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quinta-feira, 18 julho, 2024

Biden e Trump competem quem é mais israelense

Fonte da imagem: Reuters

Heba Ayyad*

Os Estados Unidos testemunharam o primeiro debate da história estadunidense que reuniu dois presidentes: o atual e o anterior. O debate incluiu, como esperado, questões internas estadunidenses como economia, imigração e aborto, além de questões de política externa, como a guerra em Gaza e o conflito russo-ucraniano, que foram os pontos mais importantes da agenda.

O Presidente Joe Biden comparou o Hamas ao líder da Al-Qaeda assassinado pelos Estados Unidos no Paquistão em 2011, destacando que sua administração continua a enviar elementos de inteligência para eliminar o movimento palestino, “como fizemos com Bin Laden” conforme diz. Apoiando-se nessa analogia e na identificação entre as posições dos EUA e de Israel, Biden afirmou que seu país é “a maior fonte de apoio a Israel no mundo”, acrescentando que o Hamas é “o único partido que deseja continuar a guerra”, apesar de seu plano de cessar-fogo ter sido aprovado pelo Conselho de Segurança e pelo G7, assim como pelos israelenses e pelo próprio Netanyahu.

Biden também destacou seu papel na defesa contra um suposto ataque do Irã a Israel, afirmando: “Eu organizei o mundo contra o Irã, nenhum israelense foi morto e o ataque foi interrompido. Nós salvamos Israel.”

Sem defender o Hamas, o ex-presidente Trump contestou a afirmação de Biden de que Israel concordou com a proposta de trégua. Trump afirmou que é Israel “o único partido que deseja continuar a guerra”, explicando que Biden deveria “deixar Israel completar sua missão, mas ele não quer fazer isso”. Isso indica não apenas que Israel não deseja encerrar a guerra, mas também que o presidente estadunidense está tentando controlar o governo israelense.

A conclusão do argumento de Trump sobre quem é mais leal a Israel foi reforçada pela afirmação de que Biden “se tornou como um palestino. No entanto, eles não o apreciam porque ele é fraco.”

Embora haja uma tendência geral para considerar o desempenho de Biden como mais fraco que o de Trump, todo o debate foi uma expressão da fraqueza e da miséria que a classe política estadunidense atingiu. A superpotência que interfere nos assuntos mundiais acabou com estas duas figuras competindo para declarar seu apoio a um governo que inclui extremistas e fascistas, alguns dos quais têm condenações criminais nos tribunais de Israel (como Trump, agora considerado condenado). Seu primeiro-ministro também enfrenta acusações que podem levá-lo à prisão, além da possibilidade de ser acusado pelo Tribunal Internacional de Justiça por genocídio. Há também a iminente emissão de mandados de prisão contra o primeiro-ministro e o Ministro da Guerra de Israel pelo Tribunal Penal Internacional.

Biden e Trump competiram em um debate sobre os estadunidenses para ver quem é mais sionista e quem mais apoia Israel. Que mensagem os dois candidatos à presidência estadunidense enviaram ao mundo, à região árabe, aos palestinos e até mesmo aos próprios israelenses, muitos dos quais não concordam com as políticas de Netanyahu, Ben Gvir e Smotrich?

O debate foi verdadeiramente escandaloso. Os dois adversários competiram quem é mais leal a um país estrangeiro, cujo governo pratica genocídio e violência étnica contra os palestinos, um grande sinal da miséria política estadunidense e global.

*Heba Ayyad

Jornalista internacional

Escritora Palestina Brasileira

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