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domingo, 24 maio 2026

A trajetória da Guatemala: conquistas e crises percebidas

Cidade da Guatemala (Prensa Latina) A Guatemala não está caminhando na direção certa, não havendo uma visão predominante de crise, mas sim de estagnação, de acordo com uma compilação de avaliações de 94 líderes de opinião divulgada recentemente.

Por Zeus Naya

Correspondente-chefe na Guatemala

A situação não está indo bem, mas poderia ser pior, o que reflete uma frustração contida em vez de uma rejeição absoluta, de acordo com o estudo de percepção elaborado pela empresa local especializada em análises políticas, Diestra, dois anos e três meses após a posse do governo.

As eleições de segundo grau (para magistrados do Supremo Tribunal Eleitoral, do Tribunal Constitucional e do Procurador-Geral, entre outros) marcaram uma virada, observa o texto.

Muitos entrevistados confirmaram que o sistema mantém sua dinâmica tradicional, o que enfraquece a expectativa de mudança que acompanhou o atual governo liderado pelo presidente Bernardo Arévalo.

DECLARAÇÃO DA SITUAÇÃO

Entre os pontos fortes destacados pelo estudo, a maioria das respostas reconheceu a transparência e o posicionamento ético, uma ruptura com as práticas anteriores e uma clara intenção de agir com integridade, embora com alguma erosão na percepção de confiança.

O instrumento, complementar às pesquisas, também destacou uma alta recorrência de menções relativas ao cumprimento das normas, à legalidade e à separação de poderes, bem como à consolidação da legitimidade formal do Executivo, quando ainda resta um ano e oito meses para o término do mandato da atual administração.

Eles demonstraram abertura ao diálogo, “identificando-se um estilo menos confrontador, com disposição para negociar e reduzir as tensões políticas, algo especialmente valorizado em comparação com as administrações anteriores”.

Eles também admitiram, com uma frequência média a alta nas respostas, a existência de perfis profissionais sólidos em certos ministérios, embora não de forma homogênea dentro do gabinete.

Segundo a análise de Diestra, aproximadamente 50% percebem uma boa relação com atores externos, o que fortalece a legitimidade do Poder Executivo fora do país.

Por outro lado, ele descreveu fragilidades como a incapacidade de execução (a mais repetida), com uma percepção generalizada de que o governo não consegue traduzir planos em resultados concretos.

Isso gerou preocupações sobre a falta de liderança política, um alto grau de concordância na percepção da ausência de uma liderança firme e a dificuldade em exercer controle sobre a agenda.

Da mesma forma, a fraca articulação política foi observada; os entrevistados identificaram uma capacidade limitada para construir alianças e operar dentro do sistema, o que reduz seu escopo de ação.

Eles percebem limitações na gestão e na experiência, equipes com pouca trajetória ou capacidade operacional, o que afeta a qualidade das decisões e da coordenação.

Aproximadamente metade alertou para a comunicação ineficaz, a dificuldade em destacar as conquistas e em gerir a narrativa pública, o que amplifica a percepção de inação.

IMPLICAÇÕES

O governo mantém a legitimidade ética, mas progressivamente perdeu o benefício da dúvida e, sem resultados visíveis, sua capacidade de influenciar a agenda nacional tenderá a diminuir, observou a avaliação.

Eles insistiram que não existem condições de crise aguda, mas sim de estagnação prolongada, o que limita a capacidade de propor reformas estruturais e favorece a inércia do sistema.

Dada a fragilidade política do governo, observaram que outros atores (políticos, institucionais e de facto) mantiveram a capacidade de influenciar áreas-chave.

Eles opinaram que a frustração reprimida poderia ser explorada por figuras com uma retórica mais confrontativa, populista ou polarizadora, na preparação para o ciclo eleitoral de 2027.

De acordo com formadores de opinião, isto abre uma oportunidade para o surgimento de líderes que consigam combinar credibilidade com capacidade operacional e boa direção política, um espaço que não está totalmente ocupado.

CONQUISTAS

Este último diagnóstico referia-se a conquistas limitadas, concentradas em áreas específicas, como a educação: a área em que se percebe um progresso concreto e visível.

Este setor destaca-se como líder entre os resultados da atual administração (2024-2028), associado a ações que geraram claro reconhecimento, especialmente pela firmeza em relação ao Sindicato dos Trabalhadores da Educação da Guatemala.

Segundo ele, a política externa continua sendo um trunfo relevante, ligado à capacidade do Executivo de manter relações estratégicas e projetar estabilidade internacionalmente.

De acordo com Diestra, as conquistas mencionadas refletem uma lógica de contenção em vez de transformação. Os entrevistados reconheceram que o país manteve um certo grau de estabilidade política e econômica, mas sem evidências claras de progresso estrutural.

Elementos como a imagem do país e a classificação de risco surgem como resultados complementares, o que reforça a percepção de um progresso limitado e concentrado, argumentou ele.

SOBRE CRISES PASSADAS

A evolução ao longo dos últimos três meses mostra uma mudança na composição das crises percebidas. Embora a segurança e a violência continuem sendo o principal problema, seu peso relativo está diminuindo, observou a avaliação.

No mês anterior – acrescentou – as preocupações relacionadas ao custo de vida e às tensões institucionais tornaram-se mais evidentes, particularmente em torno dos processos políticos e dos principais atores do sistema de justiça.

Isso reflete – afirmou ele – uma mudança de uma crise altamente concentrada para um cenário em que múltiplos problemas compartilham relevância.

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