26.6 C
Brasília
segunda-feira, 20 abril 2026

FAO alertou para o agravamento da insegurança alimentar no Haiti

Roma, 20 de abril (Prensa Latina) A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou para o agravamento da insegurança alimentar aguda no Haiti, que já afeta metade da população, segundo um relatório divulgado hoje.

Uma nota publicada pela assessoria de imprensa dessa instituição internacional destaca que, segundo a última atualização da Classificação Integrada de Segurança Alimentar (CIA), um total de 5.830.000 habitantes desse país caribenho estão na Fase 3 ou superior desse indicador.

A análise, elaborada pela Coordenação Nacional de Segurança Alimentar (CNSA), destaca que esse número representa um aumento de 130 mil pessoas em comparação com a análise anterior, realizada em setembro de 2025, o que confirma a contínua deterioração dessa situação que já afeta 52% da população haitiana.

Desse total, 1,8 milhão estão em situação de emergência, correspondendo à Fase 4 do IPC, e necessitam de assistência humanitária imediata, segundo o texto.

A análise destaca que, graças aos esforços conjuntos do governo haitiano, da FAO e do Programa Mundial de Alimentos (PMA), quase 200 mil pessoas superaram essa quarta fase crítica em comparação com o ano passado.

Em consequência da violência naquele país, ligada a grupos armados, tanto em áreas urbanas quanto rurais, mais de 1,4 milhão de pessoas foram deslocadas, pressões agravadas pela instabilidade econômica global, incluindo o aumento dos preços dos combustíveis, relacionado ao conflito no Oriente Médio.

Além disso, o aumento dos custos de transporte e produção agrícola afeta diretamente a disponibilidade e a acessibilidade dos alimentos, agravando ainda mais a vulnerabilidade das famílias haitianas, segundo os autores desse estudo.

Além disso, existem desastres climáticos recorrentes que também prejudicam a produção agrícola, acrescentam os especialistas, citando as consequências do furacão Melissa, que atingiu as regiões do sul em outubro de 2025, causando perdas significativas de gado e plantações, afetando os meios de subsistência e a produção de alimentos.

Pierre Vauthier, representante da FAO no Haiti, afirmou, em relação à situação atual naquele país, que o fim da crise humanitária será impossível sem o fortalecimento do setor agrícola nacional.

“Apoiar a produção local de alimentos é tanto uma resposta imediata quanto um caminho para a transformação a longo prazo, e ao investir na agricultura local, contribuímos para estabilizar comunidades vulneráveis, bem como para reduzir a dependência de ajuda externa e importações”, acrescentou Vauthier.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS