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quinta-feira, 18 julho, 2024

Ataque ao BC Neoliberal: Lula se rebela contra economia fictícia as custas dos assalariados

Banco Central sufoca economia real com gastos em subsídios e juros especulativos

César Fonseca – Foto Agência Brasil

O presidente Lula partiu para confronto direto com os capitalistas da produção e das finanças que levam a parte do leão do Orçamento Geral da União(OGU), em forma de juros e subsídios, com retorno zero para a economia real, enquanto prospera, apenas, financeirização econômica, isto é, a economia da ficção especulativa.

Trata-se de gastos públicos da ordem de R$ 1,3 trilhão de um total orçamentário anual executado e pago em 2023 de R$ 4,36 trilhões, de acordo com Instituto Auditoria Cidadã da Dívida.

São os juros e os subsídios os responsáveis principais pelo aumento descontrolado do déficit público, que beneficiam especuladores, enquanto a mídia conservadora serviçal do mercado financeiro distrai a sociedade e faz carga em cima do governo para realizar cortes nos gastos sociais na saúde, educação e previdência social, que puxam a demanda global da economia nacional.

A economia real está indo à bancarrota enquanto prospera a economia da ficção: são R$ 546 bilhões em subsídios fiscais, conforme relatório realizado pela ministra Simone Tebet, do Planejamento, e R$ 800 bilhões em juros e amortizações, segundo relatório do Banco Central.

O presidente ordenou ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pente fino nesses gastos, enquanto diz que não cortará gastos nos setores sociais, educação, saúde e infraestrutura.

Lula fazer ajuste fiscal alternativo: atacar os ganhos excessivos de capital subsidiados pelo Estado em forma de perdão de impostos e juros elevados.

Foi claro em atacar Campos como adversário do desenvolvimento econômico ao adotar política financeira especulativa em que projeta inflação futura elevada para cobrar antecipado alto juro Selic especulativo no presente.

Não são, portanto, os gastos na economia real que estão impedindo o controle do déficit público, mas os gastos na economia fictícia, sustentada pela especulação financeira que esquece o presente para construir um futuro imaginário às custas dos sacrifícios dos trabalhadores.

CONTA MAIS SALGADA

Nessa nova frente de luta aberta por Lula, o desafio aumenta para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em apresentar conta mais salgada para os capitalistas subsidiados pelo Estado, já que o presidente não sacrificaria a economia real representada pelos gastos públicos não financeiros, que dependem do consumo nacional e da valorização dos salários para se multiplicarem.

O presidente dobra a aposta na economia real contra a economia fictícia ao insistir na premissa de que gastos sociais e salários não são custo, mas renda que se valoriza na circulação do capital produtivo, abrindo-se aos investimentos.

Na elaboração orçamentária para 2025, ano decisivo para o governo, serão preservados os gastos sociais como fonte do equilíbrio orçamentário, enquanto os gastos com subsídios terão que ser garantidos por decisão parlamentar responsável por encontrar fontes de custeio para cobertura deles.

Os capitalistas terão que pressionar os representantes do povo para arranjar recursos capazes de satisfazer os interesses deles, no ambiente em que o governo está cercado por arcabouço fiscal neoliberal.

Na prática, Lula divide a tarefa de executar o arcabouço neoliberal com os parlamentares que usufruem do orçamento público para atender seus interesses políticos e econômicos, sob pena de ficarem sem recursos.

O grito de Lula contra a especulação, em entrevista à CBN, nesta terça, é convocação aos parlamentares para lutarem ao seu lado de modo a garantir suas emendas parlamentares; caso contrário, ficarão sem elas e não terão o que dizer ao seu eleitorado.

ARROCHO SALARIAL EXIGE

DOAÇÃO DE SUBSÍDIOS

A razão maior que explica concessão pelo Estado nacional de R$ 546 bilhões em subsídios aos capitalistas brasileiros é uma só: garantir taxa de lucro a eles, porque o salário vigente não garante consumo satisfatório que joga no chão a taxa de lucro do capital; por isso, cortam a produção e elevam os preços para manter constante e em elevação a taxa de lucro à custa do empobrecimento dos assalariados.

O capitalismo produtivo, dessa forma, corre para o Estado em busca de complemento necessário à sua taxa de lucro em forma de subsídios.

Se forem cortados os subsídios, o capitalismo explorador de salários morre.

Para os capitalistas, afetados em seu lucro pela insuficiência de consumo, determinada pelo salário baixo, a saída é reduzir a oferta diante da demanda para gerar escassez e consequente elevação de preços.

É o mesmo que faz o Banco Central Independente sob orientação neoliberal em reduzir oferta de dinheiro em circulação frente à demanda para manter juro Selic elevado.

O BC corta com a Selic elevada a taxa de lucro do capital produtivo, obrigando-o a socorrer-se nos cofres do governo em busca de subsídios, para complementar a taxa de lucro cadente.

Essencialmente, o BC se transforma com sua política restritiva em causa principal da desaceleração econômica e do aumento do déficit público que ameaça estabilidade da moeda.

BC especulativo vira ameaça à moeda quanto mais força com juro alto o governo a sustentar capitalismo produtivo em colapso por meio de subsídios.

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