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Pedro Augusto Pinho
Esopo (620 a.C. – 564 a.C.) escreveu fábulas que venceram séculos, influenciando escritores como os atenienses Sócrates (470 a.C.- 399 a.C.) e Aristófanes (447 a.C. – 385 a.C.), o francês Jean de La Fontaine (1621 – 1695), os alemães Irmãos Grimm (Jacob 1785-1863 e Wilhelm 1786 – 1859) e o brasileiro José Bento Renato Monteiro Lobato (1882 – 1948).
Pela enorme atualidade, resumiremos a fábula de “O Lobo e o Cordeiro”, do Esopo.
Um lobo faminto encontra um jovem cordeiro bebendo água em um riacho. Logo passa a agredi-lo: “você está sujando a água que eu vou beber”. “Mas como, senhor lobo, se você está na parte alta do riacho e eu bebo na parte baixa?”. O lobo revida: “você anda falando mal de mim”. Retruca o cordeiro: “mas hoje é a primeira vez que saio de casa, como poderia ter falado mal do senhor”. Já desesperado, o lobo retruca, “se não foi você foi seu irmão ou seu pai e eu vou comê-lo”.
Se colocarmos as imagens de Donald Trump e do Brasil teremos os personagens desta fábula em 2026, no episódio dos “tarifaços” aplicados a produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos da América (EUA).
No entanto, toda mídia discute se o “tarifaço” beneficia a campanha de Lula ou de Flávio Bolsonaro à presidência do Brasil. A propósito, este modesto escriba tem curiosidade sobre onde e quando Flávio Bolsonaro prestou exame na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para ser advogado de seu pai, atualmente em prisão domiciliar humanitária, e se tem um escritório.
E, sendo este advogado também senador, é impossível não reconhecer quando retrocedeu a cultura do Senado Brasileiro do século passado, quando nele tivemos o gênio Darcy Ribeiro, para estes dias de “tariflávio”, onde nenhuma voz se levanta em defesa do interesse e da soberania do povo brasileiro.
Darcy exerceu o mandato de Senador pelo Rio de Janeiro entre fevereiro de 1991 e 17 de fevereiro de 1997, data do seu pranteado falecimento. Desde o primeiro ano de senador dedicou-se à instrução. Efetivamente, o Brasil jamais levou a educação a sério, ao contrário, as iniciativas de Benjamin Constant Botelho de Magalhães, de Getúlio Dornelles Vargas e do próprio Darcy Ribeiro nos governos de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, tão logo estes brasileiros foram afastados do poder, foram imediatamente destruídas. Hoje, os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) não são mais escolas de tempo integral e, se existirem como edificações, estarão, na imensa maioria, descuidadas, com precárias condições de uso. Mais uma iniciativa que a ignorância, a corrupção e os interesses mesquinhos torpedeiam para manter seus privilégios e mordomias ao preço de uma nação bolzonarizada.
Vamos recordar as Cartas’, que desde 1991 Darcy empreendeu com os recursos do Senado para que intelectuais brasileiros e estrangeiros fossem acessíveis aos brasileiros. Vejamos a Carta’ de 1991. Além do próprio Darcy Ribeiro, nela encontraremos artigos e reflexões de Octávio Paz (1914-1998), poeta e ensaísta mexicano, Norberto Bobbio (1909-2004) filósofo, escritor e político italiano, Marie-France Toinet (1942-1995) cientista política francesa, prolífica analista da política estadunidense, Leopoldo Zea (1912-2004), filósofo mexicano, James Petras (1937-2026), sociólogo estadunidense, apoiador do Movimento dos Sem Terra (MST), no Brasil, entre muitos outros cujas entrevistas ocupam as páginas do Carta’.
A função que foi exercida por Darcy Ribeiro está hoje ocupada por políticos do Partido Liberal (PL): o ex-jogador de futebol Romário de Souza Faria (1966), e os advogados Carlos Francisco Portinho (1973) e Flávio Nantes Bolsonaro (1981). Todos absolutamente incapazes de editar uma revista como a Carta Capital, do saudoso Mino Carta (1933-2025), o que se dirá de uma Carta’, do genial Darcy Ribeiro.

AFP
Vamos examinar o tarifaço de Trump.
É evdente que não se trata de medida protetora da economia estadunidense, que sofrerá maior inflação com sua aplicação. Trata-se de uma ação política imperialista, no sentido colonial. A América Latina foi entregue à gestão do Secretário de Estado Marco Antonio Rubio (1971), filho de pais cubanos, Mario Rubio Reina e Oriales Garcia, que deixaram Cuba e emigraram para os EUA em 1956, o que explica sua fluência no idioma espanhol.
A América Latina está sendo tomada por movimentos de direita antinacional, como já se vê na Argentina, no Chile, na Colômbia, no Equador, que tem presidente nascido nos EUA, e no Peru. O que foi a África nos séculos XIX e XX para os imperialistas europeus, será, se não houver reação nacionalista, o futuro da América Latina.
O tarifaço é medida de condução da economia brasileira, tanto que o Pix, sistema de pagamento criado pelo Banco Central do Brasil, está incluído nas medidas, bem como o combate ao crime organizado, sob o pretexto de combate ao terrorismo.
O que é contraditório mas não surpreendente, é ver Flávio Bolsonaro apoiando e até lutando para impor as medidas de Trump no Brasil. Vejamos o que está na “Wikipedia” sobre o filho mais velho do Jair Messias Bolsonaro.
Flavio Bolsonaro, Domingos Brazão e Adriano da Nóbrega
“Em abril de 2015, votou a favor da nomeação de Domingos Brazão para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, nomeação que foi muito criticada na época. Durante sua atuação como deputado, Flávio Bolsonaro reiteradamente mostrou-se próximo de Adriano da Nóbrega, policial que viria a ser revelado como membro da milícia conhecida como Escritório do Crime. Em 2003, o então deputado estadual fez uma moção de louvor, ao na época tenente, por sua atuação como policial. No ano seguinte, Adriano foi preso por assassinar um guardador de carros e no ano seguinte, 2005, com Adriano ainda preso, Flávio concedeu-lhe a Medalha Tiradentes.”
“Em 2007, reeleito deputado no ano anterior, Flávio fez um discurso na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) defendendo milícias. No mesmo ano, em entrevista à imprensa, o deputado defendeu novamente esta posição e considerou um projeto para legalização de milícias. No mesmo ano, Flávio nomeia para seu gabinete a então esposa de Adriano, Danielle Mendonça da Nóbrega, cargo que ocuparia por 11 anos. Indícios coletados posteriormente na Operação Gárgula apontam que ela seria uma funcionária fantasma, recebendo sem trabalhar. Em 2008, durante a instalação da CPI das Milícias na ALERJ, em discurso Flávio volta a defender milicianos. Em 2011, com o assassinato da juíza Patrícia Acioli, que investigava milícias, o deputado relativizou o assassinato. Uma defesa similar ocorreu em 2015, quando defendeu milicianos detidos após agredirem uma juíza.”
“A relação com a família de Adriano da Nóbrega continuaria em 2016, quando Flávio Bolsonaro nomeou Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano, para seu gabinete. Tanto ela como a ex-mulher Danielle continuariam nos cargos até 2018, quando o deputado foi eleito senador, e no momento em que surgiam suspeitas das chamadas “rachadinhas”. Em 2019, como senador, foi contra a instalação de uma Comissão parlamentar de inquérito sobre milícias.”





