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Postado em 02/03/2021 7:44

Antipetismo de todos os gostos

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Por Jeferson Miola, em seu blog:

Jorge Bornhausen, oligarca e então presidente do PFL/atual DEM, em 2005:

“Nós podemos acabar com essa raça de petistas pelos próximos 30 anos”.

Ônix Lorenzoni, Caixa 2 perdoado por Moro, explicando como combinou com o chefe da gangue de Curitiba, ainda em 2005, a subversão do arcabouço jurídico para finalmente poder prender Lula em 2018:

“Os 2 fatores – a lavagem de dinheiro como crime principal, e a revisão da lei de delação premiada – foram a diferença entre no ‘mensalão’ não ter chego no Lula, e no ‘petrolão’ ter chegado no Lula”.

Joaquim Barbosa, justiceiro que empregou a teoria do domínio do fato – no que foi desautorizado pelo autor da mesma, Claus Roxin – para alvejar a direção nacional do PT:

[O PT formou uma] “sofisticada organização criminosa dividida em áreas de atuação”.

Gilmar Mendes, ainda no modo tucano-golpista e conspirativo para consumar o golpe:

“O PT tinha o plano perfeito para se eternizar no poder, mas a Operação Lava Jato estragou tudo”.

Integrantes da gangue de Curitiba:

Carol PGR – “ando muito preocupada com uma possivel volta do PT, mas tenho rezado muito para Deus iluminar nossa população para que um milagre nos salve”.

Deltan Dallagnol – “Valeu Carol! Reza sim. Precisamos como país”.

Deltan: [prisão do Lula é um] “Presente da CIA”.

Deltan: “deixe a burocracia e venha prender Lula”, convidando Januário a integrar a gangue de Curitiba.

Januário Paludo: “O safado só queria passear”, sobre pedido negado pela juíza da gangue de Curitiba para Lula acompanhar funeral do irmão Vavá.

Jerusa Viecelli: “Preparem para nova novela ida ao velório”, sobre pedido para Lula acompanhar funeral do neto Arthur.

Monique Cheker: “Fez discurso político (travestido de despedida) em pleno enterro do neto, gastos públicos altíssimos para o translado, reclamação do policial que fez a escolta… vão vendo”.

Laura Tessler: “Ridículo… Uma carne mais salgada já seria suficiente para subir a pressão… ou a descoberta de um dos milhares de humilhantes pulos de cerca do Lula”, sobre a morte da Dona Marisa.

Laura Tessler: “Quem for fazer a próxima audiência do Lula, é bom que vá com uma dose extra de paciência para a sessão de vitimização”, também sobre a morte da Dona Marisa.

Januário Paludo: “Estão eliminando as testemunhas….”, sobre a morte da Dona Marisa.

General Villas Bôas, o “Pinochet brasileiro” que traiu Dilma e conspirou com Temer/MDB contra a democracia:

“O sentimento antipetista era principalmente dirigido ao ex-presidente Lula”.

“Ele, pessoalmente, produziu uma derrocada material. Contudo, o mais sério foi a destruição moral do país”.

“Havia uma forte rejeição ao PT” […], e “o crescimento de um sentimento até de aversão ao partido”.

“Me preocupa uma eventual volta ao poder pela esquerda. ‘Não aprendem e também não esquecem’”.

Marina Silva, mal saída da catacumba política onde se mantém exilada durante o terror fascista, e sem entender a tarefa histórica prioritária, que é deter o fascismo:

“O pior dos mundos é criar a velha polarização […]. Agora seria a velha polarização, mas entre Bolsonaro e Lula ou PT”.

Ciro Gomes, recém regressando de Paris, enganchado na direita e, assim como Marina Silva, alienado em relação à tarefa decisiva da sociedade brasileira, que é deter a escalada fascista-militar:

“A minha tarefa é necessariamente derrotar o PT no 1º turno”.

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Este é um muito breve, muito parcial e apressado resumo de manifestações racistas, odiosas, fascistas, estigmatizadoras e preconceituosas que dominam o debate público brasileiro nos últimos 20 anos, pelo menos.

São perspectivas ideológicas e políticas de atores das distintas frações e estamentos da oligarquia dominante que assemelham o ambiente político brasileiro com o clima de ascenso e queda dos regimes nazi-fascistas na Alemanha e na Itália no período de 1920 a 1945.

Longe de ser um inventário exaustivo, este é apenas um extrato feito quase de memória de uma multiplicidade impressionante de opiniões e posições políticas expressadas diuturnamente, em público ou clandestinamente, durante duas décadas, com intuito de aniquilar Lula, o PT e a esquerda.

Existem, evidentemente, lacunas importantes, como declarações de FHC, de expoentes tucanos e de outros líderes da direita e da extrema-direita; do noticiário da mídia oligopolista editorializada pela Rede Globo, de Sérgio Moro etc, e, inclusive, de segmentos antipetistas de esquerda.

Sim, existe antipetismo de esquerda, e ele se nutre de uma visão moralista e, no mínimo, ingênua acerca das artimanhas da classe dominante para derrubar governos de esquerda com a retórica do falso-combate à corrupção.

Depois de tudo que se conhece a respeito do combate sem trégua da classe dominante para derrubar os governos petistas, que começou desde antes mesmo do seu 1º dia de existência, é preciso dar-se conta, de uma vez por todas, que por trás da guerra contra Lula, o PT e a esquerda, se desenrola uma guerra de ocupação para sequestrar a soberania e as riquezas do Brasil.

O veneno mortal foi inoculado ainda em 2002, com a exigência, lamentavelmente aceita por Lula, da “Carta ao povo brasileiro”. A matriz de tudo.

A evolução se deu com o chamado “mensalão”, passou pelas jornadas de 2013 e percorreu o impeachment fraudulento, a farsa da Lava Jato, a prisão ilegal do Lula até desembocar na conspiração militar.

Nesta guerra, não há força estrangeira ocupante do território nacional. São as próprias Forças Armadas que atuam como força de ocupaçãopara realizar o mais inaudito processo de devastação, pilhagem e saqueio do país.

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