética renovável, redução de 50% no desmatamento da Amazônia e capacidade de produção de alimentos diante das mudanças climáticas. “Nós estamos conseguindo criar uma rede internacional de interesse do Brasil por ser uma cultura de paz”, disse.
acordo Mercosul-União Europeia também foi destacado por ele, que mencionou que a partir de 2 de maio, 500 novos produtos brasileiros têm tarifa zero para exportação ao bloco. Mercadante citou que o comércio com os Estados Unidos foi de US$ 30 bilhões em 2002 para US$ 90 bilhões hoje (cerca de R$ 440 bilhões na cotação atual), enquanto o comércio com a China saltou de US$ 20 bilhões para US$ 178 bilhões (cerca de R$ 870 bilhões).
Com a Alemanha, terceiro parceiro comercial do Brasil, o volume bilateral ainda é de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 98 bilhões na cotação atual), o que ele vê como oportunidade. Ele usou de exemplo a Bosch, empresa germânica presente no Brasil há 70 anos, que agora passou a fazer pesquisa e desenvolvimento no país, e a Volkswagen, que fecha unidades na Alemanha mas expande no Brasil.

Mercadante encerrou com o balanço dos números do BNDES, próximo de R$ 1 trilhão em ativos, com inadimplência “de longe a menor do mercado” e lucro recorrente em nível recorde. O caixa livre cresceu 20 vezes acima do exigido pelo Banco Central.

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