“Minha disposição em contribuir para esse desafio permanece intacta”, disse Bachelet em um comunicado, acrescentando que continuará trabalhando com os governos do Brasil e do México, que a indicaram para o cargo.
A ex-dignitária expressou sua gratidão pela confiança que o Estado do Chile demonstrou inicialmente ao apresentar publicamente a candidatura em setembro e formalizá-la em fevereiro, durante o governo de Gabriel Boric.
“Entendo que as definições de política externa podem mudar com novas administrações e, na minha qualidade de ex-chefe de Estado, considero esta decisão como parte das prerrogativas do atual chefe de governo, mesmo que a minha visão seja diferente”, disse ela.
Na véspera, o governo Kast anunciou a retirada do apoio a Bachelet, argumentando que a dispersão dos candidatos de países latino-americanos e as divergências com alguns dos atores relevantes que definem esse processo tornavam a candidatura inviável.
“Além de retirar o patrocínio do Chile, o Ministério das Relações Exteriores e as embaixadas no exterior deixarão de participar dos esforços para promover esta candidatura”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.
A decisão foi tomada depois que a União Democrática Independente (UDI), um partido de direita que faz parte do governo, expressou sua rejeição à iniciativa de apoio ao ex-presidente.
Bachelet, pediatra de profissão e membro do Partido Socialista, foi a primeira e única mulher a ocupar a presidência do Chile, cargo que exerceu em dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018).
Em 2010, o então Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, nomeou-a como a primeira diretora executiva da ONU Mulheres, uma agência criada para lutar pelos direitos das mulheres em todo o mundo.
O deputado socialista Nelson Venegas lamentou que, enquanto o Brasil e o México apoiam a candidatura, o próprio governo chileno decide não apoiar seu compatriota.
“Esta é uma demonstração clara de que este não é um governo de direita, mas sim de extrema-direita”, afirmou ele.
Na declaração, Bachelet expressou que, em um mundo turbulento marcado por conflitos, desigualdades e profundas incertezas, é necessária uma ONU mais eficaz, eficiente e relevante para cumprir suas tarefas essenciais em matéria de paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos.
Reformar e fortalecer o sistema multilateral não é um mero slogan, é uma necessidade urgente para melhorar a vida das pessoas, afirmou.
O atual Secretário-Geral da ONU, António Guterres, concluirá o seu segundo mandato em 31 de dezembro de 2026.