Por Zeus Naya
Correspondente-chefe na Guatemala
A situação não está indo bem, mas poderia ser pior, o que reflete uma frustração contida em vez de uma rejeição absoluta, de acordo com o estudo de percepção elaborado pela empresa local especializada em análises políticas, Diestra, dois anos e três meses após a posse do governo.
As eleições de segundo grau (para magistrados do Supremo Tribunal Eleitoral, do Tribunal Constitucional e do Procurador-Geral, entre outros) marcaram uma virada, observa o texto.
Muitos entrevistados confirmaram que o sistema mantém sua dinâmica tradicional, o que enfraquece a expectativa de mudança que acompanhou o atual governo liderado pelo presidente Bernardo Arévalo.
DECLARAÇÃO DA SITUAÇÃO
Entre os pontos fortes destacados pelo estudo, a maioria das respostas reconheceu a transparência e o posicionamento ético, uma ruptura com as práticas anteriores e uma clara intenção de agir com integridade, embora com alguma erosão na percepção de confiança.
O instrumento, complementar às pesquisas, também destacou uma alta recorrência de menções relativas ao cumprimento das normas, à legalidade e à separação de poderes, bem como à consolidação da legitimidade formal do Executivo, quando ainda resta um ano e oito meses para o término do mandato da atual administração.
Eles demonstraram abertura ao diálogo, “identificando-se um estilo menos confrontador, com disposição para negociar e reduzir as tensões políticas, algo especialmente valorizado em comparação com as administrações anteriores”.
Eles também admitiram, com uma frequência média a alta nas respostas, a existência de perfis profissionais sólidos em certos ministérios, embora não de forma homogênea dentro do gabinete.
Segundo a análise de Diestra, aproximadamente 50% percebem uma boa relação com atores externos, o que fortalece a legitimidade do Poder Executivo fora do país.
Por outro lado, ele descreveu fragilidades como a incapacidade de execução (a mais repetida), com uma percepção generalizada de que o governo não consegue traduzir planos em resultados concretos.
Isso gerou preocupações sobre a falta de liderança política, um alto grau de concordância na percepção da ausência de uma liderança firme e a dificuldade em exercer controle sobre a agenda.
Da mesma forma, a fraca articulação política foi observada; os entrevistados identificaram uma capacidade limitada para construir alianças e operar dentro do sistema, o que reduz seu escopo de ação.
Eles percebem limitações na gestão e na experiência, equipes com pouca trajetória ou capacidade operacional, o que afeta a qualidade das decisões e da coordenação.
Aproximadamente metade alertou para a comunicação ineficaz, a dificuldade em destacar as conquistas e em gerir a narrativa pública, o que amplifica a percepção de inação.
IMPLICAÇÕES
O governo mantém a legitimidade ética, mas progressivamente perdeu o benefício da dúvida e, sem resultados visíveis, sua capacidade de influenciar a agenda nacional tenderá a diminuir, observou a avaliação.
Eles insistiram que não existem condições de crise aguda, mas sim de estagnação prolongada, o que limita a capacidade de propor reformas estruturais e favorece a inércia do sistema.
Dada a fragilidade política do governo, observaram que outros atores (políticos, institucionais e de facto) mantiveram a capacidade de influenciar áreas-chave.
Eles opinaram que a frustração reprimida poderia ser explorada por figuras com uma retórica mais confrontativa, populista ou polarizadora, na preparação para o ciclo eleitoral de 2027.
De acordo com formadores de opinião, isto abre uma oportunidade para o surgimento de líderes que consigam combinar credibilidade com capacidade operacional e boa direção política, um espaço que não está totalmente ocupado.
CONQUISTAS
Este último diagnóstico referia-se a conquistas limitadas, concentradas em áreas específicas, como a educação: a área em que se percebe um progresso concreto e visível.
Este setor destaca-se como líder entre os resultados da atual administração (2024-2028), associado a ações que geraram claro reconhecimento, especialmente pela firmeza em relação ao Sindicato dos Trabalhadores da Educação da Guatemala.
Segundo ele, a política externa continua sendo um trunfo relevante, ligado à capacidade do Executivo de manter relações estratégicas e projetar estabilidade internacionalmente.
De acordo com Diestra, as conquistas mencionadas refletem uma lógica de contenção em vez de transformação. Os entrevistados reconheceram que o país manteve um certo grau de estabilidade política e econômica, mas sem evidências claras de progresso estrutural.
Elementos como a imagem do país e a classificação de risco surgem como resultados complementares, o que reforça a percepção de um progresso limitado e concentrado, argumentou ele.
SOBRE CRISES PASSADAS
A evolução ao longo dos últimos três meses mostra uma mudança na composição das crises percebidas. Embora a segurança e a violência continuem sendo o principal problema, seu peso relativo está diminuindo, observou a avaliação.
No mês anterior – acrescentou – as preocupações relacionadas ao custo de vida e às tensões institucionais tornaram-se mais evidentes, particularmente em torno dos processos políticos e dos principais atores do sistema de justiça.
Isso reflete – afirmou ele – uma mudança de uma crise altamente concentrada para um cenário em que múltiplos problemas compartilham relevância.