Por Pedro Rioseco*
Colaboradora da Prensa Latina
A Declaração foi aprovada por aclamação popular na Assembleia Geral do povo de Cuba, reunida na histórica Praça de Havana em 4 de fevereiro de 1962, e nela foram analisadas as raízes históricas que servem de base para a inevitável revolução dos povos da América Latina contra o imperialismo.
“Resistiremos em todos os campos: resistiremos na esfera econômica; continuaremos avançando na esfera cultural (…); a Pátria não trabalha para hoje, a Pátria trabalha para o amanhã. E esse amanhã, cheio de promessas, ninguém poderá nos tirar, ninguém poderá nos impedir de alcançá-lo, porque com a fortaleza do nosso povo o conquistaremos, com a coragem e o heroísmo do nosso povo o conquistaremos”, afirmou o líder cubano Fidel Castro Ruz.
Após uma série de agressões, sabotagens e crimes cometidos por gangues contrarrevolucionárias financiadas pela CIA e a derrotada invasão mercenária em Playa Girón, em abril de 1961, a expulsão de Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA) ocorreu em 4 de fevereiro de 1962, durante uma reunião realizada em Punta del Este, Uruguai, e a gigantesca concentração em Havana foi a resposta cubana.
Em Punta del Este, todos os governos latino-americanos, com a única e honrosa exceção do México, romperam relações diplomáticas com o governo revolucionário, o que levou à Segunda Declaração de Havana.
A Declaração tornou-se uma verdadeira reafirmação de princípios, em favor da projeção latino-americana e da vocação da Revolução Cubana. É um documento de profundo respeito pelo caráter socialista e internacionalista do processo político cubano, com ênfase excepcional em sua relevância para a América Latina, ao examinar as raízes históricas da resistência de nossos povos contra as ações intervencionistas do imperialismo estadunidense.
No documento, Fidel denunciou a intervenção do governo dos Estados Unidos na política interna dos países latino-americanos, que vinham se comportando de maneira cada vez mais aberta desde então.
Os imperialistas não temiam a Revolução Cubana, mas sim a Revolução Latino-Americana, receando que os povos saqueados do continente se apoderassem das armas de seus agressores e se declarassem, como no caso de Cuba, povos livres da América e donos de seus recursos naturais, afirmou ele.
A Segunda Declaração começa por recordar as previsões que José Martí escreveu em 1895, convicto do perigo que os Estados Unidos simbolizavam para os povos da América e, em especial, para Cuba.
O texto, aprovado por ampla maioria pela multidão entusiasmada reunida e posteriormente reafirmado em todo o país, ratificou a dignidade nacional, a autodeterminação e a soberania da nação cubana.
Essa posição é especialmente relevante hoje com o ressurgimento de posições fascistas de dominação global por parte do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e suas tentativas de quebrar a resistência do povo cubano após 64 anos de um bloqueio genocida que ignora a demanda quase unânime dos povos do mundo na Assembleia Geral das Nações Unidas em 33 votações anuais consecutivas.
Pelo contrário, o atual líder da Casa Branca teve a audácia de acusar Cuba de ser uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos como pretexto para impor um embargo total às suas importações de petróleo, sob fortes ameaças aos países que ousassem vender para a ilha.
Assim, tentam subjugar o povo cubano com o mesmo argumento do Memorando Mallory, que recomendava à Casa Branca, desde 1960, provocar um aumento extremo da escassez e das dificuldades para minar o apoio da maioria à Revolução. Mas estavam errados então e estão errados agora.
A Segunda Declaração de Havana concluiu-se em 1962 com uma das frases mais famosas da história da Revolução Cubana, que o Comandante Ernesto Che Guevara leria mais tarde nas Nações Unidas e tornaria famosa em todo o mundo:
“Porque esta grande humanidade disse ‘Basta!’ e partiu em marcha. E sua marcha gigantesca não vai parar até conquistar a verdadeira independência, pela qual já morreu mais de uma vez em vão. Agora, em todo caso, aqueles que morrerem morrerão como os de Cuba, os de Playa Girón, morrerão por sua única, verdadeira e inalienável independência!”
arb/prl
*Correspondente-chefe da Prensa Latina na Nicarágua e, simultaneamente, em El Salvador, Guatemala e Honduras por 10 anos; correspondente-chefe na República Dominicana, Equador e Bolívia. Fundou e dirigiu a Editorial Génesis Multimedia, que produziu a Enciclopédia Todo de Cuba e outros 136 títulos. Anteriormente, foi diretor do jornal Sierra Maestra, na antiga província de Oriente; assessor do Ministro da Cultura, Armando Hart; chefe da seção internacional da revista Bohemia, com cobertura internacional em mais de 30 países; e autor do livro Comércio Eletrônico, a Nova Conquista. Dirige a revista Visión da UPEC e é presidente de seu Conselho Consultivo.