Acima a familia Alcolumbre (Foto: Reprodução/Facebook)
Betty Priesmag
Histórias de família não faltam ao atual presidente do senado. E põe história aí.
Em 1981, uma investigação da PF no Amapá – o feudo eleitoral e financeiro da ilustríssima família – apontou os nomes de dois tios do senador como suspeitos de comandar um esquema de contrabando em larga escala de ouro, pedras preciosas e minérios raros.
Ao longo do tempo, processos judiciais aos quais o Intercept teve acesso revelaram um gigantesco esquema de grilagem de terras da união encabeçado pela família, que também acumula mais de R$ 1 milhão em multas por devastação ambiental.
Em 2006, outro tio do senador, que dá nome ao império de comunicação da família (no Amapá, é claro)foi preso no âmbito da operação Alecto, da PF, que investigava um esquema de corrupção, tráfico de influência e crimes contra o erário.
Em 2021, mais um membro da família chegou a ser preso (que coisa, não?) sob a acusação de tráfico de drogas – era dono de um aeródromo usado por traficantes, adivinha onde? Acertou quem respondeu Amapá.
O senador alega que família é família, ele é ele, um não tem nada a ver com o outro – um tanto heterodoxo para um daqueles políticos que se arvora em defensor da família, mas, vá lá. Digamos que o senador despontou para a política por geração espontânea.
Este ente incorpóreo que paira acima de coisas tão banais como laços consanguíneos já teria algumas coisinhas a explicar. Coisa à toa, como acusações de irregularidades na prestação de contas de suas despesas, pagas com verbas da câmara, na época em que era deputado – por exemplo, gastos acima dos preços praticados pelos estabelecimentos aos quais atribuía esses gastos, e despesas excessivas em postos de gasolina… de sua própria família.
Mas tudo isso ficou no passado. Como senador, o presidente do congresso já não é mais obrigado a tornar seus gastos públicos, uma vez que essa obrigação – acreditem ou não – recai apenas sobre os membros da câmara. Um privilégio, aliás, que o senador se empenha em manter, metendo-se em ferozes embates jurídicos com o MP e o TCU. Tem mais?
Tem. Relatório da PF divulgado pela CNN Brasil comprovou que tanto um empresário que pertencia ao diretório da União Brasil (o partido do dito-cujo) preso por fraudes em licitações públicas, quanto o chamado “rei do lixo”, preso pelo mesmo motivo, só que na área da limpeza urbana, mantinham contato direto com a assessora do senador.
Pois bem, é esse o presidente do senado – a fina flor do centrão – que agora bate o pezinho, amuado por não terem lhe dado a prerrogativa do presidente da república de indicar o próximo ministro do STF. Se, como diz o senador, nada da longa folha corrida de sua família lhe diz respeito, vamos deixar a polícia de lado e invocar os psicólogos. Porque o “puer eternus” – o narcisista como criança eterna – está, sim, relacionado ao ambiente familiar.
O menino está urrando, revirando os olhos, rolando no chão e ameaçando o governo com pautas-bomba? Deixa ele tomar um sorvete, ué. Brincar de escolher ministros do STF é outra conversa. Coisa de adultos, sabe como é.”