É impressionante como a polêmica em torno do Banco Master passou a ocupar, diariamente, páginas inteiras dos jornais e longos minutos do noticiário televisivo. A excitação da mídia hegemônica com o tema não é casual. O caso acabou funcionando como uma fresta por onde se pode enxergar, ainda que parcialmente, o modo como o sistema financeiro brasileiro opera: marcado por baixa transparência, forte blindagem institucional e intensa influência política.
A intervenção do Banco Central do Brasil, que resultou no fechamento da instituição, confirmou a gravidade das irregularidades acumuladas e desmontou qualquer tentativa de tratar o episódio como mera controvérsia midiática. Quando o órgão regulador é levado a adotar uma medida extrema dessa natureza, fica evidente que não se trata de um desvio pontual, mas de falhas estruturais de supervisão toleradas ao longo do tempo.
O crescimento acelerado da instituição, ocorrido entre 2019 e 2024, chamou a atenção não apenas pelo volume, mas pela forma como se deu. Uma extensa reportagem do Estado de São Paulo mostrou que a expansão do banco ocorreu em um ambiente de permissividade regulatória e de relações pouco claras com os órgãos de controle. Não se trata apenas de um banco que cresceu rapidamente, mas de um crescimento que levanta dúvidas legítimas sobre os critérios adotados, os riscos assumidos e os interesses envolvidos.
Durante a gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central, chegou a ser estabelecido um prazo para que irregularidades fossem sanadas. Esse prazo, no entanto, atravessou a troca de comando e acabou recitando sobre a atual gestão de Gabriel Galípolo, sem que o problema tivesse sido devidamente resolvido. O episódio escancara um traço recorrente da regulação financeira no Brasil: a transferência de responsabilidades no tempo, enquanto os fatos consumidos seguem produzindo efeitos concretos sobre o sistema econômico.
As denúncias de movimentações suspeitas, operações de crédito privilegiadas e possíveis relacionadas com setores do poder reacendem um debate que nunca deveria ter sido encerrado: a fiscalização da fiscalização rigorosa sobre bancos, instituições financeiras e fintechs que operam em um mercado cada vez mais concentrado e politicamente permeável. Mais do que um caso isolado, o Banco Master se converte em símbolo de um modelo que fragiliza a confiança pública e coloca em risco o equilíbrio macroeconômico do país.
Mas é preciso ir além do episódio específico. O problema é sistêmico. Ele é produto de um modelo imposto pela hegemonia do capital financeiro, que subordina a política econômica, captura instâncias de regulação e impõe uma lógica de curto prazo dissociada das necessidades reais do país. Enquanto persiste a ditadura do capital financeiro, novos “casos” continuam a surgir. A saída passa por romper com esse modelo e recolocar no centro da agenda um projeto nacional de desenvolvimento, integrado, soberano, comprometido com a transição climática e com a justiça social.
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