Rosa Weber quer a Constituição traduzida ao Nheengatu até setembro, quando ela se aposenta. Sua viagem à Amazônia Indígena foi feita para aproximar o Judiciário dos povos originários, com ações que facilitam o acesso à Justiça e garantem os seus direitos constitucionais. Na ocasião, foi feito o lançamento das traduções de cartazes em quatro línguas: Tikuna, Marubo, Matis e Kanamari, com informações sobre o direito à terra, prevenção de maus-tratos, violência, direitos das pessoas presas.
Além disso – quem sabe? – antes da sua aposentadoria, a presidenta da Corte Suprema deixa determinado que se traduza a Constituição também para aquela variedade do Guarani decretada, em novembro de 2006, na XXIII Reunião do Mercosul Cultural, como língua oficial do Mercosul, ao lado do espanhol e do português. As variedades do Guarani são faladas em mais de 100 municípios brasileiros, no Paraguai, Argentina, Bolívia e até por um pequeno número de usuários no Uruguai.
Resta a pergunta: afinal, qual a língua do texto acima citado e qual o significado dele? Trata-se do artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, traduzido à língua Shuar-Chicham: “Todos os seres humanos nascem livres e igual em dignidade e direitos. Eles são dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns ao outros em espírito de fraternidade”.
Hoje os Shuar continuam gostando de se enfeitar com luxuosas coroas de plumas e de se tatuar com pinturas. Possuem uma emissora de rádio que transmite programas musicais e noticiário jornalístico em língua Shuar, alternando com o castelhano, apesar da censura e ataques por parte dos aparelhos repressivos.