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Sputnik – O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU exprime o que há de melhor no Itamaraty, sem sectarismo nas questões internacionais, chamada ao multilateralismo e crítica aos EUA, dizem analistas.
Lula abriu seu discurso na cimeira apontando ao que, no seu entendimento, é o momento mais crítico das Nações Unidas desde 2003, quando participou do encontro de lideranças globais pela primeira vez como presidente do Brasil.
Para descrever sua argumentação, o chefe do Planalto afirmou que a ONU está falhando em livrar a humanidade do flagelo da guerra e destacou que credibilidade da entidade “nunca esteve tão baixa”. Ele também criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU e voltou a defender a reforma do grupo, para se aproximar à realidade das lideranças mundiais hodiernas. Criticas também foram dirigidas a Israel e ao Hamas.
Para Williams Gonçalves, professor de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Lula apresentou as grandes questões internacionais sem ser sectário e foi enfático na defesa ao multilateralismo e à soberania brasileira. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, destacou. Na avaliação do professor da UERJ, ambos flancos denotam um discurso “contra os Estados Unidos”.
Gonçalves destaca que defender a soberania não é uma escolha, mas um dever do chefe de Estado. “Lula está fazendo o que todo presidente deveria fazer. […] Está claro que quem ameaça a soberania brasileira é o Estado norte-americano, que tem interferido de maneira aberta”.
Entretanto, boa parte dos pouco mais de 20 minutos de Lula no microfone na abertura da Assembleia Geral foram dedicados à questões domésticas. Lula destacou o combate a todos os escalões da criminalidade, inclusive ao que chamou de “magnatas do crime”, disse que as bets estão “endividando e destruindo lares” e que as terras raras pertencem ao povo brasileiro.
“O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”.
2 de setembro, 21:30
Para Gonçalves, a abordagem de assuntos doméstico como a segurança pública em um fórum internacional se deve à instrumentalização da pauta como possível ponto de ingerência estrangeira. Em outras palavras, Washington vem cooptando o tema para interferir em países na América Latina, como aconteceu recentemente na Venezuela, com acusações de envolvimento de Caracas com o narcotráfico, até o sequestro do presidente Nicolás Maduro.
Após Delcy Rodríguez assumir e, segundo o analista, se mostrar uma “pessoa inteiramente submissa aos Estados Unidos, todo aquele discurso sobre o crime organizado evaporou. O que ficou de objetivo foi a tomada dos recursos naturais venezuelanos, especialmente o petróleo pelos Estados Unidos”.
No caso do Brasil, a internacionalização da agenda interna, sobretudo a da segurança pública, se deve “à uma oposição que não se dá ao respeito e oferece de bandeja aos interesses estrangeiros a soberania brasileira”. Mais especificamente, o professor se refere ao desmonte das relações codificadas entre os Estados, quando um senador da República —neste caso Flávio Bolsonaro — “vai a outro país, no caso os Estados Unidos, e oferece a confecção de um programa de governo para os estrangeiros, são eles que estão internacionalizando as questões domésticas, são eles que estão comprometendo a soberania”.


