Seguidamente, tenho dito: um império em decadência é perigoso. Está disposto a tudo para tentar contornar o fato de outra potência, e de modo muito diferente, ganhar hegemonia no mundo, nomeadamente a China.
Os ventos soprados de Ásia são de outra natureza. Não mais violência, não mais golpes. Outras práticas, decorrentes de notável avanço tecnológico, outro rumo de desenvolvimento. EUA, observando esse avanço, está disposto a tudo.
Nessa madrugada, EUA invadem a Venezuela, sequestram o presidente Nicolás Maduro e a mulher dele, Cilia Flores, numa agressão própria de quem acredita na impunidade e na inação das instâncias internacionais.
Trump naturaliza tal atitude e coloca toda a América Latina em estado de alerta, de sobressalto, porque diante de um tirano ensandecido, ou pretendendo parecer assim.
E a verdade: não podemos atribuir o atentado contra a soberania de Venezuela a um rompante tresloucado. Seria ingenuidade. É da política dos EUA.
Republicanos e democratas não são diferentes quanto às pretensões imperiais, desde quando o país chegou à condição de principal potência imperialista, especialmente após o fim da Segunda Guerra Mundial, embora as aspirações de domínio viessem desde o início do século XIX, com a doutrina Monroe.
Trump apenas potencializa, escancara o arbítrio do império. No caso da Venezuela, há uma evidência: petróleo. O argumento democrático é falacioso, como o do narcotráfico. O país é detentor das maiores reservas de petróleo do mundo. EUA farão de tudo para meter as mãos em tais reservas. Não importa quanto sangue correrá. Já está correndo.
Mundo estranho, o que vivemos atualmente. A ONU, hoje, não tem qualquer papel, qualquer autoridade. Perdeu importância, peso, relevância. Claro, isso vem ocorrendo desde muito há muito.
Mas, tal desimportância se acentuou nos últimos tempos, e isso ocorre por conta da atitude deliberada das grandes potências, particularmente dos EUA, do específico papel do Conselho
de Segurança, do poder de veto das forças imperiais.
Assim, os EUA podem seguir na trilha de arbítrio, do desenvolvimento de guerras sem qualquer razão salvo aquela relativa aos interesses deles próprios, de domínio sobre o mundo.
Tudo agravado pela decadência do império, necessitando reunir forças para enfrentar a hegemonia crescente da China, da Rússia, dos Brics. E a violência aparentemente sem sentido, voltada à satisfação dos interesses econômicos deles.
Este, o pano de fundo da violenta e aparente descabida agressão à Venezuela, o sequestro de Maduro e da mulher dele, cujo sentido é plenamente conhecido. Como já disse: é o petróleo, estúpido, parafraseando James Carville, assessor de Clinton.
É hora de os progressistas, democratas, toda a esquerda do Brasil e da América Latina se unirem em defesa da soberania da Venezuela e de todo o continente.
O pau que dá em Chico dá em Francisco, não nos enganemos. Hoje, Trump vaí pra cima da Venenezuela. Quem será o próximo? Fácil perceber ser o Brasil um alvo preferencial. Não fosse por nada, pelo petróleo. Ou pelas terras raras. Por tantas riquezas.
Temos o dever de lutar. E é impossível não nos indignarmos com tal agressão, com o desrespeito à nação irmã, ao presidente daquele país, sequestrado de forma estúpida, inaceitável.
Quem é Trump para dar lições democráticas a qualquer país? Não são poucos a localizar nele o arbítrio, o desrespeito aos direitos humanos, às liberdades essenciais do povo norte-americano, tudo que ele está acostumado a atribuir a dirigentes de outros países, quando tem algum interesse econômico a defender em relação àquela nação.
Não, ele não está à procura de narcotraficantes, muito menos, como já dissemos, está preocupado com a democracia. Volto, insisto: tem interesse é no petróleo, naquelas gigantescas reservas de petróleo. Simples assim.
Vamos nos unir. Todo o mundo democrático, progressista e de esquerda da América Latina deve se unir em defesa da Venezuela, e ao defendê-la, resguardar a soberania do continente, cujo destino não pode e não deve ser atrelado aos interesses de um império decadente, autêntica ave de rapina.
Acho curioso o fato de existirem pessoas de pensamento liberal, e até gente de esquerda, relutantes em apoiar a Venezuela por conta da personalidade de Maduro. Têm vergonha de apoiar abertamente a ação dos EUA, mas ao relutar em defender o país-irmão, acaba por se colocar ao lado do império.
Ninguém, com alguma noção da importância da soberania dos países, autodeterminação dos povos, pode ter dúvidas sobre o lado a ser assumido, e não pode ser, como óbvio, o dos EUA, cuja política, desde o início de sua trajetória imperialista, foi a de agredir nações, pretendendo colocá-las sob o jugo deles.
Sempre, ao atacar países, inventou razões, mentiu, sem qualquer pudor, e não é preciso sequer desenvolver tal argumento. As armas de destruição em massa do Iraque, como armas químicas e biológicas, são um exemplo de montagem de falsidades, não existissem tantos outros.
Nós devemos, temos o dever de levantar a voz contra a agressão à Venezuela. O silêncio será demonstração de cumplicidade com tal violência. Qualquer presidente, se silenciamos, estará sujeito a um sequestro, como ocorreu com o venezuelano.
O império poderá pretender interferir em eleições, como nas nossas, deste ano, essencial para o nosso destino, quando teremos de nos unir para reeleger Lula, não permitir o retorno da barbárie da extrema-direita.
Toda solidariedade à Venezuela. América Latina não aceita sujeitar-se, entregar riquezas aos EUA, muito menos abdicar da soberania, da independência, autodeterminação, do direito de o continente mandar no próprio destino.
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