Brasília, 3 de dezembro de 2021 às 14:33
Selecione o Idioma:

Brasil

Postado em 13/06/2021 11:01

São Luís é a primeira capital a vacinar jovens por idade no Brasil

.

Próxima mobilização junina deve ultrapassar 10 mil pessoas vacinadas em 41 horas ininterruptas. – Governo do Estado

Jovens a partir de 18 anos já são cadastrados para receberem a dose na próxima semana

Mariana Castro
Brasil de Fato | Imperatriz (MA) |

Nas terras do bumba meu boi, apesar do silêncio dos tambores, as toadas juninas e o mingau de milho entregues pelas mãos do governador Flávio Dino (PCdoB) se fazem presentes nos nove pontos de vacinação de São Luís (MA), que diferente do cenário nacional, já vacina jovens abaixo de 30 anos e anunciou cadastro para a vacinação a partir de 18, na próxima semana.

Com evento de 41 horas de vacinação ininterrupta no Arraial da Vacinação, mais de meio milhão de pessoas já foram vacinadas na capital e o recorde de 19.260 pessoas vacinadas em um único dia foi registrado na última quinta-feira (10). Em menos de uma semana, a capital maranhense disparou com grande diferença na idade de vacinação por idade, em relação às demais capitais brasileiras.

Leia também: Últimas da vacina: Brasil fica de fora das doações do imunizante Pfizer dos EUA

Atrás de São Luís nesse quesito, todas as demais capitais ainda vacinam públicos em faixas etárias acima de 40 anos, com destaque para Recife (PE), que apesar de vacinar o grupo de 43+, também está à frente das outras capitais com larga diferença.


Também no Nordeste, Recife é o segundo destaque na redução de idade, atrás somente de São Luís. / Reprodução

Confira as capitais com menor idade de vacinação, atrás de São Luís:

Recife, dia 11 de junho iniciou a vacinação de pessoas a partir de 43 anos.

Vitória, dia 12 de junho inicia a partir de 50 anos.

Rio de Janeiro, dia 14 de junho inicia a partir de 53 anos.

São Paulo, dia 16 de junho inicia a vacinação a partir de 55 anos.

Disparidade

Segundo a Superintendente de Epidemiologia e Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Tayara Pereira, um destaque para a disparidade é o recebimento de 310 mil doses extras da vacina AstraZeneca, solicitadas ao Ministério da Saúde para a vacinação em massa após a confirmação de casos da variante indiana.

Leia também: Bolsonaro promove aglomerações em SP e é multado por governo Doria

Desse total, 210 mil foram destinadas à grande ilha, que compreende São Luís, São José de Ribamar, que recebeu 36 mil doses, Paço do Lumiar, com 30,5 mil e Raposa, que garantiu um aporte extra de seis mil doses.

“Considerando esse quantitativo extra de doses aos municípios da grande ilha, esses podem dar essa celeridade na vacinação em massa da sua população, o que difere dos demais municípios do estado, que estão recebendo quantitativos de doses referentes ao público-alvo disposto no PNO, então é um quantitativo menor e para um público menor”, explica.


Além do arraial, mutirões e aplicativo, Prefeitura de Sâo Luís segue investindo na modalidade Drive-Thru. / Reprodução

Para a utilização das doses extras, foi montada uma grande estrutura com a parceria entre Governo do Estado e Prefeitura Municipal de São Luís, com a realização de mutirões, drive-thru e o chamado “Arraial da Vacinação”, ao som de músicas juninas e distribuição de mingau de milho.

A Superintendência Estadual explica que até o momento, o “Arraial da Vacinação” está concentrado na região da grande Ilha, com exceção de Timon e Alcântara, que devem receber o projeto na próxima semana. Sem data definida, há previsão de ser ampliado para outros municípios ainda durante o mês de junho.

“Nós já fizemos no Shopping Pátio Norte para os municípios de Paço do Lumiar e Ribamar Fiquene, e durante este final de semana será feito novamente para os municípios da grande ilha. Fora da grande ilha, também estamos fazendo em Timon e Alcântara, com previsão de outros municípios participarem no decorrer do mês de junho”.


Flávio Dino é destaque no Consórcio Nordeste, em defesa de mais vacinas e cumprimento das recomendações da OMS. / Brunno Carvalho

Além disso, destaca-se o perfil contrário ao negacionismo praticado pelo governo federal, por parte do governador Flávio Dino, um dos líderes do Consórcio de Governadores da Amazônia, constantemente atacado pelo empenho ao cumprimento das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) desde o início da pandemia.

Na última passagem pelo Maranhão, em medida inédita, Dino anunciou inclusive auto de infração contra as aglomerações provocadas pelo presidente no estado e a falta de uso de máscaras.

O Prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PODE) destaca que todos os grupos com comorbidades e professores já foram vacinados, e seguem sob chamadas para retardatários, pré-requisito para o avanço da vacinação por idade, segundo o Plano Nacional de Imunização (PNI).

 

Braide explica que, com esforço conjunto, a capital se preparou para esse momento de avanço no recebimento e aplicação de vacinas com a criação de novos centros de vacinação e projetos como o Filômetro, aplicativo que facilita o acesso a informações em tempo real sobre a situação dos pontos de vacinação e permite a escolha do local ideal, reduzindo filas e acelerando a vacinação.

“São Luís se preparou para esse momento, criamos centros de vacinação sem comprometer o atendimento das nossas unidades da saúde, recebemos doses extras de vacina do Ministério da Saúde para o enfrentamento da variante da Índia, temos o Filômetro, que nos ajuda a organizar a vacinação diariamente, e o mais importante, uma equipe incansável no combate à pandemia”, comemora o prefeito.


Ruínas da Igreja São Matias, na histórica cidade de Alcântara (MA). / Reprodução

Alcântara 100%

Há pouco mais de 18km de São Luís, o município histórico de Alcântara que abriga predominantemente comunidades quilombolas, pode ser o primeiro município brasileiro a atingir 100% de vacinação em primeira dose.

Leia também: Registrar efeitos das vacinas enriquece a qualidade dos imunizantes, diz pesquisador

A informação foi divulgada na manhã pela jornalista Mônica Bergamo na manhã desta sexta-feira (11), em matéria compartilhada pelo governador Flávio Dino, em rede social, sob a justificativa de que o município recebeu milhares de doses de vacina destinadas à população quilombola, considerada prioritário para o PNI.


O avanço não alcança Imperatriz, que anuncia vacinação para pessoas a partir de 54 anos. / Reprodução

Imperatriz

Nem tudo é festa no estado. Com esse conjunto de fatores, a disparidade é avaliada não apenas em relação às capitais brasileiras, mas também dentro do próprio estado, onde outras cidades ainda vacinam o público acima de 55 anos, como é o caso de Imperatriz, segunda maior cidade do Maranhão, há 636km de São Luís.

Aos 35 anos, a engenheira de alimentos Iara Silveira, que convive com os pais idosos, hoje vacinados com a primeira dose, já contraiu a doença e reclama da demora no avanço da vacinação por idade no município, em comparação com a capital.

“Fiquei doente em fevereiro, mas graças a Deus não transmiti para ninguém, mas vi que no grupo dos idosos demorou muito para iniciar a vacinação, e tem alguns grupos prioritários que não estão se vacinando. Os mais velhos com 58, 59 anos… demorou muito para liberar a vacinação e eu não sei o que está acontecendo, porque não chega vacina e fico ansiosa esperando a minha. Quando vou vacinar se nem as pessoas com 58 anos terminaram de vacinar ainda?”, reclama.

O último anuncio de chamada por idade, sem comorbidades, da Prefeitura Municipal de Imperatriz, contempla pessoas de 54 a 59 anos. O executivo segue anunciando esforços para a conclusão de pessoas com comorbidades, deficiência permanente e beneficiários do BPC ativo, incluídas no grupo prioritário, a exemplo da realização do chamado “Dia D” da vacinação, que aconteceu dia 2 de junho.

Consultada sobre a demora no avanço da vacinação por idade, bem como sobre esforços para projetos de vacinação em massa em parceria com o Governo do Estado, a Prefeitura Municipal de Imperatriz não se manifestou até o momento da publicação da reportagem. Segundo a assessoria de comunicação, em razão de reuniões do setor desde a manhã.

Precisa vacinar

A vacinação em massa é uma recomendação unânime entre os estudiosos desde o início da pandemia, apesar da falta de interesse do governo federal em adquirir as doses, que ignorou as ofertas da vacina Pfizer por 81 vezes, segundo investigação da CPI da Covid.

Leia também: CPI da Covid: “Nada justifica viagem de R$ 500 mil a Israel buscando spray milagroso”

O infectologista e professor do Departamento de Saúde da Universidade do Maranhão (UFMA), Antônio Augusto Moura reforça a sua importância e alerta para a importância de alcançar os 70% de vacinados com a segunda dose.

“A vacinação em massa é uma recomendação para o combate à pandemia e não temos dúvida disso. Esperamos que uma vez alcançados os 70% de vacinados com a segunda dose, a gente consiga o que a gente chama de imunidade de grupo e o controle da pandemia.

Em relação ao avanço da vacinação por idade na capital, o infectologista explica que os benefícios serão sentidos apenas na região da grande ilha, e alerta que apesar da rapidez nos últimos dias, ainda é preciso avançar muito para garantir segurança.

“Os benefícios serão sentidos basicamente aqui na capital, porque o fenômeno da imunidade de grupo só vai acontecer nos locais onde a vacinação atingir uma cobertura de 70%, e isso, mesmo aqui na capital, ainda vai demorar acontecer, precisamos avançar muito para chegar a esse número”, conclui.

Comentários: