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terça-feira, 31 março 2026

Bachelet manterá sua candidatura à ONU com o apoio do Brasil e do México

Santiago, Chile (Prensa Latina) A ex-presidente chilena Michelle Bachelet expressou nesta quarta (25) sua disposição de manter sua candidatura ao cargo de Secretária-Geral da ONU, apesar da decisão do presidente José Antonio Kast de retirar o apoio de seu país.

“Minha disposição em contribuir para esse desafio permanece intacta”, disse Bachelet em um comunicado, acrescentando que continuará trabalhando com os governos do Brasil e do México, que a indicaram para o cargo.

A ex-dignitária expressou sua gratidão pela confiança que o Estado do Chile demonstrou inicialmente ao apresentar publicamente a candidatura em setembro e formalizá-la em fevereiro, durante o governo de Gabriel Boric.

“Entendo que as definições de política externa podem mudar com novas administrações e, na minha qualidade de ex-chefe de Estado, considero esta decisão como parte das prerrogativas do atual chefe de governo, mesmo que a minha visão seja diferente”, disse ela.

Na véspera, o governo Kast anunciou a retirada do apoio a Bachelet, argumentando que a dispersão dos candidatos de países latino-americanos e as divergências com alguns dos atores relevantes que definem esse processo tornavam a candidatura inviável.

“Além de retirar o patrocínio do Chile, o Ministério das Relações Exteriores e as embaixadas no exterior deixarão de participar dos esforços para promover esta candidatura”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.

A decisão foi tomada depois que a União Democrática Independente (UDI), um partido de direita que faz parte do governo, expressou sua rejeição à iniciativa de apoio ao ex-presidente.

Bachelet, pediatra de profissão e membro do Partido Socialista, foi a primeira e única mulher a ocupar a presidência do Chile, cargo que exerceu em dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018).

Em 2010, o então Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, nomeou-a como a primeira diretora executiva da ONU Mulheres, uma agência criada para lutar pelos direitos das mulheres em todo o mundo.

O deputado socialista Nelson Venegas lamentou que, enquanto o Brasil e o México apoiam a candidatura, o próprio governo chileno decide não apoiar seu compatriota.

“Esta é uma demonstração clara de que este não é um governo de direita, mas sim de extrema-direita”, afirmou ele.

Na declaração, Bachelet expressou que, em um mundo turbulento marcado por conflitos, desigualdades e profundas incertezas, é necessária uma ONU mais eficaz, eficiente e relevante para cumprir suas tarefas essenciais em matéria de paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos.

Reformar e fortalecer o sistema multilateral não é um mero slogan, é uma necessidade urgente para melhorar a vida das pessoas, afirmou.

O atual Secretário-Geral da ONU, António Guterres, concluirá o seu segundo mandato em 31 de dezembro de 2026.

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