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sábado, 21 fevereiro 2026

A farsa de Trump no Caribe: um ataque à soberania regional

HispanTV – Análise de Juan Alberto Sánchez Marín sobre a Operação “Lanza del Sur”: uma luta contra o narcotráfico ou execuções extrajudiciais? A verdade por trás do sequestro de Maduro e o Corolário Trump.

O Mar do Caribe não é hoje um espaço de trânsito, mas sim o palco de um espetáculo sinistro que já ceifou mais de cem vidas.

As rajadas de tiros do Comando Sul iluminaram mais uma vez o horizonte na Operação “Lança do Sul”. Mais barcos foram destruídos e mais vidas foram perdidas sob a bandeira da “luta contra o narcotráfico”.

Na sequência dos lançamentos de mísseis, é claro que não há apreensões nem julgamentos. O que há é a implementação brutal da Estratégia de Segurança Nacional 2025 e do “Corolário Trump”, uma doutrina que torna o direito internacional sem sentido.

E isso, paradoxalmente, enfraquece a própria influência de Washington, alienando seus aliados históricos na região, que hoje encaram com desconfiança a agressividade de um império que substituiu a cooperação pela força bruta.

A farsa judicial como arma de guerra

O epicentro dessa infâmia foi o bombardeio de Caracas em 3 de janeiro, seguido pelo sequestro do presidente legítimo da Venezuela. Esses não são atos de justiça, mas sim ações para justificar a pirataria moderna e forçar uma mudança de poder pela força.

Um colapso institucional dessa magnitude na Venezuela não traria liberdade, mas desestabilizaria profundamente toda a bacia do Caribe, desencadeando crimes transnacionais e causando um aumento maciço nos fluxos migratórios que o próprio governo Trump afirma querer conter.

O mundo está testemunhando uma flagrante contradição: enquanto a Casa Branca justificou a intervenção sob a narrativa do “narcoestado”, o próprio Ministério Público dos EUA, por uma falha de honestidade processual ou por pura arrogância, teve que reformular as acusações nas últimas semanas.

Nos documentos apresentados ao Tribunal Distrital do Sul de Nova York em fevereiro de 2026, as acusações de tráfico de drogas foram atenuadas, devido à falta de provas atuais, o que obrigou os promotores a recorrer a supostos eventos de duas décadas atrás.

Um rastro de sangue sem provas.

O número de suspeitos de serem “narcoterroristas” mortos desde setembro já ultrapassou 150. O Comando Sul utiliza mísseis caros para destruir embarcações suspeitas, sem necessidade de apresentar qualquer prova. Trata-se de uma execução sumária realizada a partir de um destróier ou de um drone.

Conforme denunciou a Presidência colombiana, a maioria desses “alvos” são trabalhadores marítimos, vítimas colaterais de uma administração que precisa de corpos para justificar seu orçamento de guerra.

Casos como o de Alejandro Carranza, um pescador morto por um míssil americano, comprovam que Washington prefere corpos para seus comunicados à imprensa à justiça nos tribunais.

A pressão sobre o governo de Gustavo Petro não é sutil; ao questionar essa carnificina, a Colômbia foi incluída em listas de “não cooperação”, numa tentativa de forçar o país a retornar a uma subordinação militarista que voltará a ensanguentar suas costas.

Os arquitetos do caos: Rubio e a arrogância imperial

Por trás dessa máquina, paira a sombra de figuras que fizeram da hostilidade em relação à América Latina sua carreira política. O secretário de Estado Marco Rubio emerge como o ideólogo dessa “limpeza” regional.

Rubio e o governo Trump não estão tentando interromper o fluxo de drogas — que continua a inundar as cidades americanas por outras rotas — mas sim consolidar o controle absoluto sobre a região.

No entanto, essa política agressiva corre o risco de ser contraproducente para os interesses dos EUA, já que a violência indiscriminada apenas leva os países latino-americanos a buscar refúgio e alianças em blocos de poder alternativos.

A agonia da hegemonia: de Caracas a Teerã

Essa brutalidade regional não ocorre isoladamente. As figuras sinistras por trás dessa política entendem que a hegemonia dos EUA está ruindo. O que estamos testemunhando no Caribe é a reação violenta de um império que perde terreno para a multipolaridade.

A “Doutrina Donroe” (ou Corolário Trump) é a tentativa desesperada de um poder que já não consegue convencer e só sabe atacar.

Embora Washington ameace com ações semelhantes contra o Irã, a Rússia e a China, utiliza a América Latina como campo de testes.

O destacamento de aeronaves AC-130J em bases regionais e as manobras militares no Golfo de Omã são duas faces da mesma moeda: Estados Unidos arrogantes que, diante da incapacidade de competir economicamente com o eixo do Sul Global, optam pela “cinética” da destruição.

Objetivo: desestabilização regional

A arrogância imperial chegou a um ponto sem retorno. O sequestro de um presidente e os assassinatos sistemáticos no mar são peças de um quebra-cabeça cujo nome é dominação.

A desestabilização do Caribe não é uma vicissitude ou uma falha da política dos EUA; faz parte dos cálculos.

A América Latina precisa entender que o “Corolário Trump” não busca nos proteger do crime, mas sim condenar nossa autonomia para garantir que, em sua queda, o império ainda possa fortalecer seu domínio sobre nossos vizinhos.

O derramamento de sangue no Caribe e o cerco de Caracas comprovam que, para o império, a verdade é o principal alvo a ser destruído.

Por: Juan Alberto Sánchez Marín

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