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terça-feira, 31 março 2026

Entrevista com Adolfo Curbelo, embaixador de Cuba no Brasil

Entrevistado por Emiliano José, Hélio Doyle, Laurindo Lalo Leal, Valter Xéu, Pedro Pinho, Beto Almeida e Alberto Freitas

Pátria Latina – Pergunta e reflexão. Cuba, os primeiros anos da Revolução, enfrenta o bloqueio norte-americano, ação própria do imperialismo, cujo momento é de maior agressividade ainda, já que sob a direção política da extrema-direita. Como enfrentar o desafio do desenvolvimento apesar do bloqueio, que não acabará de uma hora pra outra, o fim dele depende de mudanças mundiais. Cuba merece todo nosso respeito, apoio e solidariedade.

Embaixador – Apesar de ser um país subdesenvolvido submetido ao bloqueio mais longo da história, tem alcançado logros socioeconômicos importantes, o que demonstra a capacidade de seu povo não só para resistir, mas também para se desenvolver. Isso igualmente demonstra a vontade de nosso governo de elevar a qualidade de vida da população.

Para só citar um exemplo. Cuba tem criado um sistema de instituições de biotecnologia, sem paralelo em nações subdesenvolvidas, capaz de desenvolver vacinas preventivas e terapêuticas (como Abdala, Soberana contra a COVID-19, CIMAvax-EGF contra o cancro do pulmão e recombinante contra a hepatite B), entre outras.

Esses centros científicos e produtivos, agrupados na BioCubaFarma, geraram mais de 160 produtos que impactam a saúde pública nacional, salvam vidas e são exportados para mais de 40 países, contribuindo significativamente para a economia e a soberania sanitária de Cuba.

Por outro lado, de acordo com o Relatório sobre Desenvolvimento Humano 2019 do PNUD (dados para 2018), Cuba obteve um IDH de 0,778-0,783, classificando-se na categoria de alto desenvolvimento humano. Este resultado é obtido apesar de a ilha ter um rendimento bruto per capita relativamente baixo, o que demonstra a prioridade dada pelo Estado cubano à despesa social. Em relação aos dados sobre a expectativa de vida ao nascer e a mortalidade infantil, em 2019 a ilha apresentava um índice de 78 anos, superior à média regional da América Latina e comparável ao de países com maior rendimento, e de 4,6 por mil nascidos vivos, respetivamente, de acordo com dados da OMS.

O presidente Miguel Diaz-Canel Bermúdez explicou à imprensa em 5 de fevereiro que, no ano passado, foram instalados mais de 1.000 megawatts de capacidade de geração de energia elétrica com parques fotovoltaicos, se instalaram cerca de 49 parques fotovoltaicos em todo o país. Portanto, antes de 2025, a penetração, ou melhor, a porcentagem que as fontes de energia renováveis ​​contribuíam para a geração de eletricidade do país, era de apenas 3%. Com esse investimento, em apenas um ano, saltamos de 3% para 10% da geração, o que significa um crescimento de 7%.

Uma parte dessa energia se está dedicando à economia e, dessa forma, conseguimos priorizar a irrigação elétrica durante o dia; por exemplo, a irrigação dos hectares de arroz que estamos plantando, porque este ano queremos atingir 200.000 hectares de arroz, o que implicaria uma produção com a qual começaríamos a suprir cerca de 30% a 40% do arroz que consumimos na cesta regulamentada e que atualmente é importado. Este seria um primeiro passo para alcançar a autossuficiência em arroz com produção nacional em dois ou três anos e não precisar importar arroz para o país.

Conseguimos, também, fornecer energia a um grupo de entidades que geram exportações; conseguimos fornecer energia a entidades que substituem importações; conseguimos fornecer a energia necessária para a produção de tabaco, um item de exportação muito importante atualmente, para irrigação e para os investimentos que foram realizados.

No ano passado, recuperamos mais de 900 megawatts de capacidade de geração distribuída no país.

Pátria latina – Por que esse impacto não foi sentido?

Embaixador – Porque aumentamos ou recuperamos a capacidade de geração distribuída, mas, por todos os motivos que conhecemos, não tivemos o combustível necessário para que isso acontecesse. Recuperamos também a capacidade de geração térmica, o que está relacionado a todo o processo de reparo e manutenção das principais usinas termelétricas do país. O impacto não foi visível porque tivemos déficits, déficits muito grandes.

Oscar Pérez-Oliva Fraga, vice-primeiro-ministro de Cuba

Além disso, o vice-primeiro-ministro de Cuba, Oscar Pérez-Oliva Fraga, recentemente explicou a nosso povo a estratégia que será implementada pelo pais para enfrentar a complexa situação nacional criada pela ordem executiva assinada pelo Trump contra a ilha., que acho que responde a sua pergunta.

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O combustível destina-se a proteger os serviços essenciais à população e as atividades econômicas essenciais.

A geração de eletricidade é sustentada, fundamentalmente, pela produção nacional de petróleo bruto, gás natural e pela utilização de fontes de energia renováveis.

O funcionamento das fontes fundamentais de abastecimento de água para a população está protegido.

Os serviços básicos de saúde são mantidos para a população, com prioridade para atendimento médico de emergência, saúde materno-infantil e o Programa de Combate ao Câncer.

A utilização de recursos locais nos territórios para a produção de alimentos e o uso de fontes de energia renováveis.

São asseguradas as atividades relacionadas com a preparação da defesa e a ordem interna.

Na medida do possível, são protegidas as atividades destinadas à obtenção de receitas em moeda estrangeira necessárias ao desenvolvimento econômico e social do país.

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Além disso, se dará prioridade e continuidade ao desenvolvimento do programa de instalação de parques solares fotovoltaicos.

Sobre a produção de petróleo nacional, o pais faz investimentos para aumentá-la. No final de 2025, a produção cresceu modestamente.

Existem medidas adicionais para aumentar a produção, inclusive a partir de poços existentes, através da gestão de recursos pela empresa Cupet e em parceria com empresas estrangeiras.

Pátria Latina – Qual a estratergia do setor agrícola para aumento da produção?

Embaixador – No setor agrícola, trabalhamos no aumento da produção local para substituir importações. Este ano o país se propôs a plantar 200.000 hectares de arroz para garantir uma parte significativa da demanda.

Para isso temos cooperação de vários países em projetos com bons resultados, como nas fazendas de Pinar del Río, Sancti Spíritus e, mais recentemente, em Granma, onde os primeiros 360 hectares já foram plantados.

O plantio de diversas culturas também será incentivado, com ênfase na agricultura urbana e familiar. Fontes de energia renováveis ​​serão utilizadas para irrigação, e a tração animal será aumentada, visto que “não teremos combustível suficiente para o uso generalizado de equipamentos no trabalho agrícola”.Estamos desenvolvendo algumas iniciativas com atores econômicos não estatais, com empresas estrangeiras que estejam dispostas a participar da venda de alimentos à população, buscando mecanismos que apoiem a redução de preços.

Na produção industrial, o setor se concentrará na fabricação, processamento e fornecimento de produtos químicos vitais, como os necessários para garantir a qualidade da água, o oxigênio e o cloro para o sistema de saúde e alguns processos industriais, “aproveitando ao máximo as capacidades das indústrias locais”.

No nosso país existe um potencial significativo a nível local. Além disso, a cobertura foi revista e assegurada para um grupo de produtos de alto impacto fabricados no país, particularmente para o sistema de saúde e outros setores importantes.

No setor turístico, foi elaborado um plano para reduzir o consumo de energia, adaptando as instalações e aproveitando a atual alta temporada, que está apresentando “resultados encorajadores e melhores do que os do ano anterior”.

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As medidas visam melhorar a eficiência energética, consolidar os principais centros comerciais e proteger os serviços turísticos essenciais como fonte de rendimento. Da mesma forma, protegem a produção de tabaco e outras atividades económicas com potencial para gerar divisas.

Na área da saúde, os serviços médicos estão garantidos em geral e que será desenvolvido um plano especial para proteger pacientes com doenças crônicas em áreas com dificuldades de abastecimento de combustível, especialmente se morarem longe de instituições de saúde.

Para tratamentos como a hemodiálise, a sua continuidade será assegurada, “incluindo a possibilidade, se necessário, de internamento hospitalar”.

Os serviços de atenção primária à saúde também são garantidos, a vigilância epidemiológica é mantida e o fornecimento de combustível para a produção de medicamentos essenciais pelo Grupo Empresarial BioCubaFarma é priorizado.

Pátria Latina – A presidente mexicana Claudia Sheinbaum manterá sua decisão de continuar enviando apoio material a Cuba, apesar das ameaças de Donald Trump contra o país?

Embaixador – O passado 8 de janeiro 2 embarcações mexicanas saíram para Cuba carregando 814 toneladas de alimentos, e o governo mexicano anunciou que enviaria também mil e 500 toneladas de leite em pó y feijão para a ilha. Igualmente, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, tem reiterado a posição de seu governo de ajudar a Cuba a paliar a difícil situação económica que enfrenta, e ao mesmo tempo tem denunciado o bloqueio contra nosso país.

México tem mantido sempre uma postura solidaria com o povo cubano, que agora são reforçadas pelo governo da presidenta Claudia Sheinbaum, posição corajosa que nunca esqueceremos.

O sequestro criminoso do presidente Maduro, o martírio dos 32 internacionalistas cubanos que defendiam a soberania da Venezuela, além das razões específicas relacionadas ao petróleo, não têm também o significado de punir a nação bolivariana por sua decisão inabalável de apoiar e cooperar a todo custo com Cuba?

Pátria Latina – Desde que Chávez liderou a Revolução Bolivariana, forjou-se uma relação de cooperação e colaboração, baseada nos princípios da solidariedade e, sobretudo, da integração e complementaridade: como duas nações irmãs, amigas, poderiam alavancar o potencial uma da outra para essa integração e complementaridade?

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Embaixador –  É por isso que o Acordo de Cooperação Abrangente entre Cuba e Venezuela foi estabelecido há mais de 25 anos.

É abrangente porque engloba muitas áreas: energia, soberania alimentar, educação, ensino superior, alfabetização, formação de lideranças e desenvolvimento de recursos humanos. Inclui também indústria, mineração, telecomunicações, intercâmbio cultural e intercâmbio político. E isso vai além das relações entre Cuba e Venezuela.

Nessa relação e nesse acordo, lembre-se que quatro anos depois surgiu a ALBA-TCP, que já levava os conceitos dessa relação a um grupo de países da região da América Latina e do Caribe.

Posteriormente, a ALBA-TCP também apoiou a Petrocaribe, um conjunto de projetos também com foco em energia, mas com ênfase em questões sociais, justiça social, equidade, oportunidades e no benefício e desenvolvimento das pessoas, não apenas da Venezuela e de Cuba, mas de toda a América Latina e Caribe.

Aí reside o conceito de integração, aquela integração que Martí sonhou, que Bolívar sonhou, e que Fidel e Chávez defenderam, e à qual todos estamos comprometidos, porque há milhares de cubanos que passaram por missões realizadas no contexto deste acordo, desta colaboração.

“Cuba tem criado um sistema de instituições de biotecnologia, sem paralelo em nações subdesenvolvidas”

Todos conhecem as palavras de Martí a respeito de seu compromisso com a Venezuela, um compromisso que todos nós abraçamos. Portanto, também temos compromissos com aquela terra bolivariana, temos sentimentos muito fortes em relação a ela. E enquanto o governo venezuelano fomentar e defender a colaboração, Cuba estará disposta a colaborar.

Obviamente, essa relação de cooperação solidaria entre nossas nações não pode ser entendida pelo governo estadunidense, que tem como conceito que as relações entre países devem se basear em estreitos interesses econômicos, e que quer ver nossas nações divididas, para assim avançar melhor seus interesses de dominação.

Cuba tem condenado veementemente a agressão militar estadunidense contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro Moros, e sua companheira Cilia Flores, ação que viola o direito internacional e a proclamação de América Latina e o Caribe como Zona de Paz. Nessa intervenção militar, contra a soberania de uma nação pacifica de nossa região, foram mortas mais de cem pessoas, entre elas 32 combatentes cubanos, que morreram combatendo contra o agressor. Eles foram homenageados por centenas de milhares de cubanos, que também se manifestaram contra o imperialismo e reafirmaram o patriotismo e a disposição de defender nossa soberania.

Pátria Latina – Como Cuba está se preparando para um bloqueio naval ou, na pior das hipóteses, uma invasão da Ilha por tropas dos Estados Unidos? O serviço de informações entrou em modo alerta para essas movimentações?

Embaixador – Uma das prioridades que estabelecemos foi a implementação de um Plano de Preparação da Defesa no interesse da Guerra Popular. Este plano abrange a preparação do sistema de defesa territorial do nosso país em todos os níveis, desde a zona de defesa, o município e a província, até o Conselho Nacional de Defesa: as unidades regulares das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) e do Ministério do Interior (Minint); as brigadas de produção e defesa; as milícias das Tropas Territoriais; e também as estruturas nas zonas de defesa e as forças especiais, a fim de elevar nossos níveis de preparação defensiva. Isso é legítimo e está inclusive previsto em nossa Constituição.

Declaramos os sábados como dias de defesa nacional e, assim, gradual e sistematicamente, todos os componentes do nosso sistema de defesa territorial estão se preparando. Estamos participando dessa preparação.

“Em relação aos dados sobre a expectativa de vida ao nascer e a mortalidade infantil, em 2019 a ilha apresentava um índice de 78 anos, superior à média regional da América Latina”

Atualmente, o Conselho de Defesa Nacional realizou duas atividades preparatórias. Uma delas consistiu na atualização de todos os planos de enfrentamento à agressão elaborados pelos órgãos de trabalho do Conselho de Defesa Nacional; atualizamos esses planos e incluímos esclarecimentos relacionados às lições aprendidas com conflitos internacionais recentes.

Também temos implementado medidas de proteção a população, diante na nova situação de cerco à importação de combustíveis. Estamos instalando mais 5.000 módulos fotovoltaicos em centros vitais para fornecer serviços à população: 161 maternidades; 156 casas de repouso; 305 centros para idosos; 556 policlínicas, sendo que pelo menos o pronto-socorro e uma parte significativa das instalações terão esses sistemas; 336 agências bancárias.

Estão sendo distribuídos 10.000 sistemas fotovoltaicos, priorizando aqueles que trabalham nos sistemas de educação e saúde: médicos, professores, profissionais da saúde e funcionários da educação e do ensino superior.

“este ano queremos atingir 200.000 hectares de arroz, o que implicaria uma produção com a qual começaríamos a suprir cerca de 30% a 40% do arroz que consumimos”

Pátria Latina – O governo confia em que, efetivamente, China e Rússia se antecipariam ou defenderiam Cuba em caso de um bloqueio ou invasão?

Embaixador – Em primeiro lugar, gostaria de reiterar que Cuba enfrenta há 67 anos o bloqueio dos Estados Unidos, que limitou drasticamente as possibilidades econômicas do país, se intensificou após o colapso da União Soviética e atingiu limites extremos com o atual governo norte-americano. Ao longo de todos esses anos, a unidade, a inteligência e a capacidade de resistência do nosso povo se fortaleceram e nos permitiram prevalecer.

“Os serviços básicos de saúde são mantidos para a população, com prioridade para atendimento médico de emergência, saúde materno-infantil e o Programa de Combate ao Câncer”

Assim mesmo, nosso país agradeceu as declarações de apoio a Cuba feitas por ambos os países, que têm um enorme valor diante da escalada das pressões dos Estados Unidos, uma potência militar e econômica.

Em meio à crescente hostilidade de Washington contra Cuba, o governo chinês, autorizou o envio de ajuda emergencial à ilha caribenha, incluindo assistência financeira no valor de US$ 80 milhões e a doação de 60 mil toneladas de arroz, ajuda muito necessária nestes momentos.

Igualmente, O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, conversou por telefone com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, e declarou que seu governo continuará a ajudar a ilha caribenha em questões políticas e materiais.

A defesa de nosso país se baseia, principalmente, em nossa própria capacidade e no conceito de Guerra Popular, que estabelece que cada cidadão tem participação na defesa da pátria, já seja como parte do exército, as milícias territoriais, o na produção de alimentos para manter a funcionalidade do país, na medida do possível.

Realmente, esperamos que não haja uma agressão militar contra nosso país, mas se esse erro fosse cometido, estamos preparados para defender nossa Pátria.

Pátria Latina – Como Cuba pode contornar as ameaças dos EUA ao comércio de petróleo? Algum país já manifestou a disposição de continuar vendendo petróleo a Cuba apesar das ameaças?

Embaixador – Primeiro, acho altamente repreensível que uma potência do tamanho dos Estados Unidos adote uma política tão agressiva e criminosa contra uma nação pequena e pacífica como Cuba.

“Fontes de energia renováveis ​​serão utilizadas para irrigação, e a tração animal será aumentada”

Porque o que significa impedir que uma única gota de combustível chegue a um país? Significa interromper o transporte de alimentos, a produção de alimentos, o transporte público, o funcionamento de hospitais, instituições de todos os tipos, escolas, a produção econômica e o turismo. Isso é um claro ato de genocídio contra o povo cubano. A Convenção sobre Genocídio de 1948 define genocídio como atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Precisamente o que o governo de EUA tenta fazer com Cuba.

Cuba recebeu inúmeras manifestações de solidariedade e apoio diante da adoção da ordem executiva dos EUA por parte de porta-vozes de ministérios das Relações Exteriores, partidos políticos, embaixadas, líderes internacionais, movimentos que agrupam países, congressistas democratas e eurodeputados.

“Cuba tem condenado veementemente a agressão militar estadunidense contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro”

O Movimento dos Países Não Alinhados, que reúne 120 nações, quase 2/3 da comunidade internacional, divulgou recentemente uma declaração na qual condena a medida contra Cuba e exige o fim imediato do bloqueio.  Da mesma forma, o Grupo de Países Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas, composto por 19 nações, pronunciou-se em apoio à ilha, o que não deixa dúvidas sobre o apoio majoritário da comunidade internacional ao nosso país.

“México tem mantido sempre uma postura solidaria com o povo cubano”

Da mesma forma, os governos do México, Vietnã, China e Rússia, entre outros, manifestaram sua solidariedade a Cuba. Incluso, sua Santidade, o Papa Leão XIV, manifestou preocupação com a ameaça de Trump de impor tarifas sobre aqueles que enviam petróleo para Cuba e pediu diálogo para evitar mais sofrimento ao povo cubano.

Igualmente, o chanceler cubano Bruno Rodríguez conversou por telefone com seu homólogo russo, Serguéi Lavrov, quem transmitiu o apoio de seu governo a Cuba. Da mesma forma, ele visitou vários países como enviado especial de nosso governo, sendo recebido pelo presidente do Vietnã, Luong Coung, e pelo chanceler da China, Wang Yi, nações que denunciaram a recente escalada dos EUA contra Cuba.

Por outro lado, a presidenta de México, Claudia Sheinbaum, de forma muito corajosa, tem manifestado a sua vontade de manter o fornecimento de combustível a Cuba, para o qual está em conversações com os EUA, e outros países e empresas também estão dispostos a ajudar.

“Todos conhecem as palavras de Martí a respeito de seu compromisso com a Venezuela, um compromisso que todos nós abraçamos”

Esperamos que a solidariedade internacional prevaleça sobre as ameaças e chantagens dos Estados Unidos aos Estados soberanos. Cuba é um povo pacífico, nobre e solidário, contra o qual está sendo cometida uma injustiça colossal com graves implicações humanitárias.

Naturalmente, ninguém se engana de que isto é contra todos nós. E, portanto, é importante a solidariedade política e é importante também a solidariedade prática, para desafiar a pretensão deles de bloquear o acesso de Cuba ao petróleo, ao alimento, aos medicamentos e tudo o mais. Enquanto isso, o povo cubano tem se expressado, nossos dirigentes se expressaram com toda a clareza sobre nossa decisão de resistir e de nos prepararmos para combater se for necessário, como sempre vamos estar.

Mas, a nossa estratégia tem como elemento principal aumentar a nossa capacidade de gerar energia, e funcionar com recursos próprios. Continuaremos a instalação de parques fotovoltaicos, os investimentos para incrementar a produção de combustível nacional. O incentivo a instalação de sistemas de energia renovável pela população, e as medidas de poupança de energia.

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