– Vovó Rõnöre passou a ser chamada de Mamã Grande por ter criado muitas crianças, cujos pais morreram na luta em defesa do território, completamente inundado pelo lago do reservatório da Usina Hidrelétrica de Tucuruí – diz a cacica Kátia, que relembra a luta durante a ditadura empresarial-militar, na década de 1970, quando após as mortes, foram deslocados compulsoriamente de seu território tradicional para a Terra Indígena Mãe Maria, localizada no município de Bom Jesus do Tocantins (PA).
Kátia continua ressaltando o caráter de educadora de sua avó:
Kátia informa que com a expulsão do território original, Mamã Grande e seu povo sofreram, mas continuam até hoje procurando justiça por não se conformarem com o tipo de reparação concedido pela Eletronorte:
Ah, já ia me esquecendo de Maria del Rosário Castañeda y Montero falecida aos 92 anos. Garcia Márquez diz que a Mamá Grande do seu conto foi sepultada também debaixo de chuvinha fina, mas com pompa e ostentação. Seu corpo foi embalsamado. Sinos de todas as igrejas tocaram durante nove dias do luto oficial. Compareceram o presidente da República, ministros, banqueiros, donos de fábricas e do comércio, generais, deputados, senadores e até o papa veio de Roma para reverenciar o poder da defunta. O Poder estava presente.