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Postado em 27/06/2017 7:50

“O OVO DO TUCANO”

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Por Carlos D’Incao
Há 4 anos iniciava-se no Brasil um golpe de Estado.
Exatamente no dia 13 de junho de 2013 gigantescos protestos brotaram “do nada” por todo o país. Sua pauta formal: se opor à política e aos políticos tradicionais; seu lema: “Sem Partido”.
Na verdade a pauta era uma oposição ao governo democraticamente eleito e seu lema era “Aécio Presidente!”.
Ali nascia os grupos neofascistas como o MBL, os Radicais On-Line e o “Vem pra Rua!”. Hoje não há mais segredos…
Todos recebiam e recebem dinheiro da corrupção tucana – como a Polícia Federal revelou em 2016 – e recebiam e recebem apoio (e logística) dos EUA – como Snowden e centenas de documentos do Wikileaks revelaram em 2015.
Naquele ano, por todo o Brasil, milhões foram para as ruas sem saber exatamente a razão disso. Uma histeria coletiva que teve como finalidade imediata o combate a uma Medida Provisória que regrava o papel do Ministério Público e do poder judiciário no Brasil e que deveria ter como “final feliz” a vitória de Aécio Neves como presidente em 2014.
Obtiveram êxito na primeira ação, quando Dilma retirou a Medida Provisória da pauta de um Congresso amedrontado e sob pressão da Globo e da Grande Imprensa. Mas não conseguiram eleger Aécio…
E os movimentos neofascistas, com um judiciário partidarizado à frente e toda uma Rede Globo de apoio, novamente instigaram o ódio no povo. Milhões foram às ruas contra Dilma e Lula.
Mas ainda lhes faltavam uma razão para o golpe…
E com o uso da microscopia, os sábios tucanos acharam uma “irregularidade” nas ação de Dilma. Ainda que fosse no seu governo passado… Era tudo o que tinham…
Ela havia atrasado repasses para os bancos pagarem os programas sociais e os recursos para a safra de 2014… E os bancos tiveram que adiantar esses valores do próprio caixa deles… Algo que todos os governantes do Brasil e do Mundo frequentemente fazem.
A isso os tucanos chamaram de “Pedaladas Fiscais”.
“Pedaladas Fiscais”… Esse foi o termo mais usado pela grande imprensa no ano de 2015 até o Impeachment… Tiraram uma presidente democraticamente eleita e anularam 55 milhões de votos por essa razão…
Foi um golpe grotesco que fez o Brasil virar uma piada internacional, não apenas pela razão alegada, mas porque aqueles que assumiram o poder eram os maiores e mais conhecidos corruptos do país.
O povo que seguia alegremente o pato da Fiesp pensava que com a saída da Dilma a prosperidade e a honestidade iriam reinar…
Um ano depois do golpe o desemprego subiu de 12 para 20 milhões de brasileiros, 40 milhões vivem na informalidade, os golpistas congelaram os gastos da área social por 20 anos, aprovaram a Lei da Terceirização e – se tudo correr como desejam – acabarão de vez com a CLT e com a Previdência ainda nesse mês.
E a corrupção? Sem comentários…
Mas nem tudo foi ruim: o governo manteve (e ainda mantém) os juros altos, para a alegria dos rentistas… e fizeram um novo Refis para a Fiesp, anistiando os grandes empresários de até 90% de suas dívidas tributárias e mais: parcelou o resto de suas dívidas em até 180 vezes…
No fim, o pato não pagou o pato… Quem pagou foi o povo… Seguidor ou não do pato…
Em 2013 foi gerado o “ovo do tucano”, versão brasileira do “ovo da serpente”. O “ovo da serpente” gerou Hitler. O “ovo do tucano” gerou Bolsonaro…
Mas o “ovo do tucano” têm mais méritos… pois também gerou o maior caos político e a maior depressão econômica da História das Repúblicas Modernas; um nível de promiscuidade entre o público e o privado jamais visto e, por fim, uma queda livre nas esperanças de todo um povo… queda esta que parece não ter fim…
Caso haja o restabelecimento de uma mínima sanidade e estabilidade política nesse país ficarão algumas lições… Entre elas destacaria hoje duas:
1 – Nunca, nenhuma mudança positiva para o povo brasileiro jamais será apoiada pela Rede Globo;
2 – Enquanto existir o PSDB não haverá seguridade na soberania de nosso país. Os tucanos são mais que neoliberais, são neo-entreguistas…”
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Carlos D’Incao é historiador.”

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