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Papo do Dia

Postado em 11/08/2021 6:47

A PEDAGOGIA COLONIAL ASSALTA, CORROMPE E DISSOLVE A NAÇÃO

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 Pedro Augusto Pinho*

No outono de 1994, o economista e político estadunidense, algumas vezes candidato à presidência dos Estados Unidos da América (EUA), Lyndon LaRouche publicou o ensaio “How Bertrand Russell Became an Evil Man”, na revista Fidelio (volume III, nº 3).

Este e artigo posterior (“The Wells of Doom”, Executive Intelligence Review, 19/12/1997) foram traduzidos por Gildo Magalhães e Yara Nogueira Müller para o Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIA), compondo o livro “O Governo Mundial” (MSIA, RJ, 1999).

No Prólogo, escreve LaRouche que “a chispa de gênio da criança pré-escolar se expressa de um modo socrático pela pergunta: “por que?”.

Mas o “hábito de indagar” foi substituído “pela fé embrutecedora”, os “frutos da mera generalização” de experiências individuais e coletivas, a “autodegradação moral” denominada “senso prático ou comum”. E acrescenta: o “formalismo mata a alma”.

E, exemplifica a ausência do exercício socrático com a enorme farsa que foi o uso pelos EUA das “duas únicas bombas de fissão nuclear que tinham em seu arsenal” nas cidades japonesas: Hiroshima e Nagasaki.

“O Governo dos EUA mentiu quando disse que isto foi necessário para salvar as vidas de cerca de um milhão de soldados estadunidenses. Porém, antes que se lançassem as bombas, o imperador do Japão, por intermediação do Vaticano (cardeal Montini, futuro Paulo VI, com Max Corvo, oficial do serviço secreto – US-O.S.S.), já estava negociando a rendição ao governo Truman, nos mesmos termos em que foi aceita após o lançamento das bombas”.

Robert Lewis, copiloto do “Enola Gay”, bombardeiro B-29, confessou a Robert Rhodes (The Making of the Atomic Bomb, Simon and Schuster, NY, 1986): “mesmo que viva cem anos nunca poderei apagar da minha mente aqueles minutos”.

E se o pretexto foi falso, qual a razão do crime?

Afirma LaRouche: Bertrand Russell (Bulletin of the Atomic Scientists, 01/09/1946) “expõe os motivos pelos quais ele, Churchill et alii continuariam usando a ameaça geopolítica das bombas nucleares: chantagear Moscou, para que se submetesse a um acordo cujo propósito, como explicitou Russell, era transformar a recém-criada ONU no tipo de ditadura “unimundista”, pela qual os seus utópicos federalistas mundiais têm trabalhado ao longo de todo este século”. A globalização neoliberal, enfim obtida nos anos 1980 com as desregulações e o Consenso de Washington, que vem sugando e concentrando recursos em gestores de ativos apátridas, disseminando desemprego, fome e miséria, e promovendo pandemias para diminuição populacional da Terra.

Temos outro exemplo, que aqui trazemos por envolver um probo e competente profissional brasileiro.

A farsa começa em 2001 com o auto ataque estadunidense que dá início à “guerra contra o terror”. A este respeito recomendo a leitura de “11 de setembro de 2001, uma Terrível Farsa” de Thierry Meyssan (Editora Usina do Livro, BH, 2003) que recebeu a seguinte avaliação: “revela a terrível farsa da versão oficial do governo americano sobre os acontecimentos de 11 de setembro de 2001. Fundamentado em farto material documental e investigativo, o autor faz uma descrição precisa dos ataques, evidenciando a impossibilidade da queda de um Boeing sobre o Pentágono naquele fatídico dia. De fato, não existem registros fotográficos do suposto avião que teria atingido a sede militar dos Estados Unidos. As fotografias mostram, ao contrário, que o edifício foi atingido por um objeto certamente menor que um Boeing” (Daniele Negreiros de Araújo, Casimiro de Abreu, RJ).

O episódio “Operação Liberdade do Iraque”, na publicidade estadunidense, se insere no contexto da “Guerra Global contra o Terrorismo”.

Pretendiam os EUA uma coligação de países, para dar ideia de uma ação global e, certamente, menos dispendiosa, contra o Iraque, detentor de grandes reservas de petróleo, cujo governo se afastara dos EUA após a guerra contra o Kuwait e a Guerra do Golfo (1990-1991).

 

Para tanto, pretendia que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), organização internacional criada em 1997, atestasse o perigo para humanidade das armas químicas, de destruição em massa, em posse do país governado por Saddam Hussein.

O general estadunidense Wesley Clark, ex-comandante da OTAN, escreveu no livro “Winning Modern Wars” (“Vencendo Guerras Modernas”, de 2003), conversas com oficiais de alta patente do Pentágono após as farsas de 11 de setembro. Desdobrar-se-iam na invasão de sete países do Oriente Médio, em cinco anos. Ele relata: “enquanto eu caminhava pelo Pentágono em novembro de 2001, um dos oficiais graduados das forças armadas” confidenciou: “Nós ainda estamos seguindo com os planos para o Iraque”. E foi além, declarando que isso tudo era parte de uma campanha de cinco anos, “havia planos para atacar mais sete países, começando pelo Iraque, quais sejam, a Síria, o Líbano, a Líbia, o Irã, a Somália e o Sudão”.

A credibilidade estadunidense não era alta, pois apenas o Reino Unido, sua Austrália, e a Polônia aceitaram participar do conflito. Lembremos que a Polônia foi governada de 1990 a 1995 pelo sindicalista Lech Wałęsa, uma criação ocidental para que muito contribuiu o Cardeal Karol Wojtyła (Papa João Paulo II), mas derrotado nas eleições seguintes, tendo obtido, em 2000, menos de 1% dos votos.

Do lado da OPAQ, temos a personalidade insubornável e austera do embaixador José Maurício de Figueiredo Bustani, eleito para ser o primeiro diretor-geral da Organização no período 1997-2000, e reeleito, por unanimidade, para o período 2001-2005. O embaixador dos EUA, John R. Bolton, em total sintonia com o então presidente George W. Bush, chegou a ameaçar o embaixador Bustani pessoalmente.

Leiamos o que escreveu Eliane Cantanhêde, na sexta-feira, 05 de julho de 2002, para o jornal Folha de S.Paulo:

“Depois de ser destituído da direção geral da Opaq (Organização para a Proscrição das Armas Químicas) pelos Estados Unidos, o embaixador brasileiro José Maurício Bustani está sendo novamente punido: ontem, o Itamaraty suspendeu seu posto provisório e o chamou de volta a Brasília. A decisão foi tomada numa conversa entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, no Palácio do Planalto, terça-feira, dia da comemoração do pentacampeonato mundial de futebol”.

“Bustani foi eleito para a direção geral da Opaq e depois destituído, igualmente por voto, por pressão dos EUA. Ele alega que caiu em desgraça por defender a inclusão no organismo de inimigos tradicionais dos EUA, como Líbia e Iraque. Acusa os EUA de forçar uma guinada na Opaq para favorecer indústrias químicas”.

Efetivamente, como relata o Embaixador, em dezembro de 2002, “O Brasil e a OPAQ: diplomacia e defesa do sistema multilateral sob ataque” (scielo.br/j/ea/a/ksCCYMDFtVHgpVKSPRWNc7m/?lang=pt):

“Parecia evidente que um tratado multilateral como a Convenção para a Proibição das Armas Químicas (CPAQ) somente poderia favorecer, com o tempo, uma transparência maior dos movimentos internacionais de agentes químicos sujeitos aos mecanismos de verificação da Convenção. Mais importante ainda, a Convenção obriga as autoridades nacionais e outras agências nacionais de implementação a manterem contatos regulares e diretos com suas contra partes em outros Estados membros, de modo a poder conciliar dados e identificar possíveis problemas em seus mecanismos nacionais de monitoramento e troca de informações. Uma semelhante compilação de dados com respeito à implementação de qualquer convenção não seria possível por qualquer país individualmente, fora de um mecanismo jurídico multilateral adequado. Recém-nomeado para a chefia da OPAQ, em 1997, cabia-me a responsabilidade de fazer vingar o primeiro tratado abrangente, não discriminatório e efetivamente verificável por meio de mecanismos internacionais. Nenhum outro tratado multilateral, no campo do desarmamento e da segurança, trazia em seu bojo tantas qualidades e possibilidades e tantos novos recursos de implementação”.

“Diante da pressão da opinião pública e da imprensa em geral, o silêncio de Brasília e a ineficácia e a inconsequência dos termos das chamadas “instruções” oficiais sobre o assunto, que os arquivos do Itamaraty e dos postos no exterior protegerão para a posteridade, foram agravados pela embaraçosa situação a que fui exposto quando, em programa da televisão britânica, ouvi de John Bolton, mola mestra de minha destituição, que “even the government of Brazil, from where Mr. Bustani comes, has said that this (a iniciativa de destituir-me) is an entirely appropriate multilateral action”… (até o governo do Brasil, de onde vem o senhor Bustani, disse que esta (uma iniciativa de destituir-me) é uma ação multilateral inteiramente apropriada”…).

Aliás, em encontro mantido com o representante permanente dos Estados Unidos junto à OPAQ, Donald Mahley, quando insisti em que não havia dúvida a respeito do apoio do presidente de meu país à minha manutenção à frente da OPAQ, respondeu-me ele que eu deveria então “pedir a meu presidente que passasse esta instrução ao meu chanceler”.

O triunfo do capitalismo financeiro sobre o capitalismo industrial, a partir das crises do petróleo dos anos 1970, mudou radicalmente as relações e objetivos da sociedade humana. Não que fosse consciente ou fruto de qualquer opção. Foi imposto como uma religião, e também teve apoio da teologia neopentecostal da prosperidade.

Estudando a história sob a ótica do poder, poderíamos até considerar que o interregno das duas últimas décadas do século XIX e 1960, das grandes conquistas tecnológicas e da ampla industrialização, foi atípico do poder predominante fundiário-mercantil-financeiro. E cada vez mais monetizado.

Este poder se fortalece na corrupção, do bolso e das mentes. Por isso que se apossou das comunicações e das pedagogias. Este sistema é incompatível com os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), com os propósitos educacionais de Anísio Teixeira, Paulo Freire e Darcy Ribeiro, com os projetos de industrialização, de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Ernesto Geisel e, como afirma com clareza o megaespeculador George Soros, tem no nacionalismo seu maior inimigo.

O que chamei de “banca”, o sistema financeiro internacional até 2000, hoje, com a imensa participação dos capitais ilícitos, deu-nos um novo cartão de visita: gestor de ativos. Entidades que tem suas sedes efetivas em paraísos fiscais, trabalham para dissolução dos Estados Nacionais e suas substituições por escritórios dos gestores de ativos, a moeda universal, uma só lei, um só idioma. O que a Inglaterra obteve no século XIX para seu império onde o sol nunca se punha se generaliza para um sistema.

Não mais países, ideologias humanitárias. Combater o comunismo, ou as esquerdas ou o que seja, são as fantasias para aprofundar o poder dos gestores. Colocar o mundo cada vez mais reduzido, menos diversificado, de riqueza mais concentrada e menos populoso. O grande inimigo do capital financeiro, tenho escrito há alguns anos, é a demografia, o crescimento populacional. A pandemia do covid no Brasil não foi apenas um caso de corrupção e omissões, foi a execução do objetivo de reduzir a população: menos nascimentos e mais mortes.

A República Popular da China (RPC), que é dos poucos Estados Nacionais a combater os gestores de ativos, já eliminou a restrição do filho único. Com três filhos a RPC voltará a crescer. As guerras e as pandemias são objetivos dos gestores. E, também neste aspecto, o Embaixador Bustani acertou: aos fabricantes de armas não interessa a paz e quem trabalhe por ela. Ou teria sido mais outra ironia a concessão antecipada do Prêmio Nobel da Paz ao belicoso Barack Obama ou uma homenagem a seu vice-presidente Joe Biden, representante de um estado paraíso fiscal nos EUA?

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

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