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domingo, 18 janeiro, 2026

Ataques israelenses e palestinos nas palavras dos liberais

A polícia israelense persegue um camarógrafo que cobre a redada contra os palestinos no complexo da Mesquita Al-Aqsa. (Foto: Reuters)

Xavier Villar

A situação da Entidade Sionista é de extrema fragilidade. A nível interno, os protestos contra a reforma judicial promovida pelo primeiro-ministro Netanyahu puderam manifestar as lutas intestinais entre os ocupantes. A nível externo, por outro lado, temos a manifestação da debilidade política sionista refletida, por exemplo, na incapacidade de isolar o Irão a nível regional.

A resposta dada pelos integrantes do chamado Eje de Resistencia à recente agressão sionista contra a mesquita Al-Aqsa vuelve a poner de aliviar a debilidade no que se encontra o regime sionista. Pelo menos 30 cohetes fueron lançados por miembros de la Resistência desde o sul do Líbano para os territórios ocupados. Os combatentes da Resistência com sede em Gaza também lançaram vários cohetes para os territórios ocupados. Fontes palestinas afirmaram que o sistema de defesa sionista, Iron Dome, não conseguiu interceptar a maioria desses mísseis. Em 7 de abril, os colonos sionistas morreram e outros resultaram gravemente feridos após serem atacados a tiros na parte norte da Cisjordânia por combatentes da Resistência Palestina.

Fontes sionistas apontam que a Entidad tem sido atacada desde 3 frentes distintas e a resposta tem sido de uma debilidade sem precedentes.

Justo nesses momentos de máxima debilidade do sionismo o liberalismo aparece para tentar frear o inevitável processo de desmantelamento, físico e político, ao que se enfrenta a Entidad Sionista. Se dependessem unicamente dos liberais, os palestinos não tendiam a resistir de nenhuma maneira à desposição, desumanização e ao borrado da história.

Uma das principais críticas dos liberais é a resposta militar dada pelos grupos que integram o Eje de Resistência. Desde esta narrativa, esta repuesta entra dentro da categoria de “vingança” e não ajuda em nada à libertação palestina. Esta ideia de que a Resistência tem que ser não violenta para ser aceitável é um mito liberal. Em primeiro lugar porque desde o liberalismo não se tem em conta a violência originária sobre o que sustenta o sionismo. Uma violência epistêmica que pode ser definida como o silenciamento de certo grupo de pessoas que, se um com o poder, permite e legitima tanto a violência direta como estrutural contra este grupo. A visão liberal prefere não ver esta violência inaugural que explica toda a situação atual na Palestina.

A libertação política da Palestina é um exercício de desobediência epistêmica e como tal desafio ao status quo vigente. Esta desobediência epistêmica é violenta, mas de uma forma distinta e diferente da violência epistêmica do colonialismo. A violência da desobediência epistêmica socava a centralidade de certas experiências para empoderar outros, mas este “silêncio” não está vinculado ao poder. Os grupos que devem ser “silenciados” são aqueles que obtêm – e continuam obtendo – maiores benefícios da situação colonial atual. Onde a violência da desobediência epistêmica busca é dar protagonismo aos palestinos e reverter a violência inaugural do sionismo. Podemos dizer que na medida em que a justiça epistêmica constitui a violência, esta é de naturaleza emancipadora em lugar de opressiva.

Em outras palavras, enquanto a violência dos opressores impede que os oprimidos sejam completamente humanos, a resposta a estes últimos a esta violência é fundamental no desejo de perseguir o direito de ser humano.

O mito liberal da não-violência sempre oculta a violência originária e estrutural que articula a atual configuração do poder na Palestina ocupada. Qualquer análise política que não explique de maneira clara que a violência começou na Palestina em 1948 não deixou de ser uma recriminalização da população da Palestina. É por isso que o liberalismo é incapaz de oferecê-lo, mesmo em suas versões mais progressistas, uma alternativa ao povo palestino.

Desde a visão liberal de ambas as violências, a fundamental sionista e a secundária dos palestinos têm o mesmo valor e peso político. Sua cegueira política não permite entender que a resposta à violência epistêmica colonial pode ser interpretada como “violenta”, mas esta violência é diferente tanto em grau quanto em naturalidade à fundação e origem.

A articulação da violência palestina, na língua liberal, faz com que esta vista do mar desde a ótica da venganza o mantenha ao sujeto palestino dentro dos parâmetros marcados pelo orientalismo- um ser incapaz de fazer que seus impulsos violentos se vejam contidos por seu natural violento-. O assunto palestino é um outro fantasmagórico construído por meio da posição de superioridade ocidental. Esta construção do sujeito palestino como incapaz de conter seu desejo de vingança é utilizada como forma de meditar mentalmente em sua “civilização de proximidade”.

A construção do assunto palestino desde a narrativa liberal tem outra consideração. A necessidade de que a vítima seja um ser totalmente sem agência e sem capacidade política para que seja considerada como tal. Como explicou em uma entrevista o líder do HAMAS em Gaza, Yahya Sinwar: “¿Acaso o mundo espera que nos ofereçamos como sacrifícios educados, dispuestos e bem educados, que son asesinados sem levantar uma única objeção? Isso não é possível. Não, estamos decididos a defender a nuestra gente com qualquer força que se nos haya dado”.

Qualquer análise da situação na Palestina que deseja dar voz à população oprimida necessária, para tanto, analisa as diferentes formas em que a violência é desfeita e articulada politicamente. E esta análise tem que apresentar a existência de uma violência fundamental que está atrás de todas as ações da Entidad Sionista, inclusive de aquelas que aparentemente não são qualificadas como violentas. Toda ação da Entidad Sionista, desde as matanças da Palestina até o dia político, está enraizada em uma violência originária que é justamente a que a Resistência palestina, com a ajuda do Eje de Resistência, busca desmantelar.

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