Durante uma entrevista, o sociólogo argentino destacou que o ataque perpetrado por Washington contra Caracas neste sábado confirma o colapso das regras que governavam o planeta desde o período pós-guerra.
Para Borón, “é inaceitável, uma situação como esta não pode ser normalizada”, porque validar uma ação deste tipo poderia desencadear “perigosas repercussões geopolíticas” para além da América do Sul.
Segundo sua análise, ao violar o direito internacional, “os Estados Unidos podem estar tacitamente permitindo que outras potências resolvam suas disputas territoriais pela força”. “Não devemos nos surpreender amanhã se o Azerbaijão simplesmente anexar a Armênia, ou se a China finalmente decidir incorporar Taiwan à sua jurisdição nacional”, exemplificou.
Em relação às motivações da Casa Branca, o acadêmico rejeitou a narrativa oficial focada no tráfico de drogas ou na democracia.
“O que interessa a Trump não é Maduro, mas sim o petróleo venezuelano. O presidente Maduro é completamente irrelevante para ele; o que importa é que o petróleo está lá e os Estados Unidos disseram: ‘Vamos ficar com ele porque é nosso’”, afirmou.
Em suas avaliações, Borón criticou o papel das organizações multilaterais e apontou que o sistema das Nações Unidas “entrou em colapso”, pois não tem capacidade para deter o “poder do norte”, assim como falhou anteriormente em Gaza.